Freguesias de Lisboa com falta de meios para limpeza urbana

Tiago Petinga / Lusa

Lisboa tem tido dificuldade em dar resposta às questões de higiene urbana e alguns presidentes de junta admitem uma falta de meios, mas as freguesias atribuem também o problema ao turismo e à falta de civismo da população.

Em declarações à Lusa, a presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia, no centro da capital, afirmou que a acumulação de lixo “tem sido um problema muito grande” que se intensificou no mês de agosto, devido ao turismo. Além disso, tem notado a diminuição do número de recolhas (uma responsabilidade do município) em algumas zonas da freguesia.

Relativamente à limpeza urbana (varredura e lavagem das ruas), competência da Junta de Freguesia, Carla Madeira (PS) declarou que a varredura e a lavagem das ruas têm sido insuficientes devido à falta de recursos humanos.

“Eu sinto que nós para termos uma freguesia limpa e 100% apresentável a quem cá reside e a quem a visita precisávamos de ter o dobro da capacidade de varredura, lavagem e despejo de papeleiras”, salientou.

Na freguesia de Santa Maria Maior, que engloba os bairros de Alfama, Baixa, Castelo, Chiado e Mouraria, a operação “não funciona sempre bem, nem sempre mal”, sendo “uma questão sazonal”, contou o presidente desta autarquia.

“Nós temos uma carga diária de visitantes estimada em mais de 250 mil pessoas e, portanto, nós fomos dimensionados, temos um orçamento e temos meios para servir uma carga de população muito inferior do que aquela que está agora no terreno”, explicou Miguel Coelho (PS).

“Basta haver aqui três grandes eventos, mais os barcos dos cruzeiros atracados, mais o turismo normal tradicional para nós entrarmos em rutura ou entrarmos em situação de grande dificuldade na resposta”, acrescentou.

Também a freguesia de Belém, zona turística da capital, enfrenta “um problema grande” no que toca à recolha de lixo, que nos últimos tempos tem sido “irregular”, levando à sua acumulação no espaço público, contou o presidente, Fernando Ribeiro Rosa (PSD).

O autarca destacou como positivo, no entanto, o novo sistema de contentores subterrâneos e avançou que em setembro está previsto que o território da freguesia conte com mais contentores deste tipo.

A presidente da Junta de Freguesia das Avenidas Novas, Ana Gaspar (PS), afirmou que “tem havido algumas queixas”, admitindo que o “período de férias é naturalmente um tempo mais difícil para todos”. A autarca está ciente da falta de meios para dar resposta às questões de higiene urbana, mas advoga que “mais do que meios”, é necessário sensibilizar a população para “comportamentos mais civilizados”.

Na freguesia da Estrela, “as reclamações incidem sobretudo no lixo depositado junto aos ecopontos, nas esquinas, em becos e junto a árvores”, avançou o presidente da Junta.

De acordo com dados disponibilizados por Luís Newton (PSD), o território da Estrela recebeu 182 queixas no mês de maio, 253 em junho e 171 em julho.

Em Santo António, a Junta de Freguesia recebe “queixas pontuais de sítios pontuais”, pelo que o presidente, Vasco Morgado (PSD), afirmou que não tem tido “um problema assim de maior”.

Também o presidente da Junta de Freguesia de Campolide, André Couto (PS), disse não ter grandes problemas relativamente à higiene urbana, sublinhando, no entanto, que “a médio prazo poderá deixar de ser possível” um serviço eficiente devido à crescente pressão do turismo.

Já na zona de Telheiras, onde os moradores se têm queixado de lixo acumulado nas ruas e de falhas na recolha, está prevista a construção de um novo posto de limpeza para ajudar nas tarefas da responsabilidade da Junta (lavagem, varredura e corte de ervas), assim como “apoiar algumas tarefas municipais”, anunciou à Lusa o presidente da Junta de Freguesia do Lumiar.

“Em casos em que alguém, inadvertidamente, sem contactar previamente a câmara, faz a colocação de um resíduo [mono], é muito mais fácil sermos nós a fazê-lo [retirar o resíduo]” por uma questão de proximidade, exemplificou Pedro Delgado Alves (PS).

O movimento cívico Fórum Cidadania Lx solicitou no passado mês de junho uma reunião com o executivo municipal, pedindo “melhorias urgentes e em larga escala” relativamente à higiene urbana na cidade. Há dois anos, o movimento já havia manifestado desagrado, mas sublinha que continua a haver contentores abandonados, “quase sempre imundos”, bem como “proliferação de grafitos agressivos” e ainda uma “absoluta falta de fiscalização e aplicação de sanções” aos infratores.

A Lusa contactou a Câmara de Lisboa, de maioria socialista, por várias vezes nas últimas semanas, mas não conseguiu obter qualquer esclarecimento.

A limpeza e a recolha de lixo nas ruas da cidade de Lisboa tem gerado críticas já há algum tempo. “Há montes e montes de lixo, quase dá pelos pés”, lamentava Senhorinha Andrade, de 80 anos, que vive no Bairro Alto há 50 anos.

“[Os turistas e os funcionários dos restaurantes] têm ali os caixotes, mas não vão pôr lá o lixo”, queixa-se a mulher, frisando que o colocam “à porta, é aqui ou acolá”, lamentou.

ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. … “a varredura e a lavagem das ruas têm sido insuficientes devido à falta de recursos humanos”… Na freguesia de Campo de Ourique, o ano passado e durante os 8 meses já decorridos deste ano, NÃO FOI efectuada qualquer lavagem de rua. Aliás, ouve sim senhor, mas a cargo do São Pedro que nos ofereceu umas molhadelas jeitosas. Será que durante 20 meses consecutivos a falta de meios humanos é constante?

  2. Ainda em Campo de Ourique e nas ruas principais – sobretudo naquela onde reside o presidente -, embora sem lavagem, não há lixo no chão (mas tão somente nos caixotes de lixo públicos) e o estacionamento é ordenado. Nas restantes há de tudo: lixo, dejetos de cão, caixotes públicos a abarrotar, carros sobre os passeios sem respeitar a distância regulamentar para passagem – principalmente a invisuais, pessoas idosas com dificuldades, crianças e inválidos, que têm que se deslocar pela faixa de rodagem…
    Enfim, trata-se de um presidente muito atarefado com as festanças e sem tempo para servir a população – razão de ser da sua investidura.
    Será que temos de esperar, mais uma vez, pelo ano das próximas eleições?

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