Longas filas para votar em segurança. Candidatos a Belém apelam ao voto

Mário Cruz / Lusa

Eleitores esperam para exercer o seu direito de voto para as eleições presidenciais de 2021

As mesas de voto para as eleições presidenciais abriram hoje às 08h00, e as longas filas são uma realidade em todo o país. Todos os candidatos já votaram.

De acordo com o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), João Tiago Machado, as mesas de voto abriram em todo o país sem problemas de maior e sem qualquer caso reportado de boicote.

As principais queixas prenderam-se com “reclamações de pessoas em filas, à espera da descarga dos votos antecipados”, estando já a situação normalizada.

O porta-voz admite que já seria expectável, devido às medidas de segurança que têm de ser acauteladas para conter a propagação do novo coronavírus, e considera o fenómeno até “salutar”, porque pode significar que “a abstenção não será tão grande” quanto se estava à espera.

Tirando esta circunstância, registaram-se apenas “três sítios em que houve contingências de abertura de portas”, mas que foram fácil e rapidamente resolvidas.

No entanto, reconhece também que poderá ter a ver com a própria organização feitas pelas autarquias, já que em alguns locais a votação está a decorrer sem filas.

O tempo de espera nestes casos variou consoante a quantidade de votos antecipados recebidos em cada freguesia, explicou João Tiago Machado, especificando que houve locais que tiveram “zero votos antecipados” para descarregar, mas houve outros que tiveram muitos, como Cascais, que terá tido mais de cinco mil votos.

Candidatos a Belém votam

A candidata Marisa Matias votou no pavilhão Mário Mexia, em Coimbra. A candidata às presidenciais apoiada pelo Bloco de Esquerda afirma que durante os 40 minutos em que esteve na fila viu “muita afluência e muita organização”.

A eurodeputada apelou a todos os portugueses para que se dirijam às urnas. “Votar é seguro”, garantiu uma das sete candidatas às presidenciais.

Também Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, exerceu o seu direito de voto às 11h30 na Junta de Freguesia de Rans, no concelho de Penafiel.

“O povo vai sair à rua”, garantiu o candidato aos jornalistas, apesar dos números elevados referentes à pandemia de covid-19. “Fiz uma campanha segura, a pensar nos outros, contente por ter exercido o direito de voto. O povo todo, os jovens, os idosos, perceberam que o voto conta. Há quem ande à boleia da democracia”, começou por dizer, admitindo, porém, que teve algum receio de que as pessoas não saíssem à rua para votar.

Vitorino Silva quis ainda agradecer a quem o apoiou durante a campanha presidencial. “Esta eleição passou muito rápido. Passados cinco anos estou mais calmo. Agradeço à minha filha, que me ajudou a ser diferente. Já não é o Tino, é o Vitorino. Foi a comunicação social que criou o Tino”, concluiu, acrescentando que vai passar o dia em casa.

Tiago Mayan Gonçalves votou durante a manhã na Universidade Católica do Porto. “Apesar das filas, tudo é fluído”, afirmou o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, sublinhando que “votar é seguro”.

“Sinto-me feliz por ter exercido o direito de voto. Quero dizer às pessoas que se sintam confiantes em vir votar. É um dia importante. Façam as escolhas importantes. Não se assustem, as coisas estão a funcionar bem”, reiterou

Mayan Gonçalves aproveitou ainda para agradecer aos milhares de voluntários que contribuem para que o processo eleitoral ocorra de forma segura e tranquila.

O candidato comunista João Ferreira aproveitou a manhã de domingo para votar no Lumiar, em Lisboa e referiu que “na generalidade das mesas, a coisa está a correr com uma grande tranquilidade e sentimento de segurança”. “Espero que isso proporcione uma participação ampla de todos aqueles que o possam fazer”, afirmou.

 “Sabemos, infelizmente, que neste momento há muita gente que não vai poder votar, porque está doente na sua casa ou em isolamento profilático, mas seria importante que todos os outros que o possam fazer o façam”, apelou.
“É devida uma palavra de agradecimento aos milhares de trabalhadores e voluntários que estão a assegurar essa votação, também eles em condições diferentes do habitual, têm um papel fundamental para que tudo corra bem”, sublinhou.

O candidato presidencial e líder do Chega disse ao início da tarde deste domingo que “votar nunca foi um ato tão importante, eventualmente, como é hoje porque o nosso futuro está em causa”. Depois de votar na Escola Básica do Parque das Nações, André Ventura acrescentou que “quando o nosso futuro está em causa, a arma que temos de usar é o voto, independentemente de em quem, independentemente de em que projeto”.

O candidato acredita que “a abstenção não vai favorecer nenhum candidato” e “certamente não vai favorecer os que nas intenções de voto poderão estar mais acima”, disse ainda.

O apelo à participação é “o dever de todos os políticos”, enquanto o dos cidadãos é o de “participarem para que tenham uma palavra a dizer sobre o futuro”. Por isso, deixou o apelo: “É importante para todos e para a democracia que hoje se vote. Estamos a viver tempos de uma pandemia nunca vista”.

O Presidente da República e recandidato ao cargo, Marcelo Rebelo de Sousa, votou em Celorico de Basto, onde saudou o facto de as presidenciais estarem a decorrer cumprindo as regras sanitárias exigidas pela pandemia.

“Não choveu, o que é uma boa notícia para os portugueses poderem votar. Sei que está a decorrer muito bem por todo o país o voto, com distanciamento, com respeito das regras sanitárias, com paciência das pessoas onde há filas”, afirmou, em declarações as jornalistas.

Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que “as pessoas podem escolher várias horas daqui até ao encerramento das urnas” para votar, “sem nenhum problema e sem a preocupação de poder resultar aquele afluxo inesperado há uma semana”.

Por fim, a candidata presidencial Ana Gomes também votou na Escola Secundária de Cascais. A socialista demorou cerca de 30 minutos até conseguir votar. “Ter esperado um bocadinho é sinal que de facto há uma afluência”, afirmou.

“É muito importante a participação de todos. O voto é um direito, mas é também um dever cívico”, apelou Ana Gomes. “É importante que tantos cidadãos se tenham mobilizado para votar, não obstante às circunstâncias”, reconhece a candidata.

Ana Gomes diz que o “exercício do voto está a ser seguro, as pessoas estão a respeitar as distâncias de segurança e os funcionários da mesa também têm garantido que tudo corre perfeitamente”.

“Estas eleições são importantes para o reforço da democracia”, sublinhou a candidata. “Quanto mais cidadãos vierem votar, mais reforçada ela sai”, conclui.

“Honra de poder votar”

O primeiro-ministro, António Costa, apelou hoje ao voto, apesar de “demorar um bocadinho mais” por causa da pandemia, e agradeceu às pessoas que “estão a sacrificar o seu domingo” para assegurar o funcionamento do ato eleitoral.

“Queria agradecer, muito em particular, aos milhares de pessoas que estão a sacrificar o seu domingo para estarem nas mesas de voto, para assegurarem o normal funcionamento deste ato eleitoral”, disse António Costa, pouco depois de votar para as eleições presidenciais, nas Escola Básica Jorge Barradas, em Benfica, concelho de Lisboa.

O chefe do Governo recordou que “hoje demora um bocadinho mais tempo a votar”, no entanto, é apenas de cinco em cinco anos – no caso das eleições para a Presidência da República – que os cidadãos têm a “honra de poder votar para escolher quem é a pessoa que será a Presidente ou o Presidente dos portugueses”.

Rui Rio, líder do PSD, também foi votar e exerceu o seu direito na freguesia de Massarelos, na Escola do Bom Sucesso. ”Acordámos todos, pelo menos no Porto, com uma condição atmosférica, um tempo, que dá para as pessoas virem votar o que é absolutamente fundamental”, disse, apelando a que os portugueses se dirijam às urnas. “Aqui está tudo excecionalmente bem organizado”, acrescentou, frisando que o problema seria se estivesse a chover”.

Dizendo perceber que as pessoas tenham “receio” de ir votar em plena pandemia, Rui Rio afirmou que se vota com conforto e que “as pessoas não têm desculpas” para não irem às urnas. “Não é por haver eleições que se vai multiplicar o vírus”.

Ana Moura, ZAP // Lusa

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