A Arábia Saudita e os outros países árabes, que cortaram relações com Doha no início de junho, apresentaram uma lista de exigências para pôr fim à crise.
Numa lista de 13 pontos – apresentada ao Qatar pelo Kuwait, país que está a ajudar a mediar a crise – os países exigiram o encerramento da televisão Al-Jazeera, de uma base militar da Turquia no Qatar e uma redução das ligações diplomáticas com o Irão, de acordo com a Associated Press (AP), que obteve uma cópia da lista, em árabe, de um dos países envolvidos no conflito.
Os quatro países exigiram ainda que Doha corte quaisquer contactos com a Irmandade Muçulmana e outros grupos fundamentalistas islâmicos como o xiita Hezbollah, a Al-Qaeda e o Estado Islâmico.
A 5 de junho, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos e Bahrein cortaram relações diplomáticas com o Qatar, que acusaram de apoio ao terrorismo, na mais grave crise regional desde a guerra do Golfo de 1991.
Os quatro países árabes deram dez dias ao Qatar para cumprir as exigências apresentadas, incluindo uma soma não especificada em compensações.
De acordo com a lista, Doha deve recusar a naturalização de cidadãos daqueles quatro países e expulsar os que se encontram atualmente no Qatar. A medida foi descrita como um esforço para impedir Doha de interferir nos assuntos internos daqueles países.
O Qatar deve ainda entregar todos os indivíduos procurados por terrorismo pelos quatro países, cortar o financiamento de qualquer movimento extremista designado como grupo terrorista pelos EUA e fornecer informações pormenorizadas sobre membros da oposição financiados por Doha, nomeadamente na Arábia Saudita.
O governo do Qatar ainda não reagiu à lista de exigências. Se o Qatar concordar, o documento estabelece inspeções mensais no primeiro ano e por trimestre no segundo ano. Nos dez anos seguintes, o Qatar será monitorizado anualmente.
O corte de relações provocou um grande condicionamento no tráfego aéreo destes países, com várias companhias a cancelarem os voos e, no Qatar, gerou-se uma grande corrida aos supermercados, uma vez que o país ainda depende muito de importações.
Recorde-se que o Qatar vai acolher o Mundial de Futebol de 2022, decisão marcada por diversas polémicas relacionadas com suspeitas de corrupção na atribuição da organização ao país.
ZAP // Lusa