Tanto falhou Abril, falta quase tudo a Portugal

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Manuel de Almeida / Lusa

André Ventura (ao centro), deputado do CHEGA, discursa sob o olhar de Marcelo Rebelo de Sousa e Augusto Santos Silva

Na sessão solene comemorativa dos 48 anos da Revolução dos Cravos, o Bloco de Esquerda considerou que falta ainda “quase tudo” a Portugal”, o Chega apontou o que “tanto falhou a Abril”, o PAN diz que Abril ainda não tem rosto de mulher. O Livre enalteceu o Ensino Público como conquista da revolução.

A Iniciativa Liberal, por seu turno, considera que “falta a Portugal o inconformismo de Abril para romper a estagnação”.

Já o PCP insurgiu-se contra a “imposição do pensamento único” e a “hostilização de quem livremente emite uma opinião divergente”, numa alusão clara às reações à posição do partido sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Difícil de conquistar, mas fácil de perder

A Iniciativa Liberal defendeu hoje que “falta a Portugal o inconformismo de Abril para romper a estagnação” e usou a guerra na Ucrânia para evidenciar que “a democracia é difícil de conquistar mas fácil de perder”.

“Falta a Portugal o inconformismo de Abril para romper a estagnação. Abril confiou-nos esta difícil missão: a de continuar a querer saber – da política, de Portugal, da Europa e do Mundo. A de continuar a querer saber do futuro”, disse o deputado da IL Bernardo Blanco.

“Como Abril nos demonstrou e a Guerra na Ucrânia nos confirma, a democracia é difícil de conquistar, mas fácil de perder”, vincou. Para o jovem liberal, o 25 de Abril foi o “dia despertador”.

Manuel de Almeida / Lusa

Bernardo Blanco, deputado da Iniciativa Liberal

“O 25 de Abril, um legado maior que todos nós cujo único dono é o povo português, é o dia despertador. É o espírito que nos acorda do longo sono de ontem em busca de um melhor amanhã. Portugueses, vamos voltar a querer saber, vamos com o inconformismo de Abril romper a estagnação”, declarou.

Falta ainda “quase tudo” a Portugal

O Bloco de Esquerda defendeu que a revolução do 25 de Abril “não é um património a ser velado com zelo, mas um legado para iluminar as contradições do presente”, considerando que em 2022 falta ainda “quase tudo” a Portugal.

José Soeiro fez um discurso marcado pela defesa dos direitos dos portugueses, alegando que os bloquistas não olham para a “democracia como um protocolo sem conteúdo de igualdade”.

Quase cinco décadas depois da Revolução dos Cravos, o resumo de José Soeiro surge numa linha: “estamos em 2022 e nós não estamos satisfeitos”.

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José Soeiro, deputado do Bloco de Esquerda, discursa na sessão 48 anos do 25 de Abril

“Nós celebramos termos agora mais tempo de democracia do que de ditadura. Fazemos a festa na rua. Mas nós não queremos ter só mais tempo de democracia, nós queremos ter mais democracia”, afirmou, considerando que a Portugal falta “ainda quase tudo”.

Hostilização de opiniões e tentativas de censura

O PCP insurgiu-se hoje contra a “imposição do pensamento único” e a “hostilização de quem livremente emite uma opinião divergente”, rejeitando o que considera serem “tentativas de intimidação” do partido com a finalidade de silenciar a sua intervenção.

“A tentativa de imposição do pensamento único, o levantamento de novas censuras, a hostilização de quem livremente emite uma opinião divergente daquela que é ditada pela ideologia dominante são perigosos elementos de ataque ao regime democrático”, disse a líder parlamentar comunista, Paula Santos, no seu discurso.

Que, diz a deputada, “têm como alvo os seus mais firmes defensores, os comunistas e outros democratas, visando silenciar a sua intervenção”.

Paula Santos, deputada do Partido Comunista Português, na sessão comemorativa dos 48 anos do 25 de Abril

Tanto falhou Abril

O presidente do Chega, André Ventura, considerou hoje que “tanto falhou Abril” e pediu ao Presidente da República para não condecorar “aqueles que torturaram, mataram e expropriaram”.

“Hoje devíamos olhar para os portugueses e dizer desculpem porque falhámos. Falhámos na justiça que construímos, falhámos no império que se dissolveu e que deixou outros países à sua mercê e famílias à sua sorte”, sustentou André Ventura.

“Falhámos nos jovens que querem emigrar como nunca no país que lhes tinha prometido ser o país da prosperidade, falhámos aos pensionistas e reformados que têm o pior poder de compra da União Europeia”, acrescentou.

E defendeu que “tanto falhou Abril“.

André Ventura dirigiu-se ao Presidente da República, a quem pediu que “não condecore aqueles que torturaram, mataram e expropriaram em Portugal”,

Segundo o líder do Chega, “quem cometeu atos terroristas, quem patrocinou e promoveu nacionalizações e expropriações não pode ser um herói, tem de ser considerado aquilo que é, um bandido“.

“E nós devemos tratar os bandidos como bandidos, que é isso que são”, criticou o deputado do Chega.

Ensino público como conquista da revolução

O deputado único do Livre, Rui Tavares, enalteceu hoje o acesso ao ensino público para todos como uma das maiores conquistas do 25 de Abril de 1974, um dia que “valeu por séculos”.

“A democracia que construímos com o 25 de Abril, representou finalmente uma possibilidade de acesso ao ensino para todos numa escala e de uma forma que nunca tinha existido na história de quase 900 anos deste país”, vincou.

Manuel de Almeida / Lusa

Rui Tavares, deputado do partido Livre, discursa na sessão solene dos 48 do 25 de Abril

Tavares evocou o exemplo de “milhões de portugueses” que viveram toda uma vida em ditadura. “Não é por acaso que logo que lhes foi possível, a primeira coisa que milhões de pais e mães do nosso país fizeram foi pôr os filhos e as filhas a estudar até onde eles e elas quisessem.

“Ainda hoje façam a experiência, agora que eles já são avós e avôs e até bisavós, perguntem-lhes o que lhes dá mais orgulho e ouvirão: a neta que acabou o mestrado e quer fazer o doutoramento, o neto que esta a fazer Erasmus”, disse.

Para o deputado único do Livre, “nada é tão importante quanto aprofundar a democracia”, “debater e escolher um novo modelo de desenvolvimento” para o país e “levá-lo a cabo. É isso que devemos ao 25 de abril, agora chegou o momento de dar de volta”, rematou.

Tornar a emancipação feminina “uma realidade”

A deputada única do PAN defendeu no seu discurso que é preciso tornar efetiva a emancipação das mulheres, salientando que “Abril ainda não tem rosto de mulher“.

“É preciso lutar pelo fim do sexismo e transformar a emancipação feminina em realidade. Só assim a manhã de Abril poderá acordar em plena igualdade e liberdade”, defendeu Inês Sousa Real.

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Manuel de Almeida / Lusa

Inês Sousa Real, deputada do PAN, discursa na sessão solene comemorativa dos 48 anos da Revolução

A porta-voz do PAN salientou que a “desigualdade de género persiste”, apesar “de todos os avanços e conquistas que foram trazidos pela revolução e que romperam como uma ditadura”.

E justificou que “Abril ainda não tem rosto de mulher quando a cada dia mais de 50 mulheres são vítimas de violência doméstica“, quando Portugal tem “um sistema e uma justiça, marcados por um machismo tóxico, que desculpabiliza sistematicamente o agressor”.

“Abril ainda não tem rosto de mulher quando os crimes sexuais não têm um prazo de prescrição capaz de respeitar as emoções e o tempo da vítima ou quando a sua consequência são apenas multas ou penas suspensas“, criticou.

  ZAP // Lusa

5 Comments

  1. 26 de Abril, até hoje, dias de desilusão!!! A revolta dos ladrões, deixou Portugal, com uma mão atrás e outra à frente…

  2. Essa do PCP contra a “imposição do pensamento único” dá para rir! Como se não seja essa uma regra imposta pelo comunismo? Temos que passar a um 26 de Abrir que isto já começa a ser divertido de mais para levarmos a sério! Isto de democracia com ditaduras à mistura, chama-se normalmente salada russa!

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