Sob o nariz dos militares norte-coreanos, ex-ginasta salta muro de 3 metros e foge para a Coreia do Sul

simonhn / Flickr

Um homem norte-coreano que queria escapar da sua terra natal deu um salto de quase três metros num muro no início deste mês. O salto, que ocorreu sob os narizes dos soldados, trouxe-o para a segurança na Coreia do Sul, onde disse às tropas que queria desertar.

O homem anónimo, que é descrito como tendo quase 20 anos, cruzou para a Coreia do Sul através da Zona Desmilitarizada (DMZ) por volta das 19h de 3 de novembro, evitando a captura durante 14 horas. Foi encontrado por soldados sul-coreanos por volta das 10h do dia seguinte, a menos de um quilómetro da fronteira, de acordo com o The Korean Herald.

Autoridades sul-coreanas questionaram a história do homem, bem como os seus motivos para cruzar a fronteira. Para provar que era capaz de saltar o muro, as autoridades fizeram-no saltar duas vezes na presença deles.

O homem ainda está a ser investigado por autoridades sul-coreanas.

Se a história do homem for precisa, é ainda mais notável porque conseguiu evitar a deteção pelas tropas norte-coreanas, evitou as minas terrestres que se espalham pela DMZ e não acionou sensores nos muros ao redor.

As autoridades acreditam que o seu peso leve e experiência em ginástica dão credibilidade à sua história e provavelmente ajudaram na sua fuga.

Os militares disseram que os muros que o homem cruzou pareciam pressionadas, mas não tinham evidências de terem sido cortadas ou modificadas de outra forma.

A fuga do homem gerou críticas aos sistemas militares e de segurança da Coreia do Sul em torno da DMZ e ao tempo que demorou para que as tropas o localizassem. “Verificaremos por que os sensores não tocaram e nos certificaremos de que operam adequadamente”, disse um oficial do Estado-Maior Conjunto da Coreia.

Seul já tinha prometido anteriormente fortalecer a vigilância ao longo da fronteira com o seu vizinho comunista após outras violações de segurança. Em junho de 2019, um barco que transportava quatro norte-coreanos chegou à cidade de Samcheok, na Coreia do Sul, sem ser detetado.

A última deserção norte-coreana conhecida ocorreu em agosto de 2019, quando um soldado cruzou a DMZ. Uma fuga dramática de outro soldado norte-coreano ganhou as manchetes em todo o mundo em 2017, quando conduziu um camião do exército pela fronteira e pelo meio de tiros dos seus colegas soldados.

O Ministério da Unificação da Coreia do Sul disse que um total de 33.523 desertores norte-coreanos entraram na Coreia do Sul desde 1948, que foi o início da divisão oficial entre os dois países.

O Norte e o Sul concordaram em cessar as hostilidades da Guerra da Coreia em 1953, mas permaneceram mutuamente hostis. As relações pioraram desde o colapso das negociações de desnuclearização entre Pyongyang e Washington no ano passado.

Em setembro, tropas norte-coreanas balearam e mataram um oficial de pesca sul-coreano que, por engano, mergulhou nas águas territoriais do Norte. Os norte-coreanos culparam Seul, dizendo que o assassinato foi devido ao “controle impróprio” de um cidadão.

ZAP //

 

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38 COMENTÁRIOS

  1. É sempre a mesma coisa! Fogem sempre da Coreia do Norte para a do Sul e nunca o contrário! Já nas Alemanhas era a mesma coisa, fugiam sempre da do leste para a ocidental! Que mania!

  2. Ainda esta semana vi um documentário sul-coreano que falava das deserções da Coreia do Norte e no chamado mito do “sonho” sul-coreano. Muitos dos norte-coreanos entrevistados eram sem-abrigo em Seul e outros viviam em condições económicas miseráveis. Além do mais, a maioria sentima-se discriminados pela população local por falarem o dialecto do “Norte” e queixavam-se da falta de ajuda do estado sul-coreano na sua fase de adaptação. Alguns admitiam que apesar da falta de liberdade e da enorme repressão, tinham vivido com melhores condições económicas no norte e que só não voltavam porque seriam imediatamente abatidos pelo exército norte-coreano.

    • É, os comunistas são iguais em todo o lado, quando chegam a um país capitalista querem logo viver de apoios e subsídios, veja lá se eles se queixaram da falta de emprego? Nem o quiseram procurar.

  3. Atão, porque é que os democratas portugueses do BE e do PCP não vão para lá, ou que nos expliquem a sua concepção de democracia

    • Onde é que o BE se encaixa nesse regime?? A Coreia do Norte é um regime comunista ditador! O bloco de esquerda está situado entre o extremo comunista e o regime mais central do PS. Vá descarscar bananas! Política não é bem para si! Ahah

  4. Pois é, pessoal. Por acaso, sempre achei ‘curioso’ que as fugas são sempre do lado comunista, para o outro lado. Porque será?…

  5. Mas porque motivo nunca ninguém salta para dentro destes regimes comunistas tão belos?! É vê-los a fugir da URSS, de Cuba, da Venezuela, da Coreia do Norte…

      • Ah ah ah! “O Salto” à vara falou nos nos tempos da defunta, onde se construíam muros para manter a população presa do mundo livre! Mas mante-se actual para tudo o resto. Aonde um regime comunista foi exemplo de vida para o quer que fosse? Então fizeram dúzias de tentativas para o impor e em seu nome, como nenhuma resultou, vêm agora com a desculpa infantil que nunca houve comunismo! Só para rir, se não fosse tão sério mataram centenas de milhões para submeter a essa utopia para oligofrénicos. Tristes capachos.

      • Desde a URSS até aos tempos atuais (Venezuela, Coreia do Norte) é sempre a vê-los a fugir. Não conheço nenhuma história de um qualquer cromo que tenha saltado para o outro lado. Mas seguramente o Eu! conhecerá.
        Depois confesso que acho piada aos que tentam aqui chamar outros nomes aos regimes comunistas. Bem se vê que nem nunca leram nada acerca do comunismo nem das suas fases de implementação. Desconhecem o que comentam. O típico Eu!

  6. ZAP:
    “sob o nariz” è tradução literal da expressão inglesa.
    Penso que em português teria sido melhor dizer “nas barbas”, que nos é mais congenial.

    • Se me dá licença, não concordo. Embora sejam mais usadas as expressões “debaixo do nariz” e “mesmo à frente do nariz”, “sob o nariz” é sinónimo da primeira. Claro que “nas barbas” também estaria correto mas tudo isto pode apenas ter a ver com a região onde vivemos ou crescemos.

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