Ex-diretor de risco do BES defende que departamento “não tem que impor travões” (mas tem de reportar)

Manuel de Almeida / Lusa

Na audição na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução, o antigo diretor de risco do Banco Espírito Santo (BES) Carlos Calvário disse que este departamento “não tem que impor travões” ao crédito, mas sim reportá-los à administração.

“O diretor do departamento de risco global não tem que impor travões”, mas sim “que os reportar, que os indicar, mas não tem direito de veto”, respondeu Carlos Calvário ao deputado socialista Miguel Matos.

Carlos Calvário disse que era a sua função, “efetivamente, reportá-los, indicá-los”, acrescentando que “certamente” terá “expressado, provavelmente, nalgum sítio” as suas preocupações.

“O departamento de risco global podia e devia emitir ratings e pareceres sobre as operações que lhe eram colocadas, e sobre essas emitia a sua opinião sem ser alguma vez pressionado ou limitado nas suas funções”, disse. No entanto, “a decisão de concessão de créditos pertencia ao comité financeiro e de crédito, à comissão executiva e ao conselho de administração“, disse.

O antigo responsável do BES adiantou ainda “havia um comité de riscos mensal em que todas essas questões eram analisadas”, em sessões “muito abertas” com “30 ou 40 pessoas presentes”.

Questionado pelo deputado socialista se alguma vez comunicou aos seus superiores José Maria Ricciardi ou Ricardo Salgado o “excesso de riscos ou atribuições de crédito ‘à Lagardère’”, Carlos Calvário remeteu para os registos oficiais.

“Se constavam dos mapas dos grandes riscos, se eram reportados pelo Banco de Portugal, se eram analisados no comité de risco, se todas as operações a partir de certo montante ou com ausência de rating eram aprovadas em conselho financeiro de crédito com a presença da administração ou ratificadas em comissão executiva”, com todos os membros, mensalmente, “eu creio que a resposta estará dada”, referiu Carlos Calvário, afirmando a comunicação dos riscos.

Anteriormente, o deputado da Iniciativa Liberal João Cotrim Figueiredo já tinha questionado se tinha sido evidente que havia “ativos que não estavam contabilizados” na relação do banco com a Espírito Santo International (ESI).

“Surgiu eventualmente a possibilidade que, para além da dívida, efetivamente não reconhecida, que pudesse haver outros ativos não reconhecidos”, admitiu, tendo tido conhecimento disso e comunicado a discrepância na identificação de dívida à sua administração, bem como ao Banco de Portugal (BdP) e aos auditores PwC e KPMG.

O colapso do BES levou à criação do Novo Banco como banco de transição. Desde a sua criação, o Novo Banco já recebeu mais de seis mil milhões de euros em empréstimos dos contribuintes. O banco foi vendido à Lone Star em outubro de 2017 e tem um acordo que prevê injeções de capital anuais por parte do Fundo de Resolução, com recurso a empréstimos do Estado, para cobrir eventuais perdas com ativos herdados do BES.

ZAP // Lusa

 

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