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Eva foi assassinada em Auschwitz. As suas histórias foram recriadas no Instagram

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Eva Heyman, uma rapariga judia húngara, tinha 13 anos quando foi enviada para Auschwitz em 1944. Um empresário israelita, Matti Kochavi, e a sua filha, Maya, decidiram recriar a sua história através de um conjunto de instastories.

Eva Heyman nasceu em 1931 e morreu em outubro de 1944. Era a filha única de um casal judeu húngaro cosmopolita. Cresceu numa cidade na fronteira entre a Roménia e a Hungria, onde quase um quinto da população era judia.

Eva era ainda pequena quando os pais, Agi e Bela, se divorciaram e a menina foi morar com os avós. Depois do divórcio, Eva viu pouco a mãe, que se casou novamente e se mudou para Budapeste. Também raramente via o pai, que morava do outro lado da cidade.

Ao todo, são 70 instastories que contam a história de Eva Heyman entre fevereiro de 1944 e a primavera desse ano, quando os tanques alemães chegaram à Hungria. “Os nazis conquistaram a maior parte da Europa e fazem coisas terríveis a nós, judeus, mas ainda não chegaram aqui…”, começa por dizer Eva no primeiro vídeo publicado.

A história foi recriada por atores e figurantes que utilizam roupa da época e baseou-se no diário que a própria jovem escreveu. Eva era uma jovem despreocupada e com uma vida típica da adolescência, mas os vídeos vão mostrando os momentos em que ela e a família acabam por ser levados para Auschwitz num camião de gado, em junho de 1944.

Em outubro desse ano, Eva foi morta numa câmara de gás. No seu diário, há uma última entrada a 30 de maio de 1944: “Querido diário: não quero morrer, quero viver, ainda que seja a única pessoa a ficar aqui. Não posso escrever mais, querido diário, correm-me as lágrimas.” Três dias depois, Eva foi deportada para Auschwitz e morreu quatro meses depois, com 13 anos.

A conta do Instagram foi lançada na quarta-feira, altura em que se assinalou o Dia da Memória do Holocausto, e já conta com mais de um milhão de seguidores.

“A memória do Holocausto fora de Israel está a desaparecer”, referiu Kochavi numa entrevista, citado pelo The New York Times. “Pensamos em fazer algo mesmo disruptivo. Encontramos o diário e dissemos: Vamos assumir que em vez de uma caneta e papel a Eva tinha um smartphone e documentou o que estava a acontecer. Por isso levamos um smartphone para 1944″, acrescentou o empresário.

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Eva.Stories Official Trailer

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Aopinião sobre a forma de contar a história de Eva não é unânime. Em Israel, o projeto foi alvo de algumas críticas pelo uso da chamada “cultura selfie” e da sua linguagem visual para tentar transmitir os horrores do Holocausto, onde seis milhões de judeus foram assassinados, e acusado de estar a banalizar o Holocausto.

Por outro lado, há também quem dê valor ao projeto, sublinhando que se trata de uma forma inovadora de aproveitar uma das ferramentas sociais mais atuais para chamar à atenção dos mais jovens.

Também o primeiro-ministro de Israel já falou sobre o projeto no início desta semana. Benjamin Netanyahu defendeu que a recriação das vivências de Eva Heyman permite que as novas gerações saibam mais sobre o genocídio nazi e para que “o mundo se lembre e entenda”.

Ao todo, a produção contou com mais de 400 pessoas, durou três semanas para ser filmada e teve um custo de quatro milhões e meio de euros. O Yad Vashem, o Centro de Memória do Holocausto em Jerusalém sublinhou que as redes sociais podem ser uma ferramenta eficaz para lembrar o Holocausto.

  ZAP //

6 Comments

  1. Os nazistas massacraram inocentes judeus,hoje os judeus fazem (quase)igual com os palestinos…o problema não é de etnias e sim,do ser humano…

    • Sim, os palestinos são uns amores, o Hamas é uma organização voltada aos direitos humanos, Israel é que é a malvada da região

  2. Os judeus fazem para se defenderem. Eles não puderam se defender no passado e não tiveram ninguém para o fazer. Os palestinos estão sempre a lançarem foguetes para zonas residenciais israelitas e os foguetes palestinos são interceptados e destruídos no ar (ainda bem). Israel quer paz mas Palestina quer que Israel desapareça como estado e os judeus instintos como povo. O que teria acontecido com os judeus se a Mossad, inteligência de Israel, não tivesse destruido o grupo terrorista “Setembro Negro” e seus mentores? Este grupo era terrível! Sequestrada aviões com judeus, sequestrou e matou atletas judeus em plenos Jogos Olímpicos em Munique na Alemanha.

  3. Com certeza a memória dos crimes nazistas está a sumir no ocidente. Quem sabe se a comunidade judaica deixasse de apoiar e votar em nazistas como bolsonaro as coisas mudassem….

    • Júlio Ramalho Vida longa ao Presidente eleito por 60 milhões de brasileiros que realmente amam sua Pátria.
      Brasil Acima de tudo, Deus Acima de todos, sob a Luz do Cristo Consolador…
      ❤❤

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