ETA atuou a partir de Portugal para tentar atentados em Espanha

O livro ‘Uma História da ETA: Nação e Violência em Espanha e Portugal’, da autoria de Diogo Noivo, revela detalhes desconhecidos sobre a atuação da ETA, considerada uma organização terrorista pelos Governos de vários países.

Num documento interno da ETA, intitulado ‘Autocrítica’, é detalhada a preparação e execução de dois atentados. Um deles é descrito como ‘Experiência 1’ e ocorreu em Fuengirola (Málaga). O outro teve lugar em Santa Pola (Alicante) e foi denominado de ‘Experiência 2’. “As chamadas de reivindicação [dos dois ataques] fizemo-las a partir de Lisboa”, pode ler-se no documento citado pelo Expresso.

O atentado em Fuengirola aconteceu em junho de 2002, com recurso a dois carros-bomba, durante a Cimeira Europeia em Sevilha, resultando em vários feridos. Dois meses depois, a ETA voltava a atacar, novamente com um carro-bomba, matando um adulto e uma criança.

Depois dos ataques, “ao invés do habitual, a base de abrigo não foi França”, com os terroristas a procurarem refúgio em Portugal, escreve o autor do livro.

Nos anos seguintes, a importância de Portugal na geoestratégia da ETA foi crescendo, denota o Expresso. Cada vez mais, as fileiras etarras atuavam a partir de Portugal, onde estavam mais resguardados do controlo apertado dos bascos.

O ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, e o diretor-geral do Cuerpo Nacional de Policía e da Guardia Civil, Joan Mesquida, chegaram mesmo a dizer que suspeitavam que a ETA dispunha de algum tipo de infraestrutura logística ou operacional em Portugal.

Com a desarticulação do comando Askatasun Haieza, o cabecilha do grupo admitiu ter estado em Portugal numa missão de reconhecimento. “Este comando realizou um estudo sobre possíveis infraestruturas de apoio em Portugal. Tinham como objetivo último estabelecer uma base permanente em território português”, escreve Diogo Noivo.

Em 2010, a GNR informou a PJ que tinha encontrado entre 1300 a 1500 quilos de explosivos numa vivenda em Casal da Avarela, Óbidos. “A existência de uma base da ETA em Portugal era agora inegável”, lê-se no livro, citado pelo Expresso. Os explosivos fabricados em Óbidos foram planeados para serem usados num atentado terrorista às Torres Kio, em Madrid.

“Em 2002, quando a organização começa a sentir o impacto da nova abordagem de contraterrorismo, o território português foi usado como ponto de recuo; a partir de 2007, quando a ação policial era já profundamente debilitante e a ETA precisava de regressar aos atentados na sequência do fim na trégua que decretara, Portugal torna-se base para o fabrico de explosivos”, explica o autor.

ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Estranho, no email se se clicar no link “CR7, O Insaciável. Ronaldo chega aos 101 golos na seleção” vai dar a esta página de titulo: “ETA atuou a partir de Portugal para tentar atentados em Espanha”

    O Ronaldo tem alguma coisa a ver com a ETA?

    Espero o vosso esclarecimento.

    • Caro leitor,
      Obrigado pelo seu reparo.
      Confirmamos a anomalia que reporta, mas não nos foi possível apurar a sua causa.
      A notícia da ETA era inicialmente uma das escolhas da newsletter ZAP desta quarta-feira, no espaço onde acabou por ir a quarentena de 10 dias, mas nunca esteve na posição onde seguiu a notícia do Ronaldo.
      Estamos a averiguar o incidente.

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