Estalou o verniz entre a UEFA e a FIFA. Órgão Europeu critica Mundial a cada dois anos e admite boicote

Steffen Prößdorf / Wikimedia

Aleksander Ceferin, presidente da UEFA

A UEFA aponta vários riscos associados ao aumento da frequência do Mundial, como a perda de importância dos torneios femininos e juvenis, o impacto no calendário das outras competições e os efeitos na saúde dos jogadores.

É uma mudança proposta pela FIFA, mas não agrada à UEFA. A ideia seria passar a organizar um Mundial de futebol a cada dois anos em vez dos quatro actuais e tem sido bastante defendida por Arsène Wenger, antigo treinador do Arsenal e actual Chefe do Desenvolvimento Global do Futebol na FIFA, que acredita que vai avançar.

Num comunicado emitido na quarta-feira, a UEFA aponta os “perigos reais” do projecto e afirma que a “viabilidade” mexe com muitas outras questões que ainda não foram explicadas.

“A UEFA está desiludida com a metodologia adoptada, que tem agora levado a que projectos de reformas radicais sejam comunicados e abertamente promovidos antes de serem debatidos com outros grupos de interesse em reuniões de consulta”, afirma.

O órgão regulador acrescenta que o aumento da frequência vai levar à “diminuição do valor do principal acontecimento futebolístico mundial, cuja celebração a cada quatro anos lhe confere uma mística com que cresceram gerações de adeptos” e alerta para a “erosão das oportunidades desportivas para selecções mais fracas”.

O impacto no futebol feminino também deve ser tido em conta, com a UEFA a pedir “espaços de exclusividade” para as provas femininas. A aposta nos torneios de futebol juvenis também não pode ser esquecida, refere a UEFA, já que apesar de pouco lucrativos, são importantes para o crescimento dos jogadores.

A FIFA está de momento a desenvolver um estudo para definir os detalhes da proposta, que a UEFA considera que “implica a duplicação dos torneios finais do Mundial a partir de 2028, assim como das fases finais dos torneios das confederações a partir de 2025″.

As mudanças no calendário, as fases de qualificação, o formato da competição, o impacto nas competições actuais de clubes e de selecções, os efeitos na saúde dos atletas, as questões comerciais e dos países organizadores e a sustentabilidade das deslocações dos adeptos são outros assuntos que a UEFA diz a que a FIFA ainda não deu respostas.

Agradecendo a “atenção reservada” ao Europeu, “com a proposta de dobrar a frequência do seu torneio final”, a UEFA realça que prefere “abordar um assunto tão sensível com um enfoque global e não especulativo”.

O regulador da Europa acrescenta também que pediu a 14 de Setembro uma reunião com a FIFA e com as 55 associações de membros europeus, mas que ainda não recebeu resposta.

O presidente da UEFA tinha já vincado a sua oposição à alteração no Mundial numa entrevista ao The Times, onde avisou que poderia boicotar o torneio.

“Podemos decidir não jogar nele. Tanto quanto sei, os Sul-Americanos estão do nosso lado. Por isso boa sorte a fazer um Mundial assim. Acho que nunca vai acontecer porque é contra os princípios básicos do futebol”, considerou.

Os órgãos que representam o futebol português, incluindo a Federação, a Liga, os sindicatos de jogadores e treinadores e a associação que representa os árbitros, também já emitiram um comunicado conjunto onde reprovam a ideia.

  Adriana Peixoto, ZAP //

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