Especialista defende que não se justifica a renovação do estado de emergência

Carlos Antunes, professor do departamento de Geografia da Faculdade de Ciências (FC) da Universidade de Lisboa, defende que, nas circunstâncias atuais, “não se justifica a renovação do estado de emergência com restrições”.

Atualmente, Portugal tem uma incidência de 72,1 casos por 100 mil habitantes e um R(t) de 0.98, uma situação confortável que, para Carlos Antunes, não justifica um novo estado de emergência com restrições

O especialista referiu, em declarações ao Diário de Notícias, que é a primeira vez, desde setembro de 2020, que os especialistas que habitualmente reúnem de duas em duas semanas no Infarmed, com o Presidente da República, Governo e políticos, não têm de reportar um retrato “preocupante” para sustentar a decisão que se aproxima.

Assim, o professor universitário acredita que, na próxima semana, Marcelo Rebelo de Sousa não terá de enviar à Assembleia da República um novo decreto-lei para o 16.º estado de emergência, “a não ser que, do ponto de vista legal, seja necessário manter” o mecanismo.

O especialista salienta, no entanto, que “há que manter algumas precauções”, até porque, até agora, o facto de as fronteiras estarem fechadas tem ajudado à contenção na entrada de novos casos e de novas variantes.

O impacto da última fase do desconfinamento, que arrancou no dia 19 de abril, ainda não é possível de traçar com rigor, mas Carlos Antunes sublinha que as projeções para as próximas semanas são animadoras.

“De acordo com as minhas estimativas, que são semelhantes às do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), com exceção da região Norte, todas as outras regiões do país vão manter um índice de transmissibilidade abaixo de 1, o que quer dizer que a incidência nestas regiões está a descer, ligeiramente, incluindo no Algarve, que já resolveu o problema de há uma semana e que está agora com uma taxa de incidência de 95 casos por 100 mil habitantes e com o R(t) abaixo de 1″, explicou.

“Portanto, as projeções para as próximas semanas indicam que a incidência no país se irá manter em níveis baixos, estabilizada“, acrescentou o especialista.

A região Norte está com o R(t) acima de 1 desde o dia 27 março, o que fez com a taxa de incidência subisse de um valor mínimo de 47 casos por 100 mil habitantes para os atuais 91.

“Há um concelho que sobressai na nossa avaliação, porque não foi considerado na lista dos concelhos com restrições e deveria. É o concelho de Resende, que, apesar de ter uma população reduzida, tem uma incidência que subiu abruptamente e já está acima dos 600 casos por 100 mil habitantes Desconfio que possam existir outros concelhos semelhantes a este e, por isso, as autoridades locais devem estar atentas”, afirmou Carlos Antunes.

Liliana Malainho Liliana Malainho, ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. A governança abre os restaurantes, as pastelarias, os cafés, as lojas, centros comerciais, espectáculos, etc. e depois a PSP/GNR “coima” as pessoas por “incumprimento do dever geral de recolhimento domiciliário”??? Alguém pode explicar como é?

    • Pois… Embora haja alguns iluminados que parecem saber o porquê, nenhum é capaz de explicar. “Mantenha-se em casa! Mas vá ao cinema, teatro, cabeleireiro, ao restaurante, ao museu, etc!” Não saia mas… saia! Não há ninguém que possa fazer algum sentido nisto. Como posso ir ao cinema se devo ficar em casa?
      Melhor! Como posso ser multado por não respeitar o dever de recolhimento se o governo incentiva que as pessoas saiam. E como a PSP/GNR consegue justificar tal coisa ao cidadão? E como é possível que o povo não fique confuso (mais que o que está)? E como podemos esperar que o povo cumpra com as regras se elas não fazem qualquer sentido? E, como é possível queos deputados, com tanta inteligència, ainda não se tenham apercebido de tal incongruência?

      Será que posso justificar (ás autoridades) a minha presença na rua com… “Vou (ou venho d) ao cinema”?
      Tá tudo doido!

  2. Para não parecer que tenho mania das conspirações façam, por favor, um exercicio comigo: Estamos em desconfinamento. Cada vez mais e mais negócios são abertos. Cada vez mais pessoas na rua (sem qualquer distanciamento, como sempre!) mesmo que ainda exista o dever de recolhimento. A variante britânica é a estirpe dominante em Portugal (a “orignal” parece ter desaparecido). A variante britânica é mais contagiosa que a “original”. 20% da população (só!) está vacinada com a primeira dose. Com todos estes fatores, os números de infetados descem cada vez mais? Não acham isto, no mínimo, estranho? É que a redução do número de mortos ainda entendo. Como se vacinou o grupo etário com maioria de mortes, é natural que haja muito poucas mortes (pelo menos para já).
    Mas para o “especialista” (da treta) “defende que não se justifica a renovação do estado de emergência”. É óbvio que este “senhor” vai-se responsabilizar pelos danos causados, se se seguir a sua indicação. Pois… Claro que não!

    É curioso como ainda há quem diga que aprendeu com os erros cometidos durante o combate á pandemia…

  3. Hmmmm…. Professor de geografia… Tenho algumas dificuldades em perceber o que este “especialista” (da treta!) sabe disto. Mas, se calhar, a geografia já não é o que era.

    “O especialista salienta, no entanto, que “há que manter algumas precauções”, até porque, até agora, o facto de as fronteiras estarem fechadas tem ajudado à contenção na entrada de novos casos e de novas variantes.” As fronteiras não estão fechadas! As terrestres estão (para já e com exceções que deixam entrar virus na mesma) mas as aéreas não!

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