Especialista que ouviu chamada entre Trump e Presidente ucraniano diz-se “perturbado” com exigências a Kiev

Jim Lo Scalzo / EPA

O Presidente dos EUA, Donald Trump

O tenente-coronel Alexander Vindman, especialista em assuntos ucranianos no Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos (EUA), fez parte de um pequeno grupo de funcionários da Casa Branca designados para acompanhar o telefonema entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o seu homólogo da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

Esta terça-feira, Alexander Vindman é ouvido pelos investigadores do ‘impeachment’ e, segundo um rascunho da sua declaração de abertura, dirá que ficou “perturbado” com a exigência de Donald Trump para Kiev investigar Joe Biden, noticiou o Expresso.

“Não achava apropriado exigir que um Governo estrangeiro investigasse um cidadão dos EUA, e estava preocupado com as implicações no apoio do Governo americano à Ucrânia”, dirá Vindman, de acordo com o Washington Post.

O diário lembrou que o testemunho do oficial do Exército é o primeiro de um funcionário da Casa Branca que ouviu a polémica chamada telefónica, que foi revelada por um denunciante e desencadeou o processo de destituição presidencial.

As declarações de Alexander Vindman reforçam os testemunhos anteriores da sua antiga chefe no Conselho de Segurança Nacional, Fiona Hill, e do embaixador interino dos EUA na Ucrânia, William Taylor.

Alexander Vindman e a sua família fugiram da União Soviética quando este tinha três anos, descrevendo-se simultaneamente como um imigrante e um patriota. “É meu dever sagrado e uma honra promover e defender o nosso país, independentemente de partidos ou políticas”, dirá antes de ser ouvido pelos investigadores. E acrescentará: “Não sei quem é o denunciante e não me sinto à vontade para especular”.

O oficial deverá ainda referir-se a uma reunião, a 10 de julho, durante a qual Gordon Sondland, um dos principais doadores de Donald Trump e embaixador dos EUA na União Europeia, terá dito que, para conseguirem um encontro o Presidente norte-americano, os ucranianos teriam de “investigar as eleições de 2016, os Bidens e a Burisma”.

A Burisma é uma empresa ucraniana de gás natural que contratou um dos filhos de Joe Biden, Hunter Biden, para integrar o seu conselho de administração. Joe Biden, ex-vice-Presidente de Barack Obama, está na linha da frente da corrida à nomeação democrata para as eleições do próximo ano, em que Donald Trump tentará a reeleição.

“Eu disse ao embaixador Sondland que as suas declarações eram inapropriadas, que o pedido para investigar Biden e o seu filho nada tinha a ver com segurança nacional, e que tais investigações não eram algo em que o Conselho de Segurança Nacional iria envolver-se ou pressionar”, prosseguirá Alexander Vindman.

E concluirá: “Uma Ucrânia forte e independente é fundamental para os interesses de segurança nacional dos EUA porque a Ucrânia é um baluarte contra a agressão russa”.

O testemunho de Alexander Vindman acontece dois dias antes de uma votação para autorizar o processo de ‘impeachment’, solicitado pela presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi. A convocatória da líder democrata segue-se às críticas do Partido Republicano de que o processo visa apenas ganhos políticos e impede Donald Trump de se defender convenientemente.

ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Se calhar ficou traumatizado e necessita urgentemente de drogas farmacêuticas da psiquiatria! Mas desde quando se fica perturbado na casa branca? Aquilo sempre foi um antro mafioso do pior calibre, nada que não se saiba há um século.

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