Rei de Espanha não propôs nenhum nome para investidura. País enfrenta novas eleições a 10 de novembro

Henri Garat et JB Gurliat / Mairie de Paris

Felipe VI, rei de Espanha

A Espanha vai realizar novas eleições. Os dirigentes do Cidadãos, Albert Rivera, e do Partido Popular, Pablo Casado, disseram “não” à investidura de Pedro Sánchez como presidente do Governo espanhol e o rei Felipe VI optou por não fazer qualquer proposta nesse sentido.

Sánchez falou esta terça-feira ao telefone com os líderes dos três maiores partidos. Porém, Cidadãos e PP mantêm a rejeição à investidura e o Unidas Podemos confirmou a sua abstenção.

Na segunda-feira, Rivera abriu a possibilidade de também se abster, se o socialista assumisse três compromissos: romper os acordos com os nacionalistas bascos do EH Bildu para o governo de Navarra, autorizar a criação de uma mesa de negociação para voltar a aplicar o artigo 155.º da Constituição na Catalunha – caso o governo catalão não cumpra as sentenças do processo independentista catalão, que serão reveladas em Outubro – e não subir os impostos.

Sánchez enviou a Rivera um documento que considerou dar essas garantias. “A resposta de Sánchez é uma bofetada a todos os espanhóis”, respondeu o Cidadãos.

Os prazos constitucionais dão até segunda-feira ao rei para decidir se se avança para uma investidura ou para eleições. Felipe VI começou na segunda-feira uma última ronda pelos partidos, para saber se há condições para uma investidura e para acabar com o bloqueio político que dura desde as eleições de abril – as terceiras em quatro anos, que o PSOE venceu mas sem maioria.

Nesta terça-feira, recebeu o líder do Podemos, Pablo Iglesias, no Palácio da Zarzuela. Segundo as declarações de Iglesias à saída, falaram do cenário de eleições a 10 de novembro. ​ “O rei disse-me o mesmo que pensam os espanhóis. Depois das eleições de novembro, se acontecerem, o período das negociações não pode ser igual a este, com meses de inactividade”, disse Iglesias, citado pelo jornal La Vanguardia.

Depois de Iglesias, Felipe VI recebeu Albert Rivera e depois Pablo Casado. Por fim, recebeu Pedro Sánchez.

Rivera falou primeiro aos jornalistas depois da reunião, para dizer que ainda está disponível para ouvir cedências de Sánchez. “Ele que me telefone esta noite ou amanhã de manhã”, disse.

“Pedro Sánchez não tentou qualquer acordo com nenhuma formação política”, disse Pablo Casado depois. “A nossa posição foi coerente, responsável e aberta ao diálogo. Tenho a sensação que chegámos ao ponto que Sánchez desejava desde 28 de abril”. “A nossa posição não podia mudar”, rematou Casado.

Foi anunciado para breve um comunicado de Pedro Sánchez, o líder socialista e chefe do Governo em exercício.

Um mês e meio depois de ter sido rejeitado pelo Parlamento, Sánchez continua sem conseguir encontrar os apoios necessários à sua investidura, nomeadamente do partido do Unidas Podemos (extrema-esquerda).

O PSOE defende um compromisso “à portuguesa” — acordo parlamentar com Governo exclusivamente socialista —, enquanto o Unidas Podemos quer uma coligação governamental que tenha ministros da extrema-esquerda.

Face à recusa dos socialistas em aceitar um Executivo de coligação, o líder do Unidas Podemos, Pablo Iglesias, explicou na passada sexta-feira que tinha proposto um “Governo de coligação temporário” até à aprovação do Orçamento Geral do Estado.

A extrema-esquerda poderia em seguida sair da coligação, no caso de Sánchez considerar que a fórmula não resultava, ao mesmo tempo que continuaria a dar o seu apoio parlamentar. No mesmo dia, esta proposta foi qualificada de “absurda” pela porta-voz do Governo de Sánchez.

O PSOE foi o partido mais votado nas eleições de 28 de abril último, mas, com menos de 30% dos votos, precisa do apoio de outras formações políticas, sendo essencial o apoio do Unidas Podemos. As sondagens indicam que, em caso de repetição de eleições, o PSOE iria aumentar a percentagem de apoio, mas continuaria a precisar do apoio de outras formações para formar Governo.

Pedro Sánchez pede maioria absoluta

Após o comunicado da Casa Real Espanhola, Pedro Sánchez lamentou que não tenha sido possível avançar com uma solução de Governo, defendendo que fez “todos os possíveis” com vista a esse objetivo e que Espanha necessita de um executivo “estável“ e “duradouro”.

O chefe do Governo em funções deixou ainda um apelo aos espanhóis para deixarem claro o rumo que pretendem para o país nas próximas eleições, que deverão ser agendadas para 10 de novembro.

“Acabaram as consultas com os partidos e o resultado é claro: não há uma maioria no Congresso que garanta estabilidade. Não há bases suficientes, nem garantias para avançar com uma investidura que poderia falhar. Espero que os espanhóis concedam a maioria parlamentar ao PSOE para que não haja mais bloqueios a partir de 10 de novembro”, declarou Pedro Sánchez em conferência de imprensa a partir do Palácio de Moncloa, em Madrid.

O primeiro-ministro espanhol afastou quase por completo a possibilidade de o PSOE alcançar um acordo com os outros partidos até terça-feira, altura em que termina o prazo para a dissolução do Parlamento. “Penso que é importante que não se criem falsas expetativas”, sublinhou Pedro Sánchez, sustentando que todos os partidos devem dar explicações aos cidadãos nos próximos dias.

“Espanha não necessita de um Governo para uma investidura, mas sim um Governo para a legislatura. Espanha não necessita de qualquer tipo de Governo, mas sim de um Governo estável e duradouro, que tenha uma legislatura estável com um apoio parlamentar amplo e sólido”, defendeu o governante.

Questionado sobre uma possível demissão, Pedro Sánchez recusou liminarmente esse cenário, lembrando que é o representante da força política que foi mais votada no Parlamento. “É preciso reconhecer a legitimidade do partido que venceu as eleições”, rematou.

ZAP //

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