Escritora francesa Anne Bert morreu por suicídio assistido na Bélgica

Anne Bert / Twitter

A escritora francesa Anne Bert que morreu aos 59 anos, a 2 de Outubro de 2017, por suicídio assistido.

Diagnosticada em 2015 com uma doença degenerativa incurável, a escritora francesa Anne Bert morreu, esta segunda-feira, por eutanásia, na Bélgica, para onde tinha viajado propositadamente para se sujeitar ao suicídio assistido.

Anne Bert, conhecida pela sua escrita erótica, tinha transformado o seu suicídio programado numa batalha política, com vista a aprovar em França uma lei semelhante à que existe na Bélgica, um dos poucos países do mundo que permite a eutanásia.

Nesta segunda-feira, a escritora de 59 anos morreu numa unidade de cuidados paliativos, na Bélgica, depois de receber uma injecção letal num suicídio assistido.

A francesa sofria de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença degenerativa incurável que afecta o cérebro e a espinal medula, levando, gradualmente, à paralisação dos membros e do aparelho respiratório.

A escritora manifestou publicamente, e por diversas vezes, o desejo de ter uma morte assistida, lamentando que a doença “canibal” que a afectava, como dizia, tinha já afectado os movimentos dos seus braços.

“Já não posso alimentar-me ou deitar-me sozinha, às vezes não consigo engolir, vivo como um animal“, tinha desabafado em Setembro.

Na mesma altura, tinha anunciado que ia partir para a Bélgica para ir lá morrer, aproveitando a lei da eutanásia daquele país e deixando muitas críticas à chamada “Lei Claeys-Leonetti”, sobre o fim de vida, que foi aprovada pelo Governo francês em 2015.

Esta lei francesa determina que os pacientes podem ser alvo de uma “sedação profunda e contínua”, para evitar o sofrimento até ao fim da vida, mas apenas nos casos dos doentes terminais, não admitindo a administração de medicamentos que possam provocar directamente a morte.

Anne Bert criticou a lei como “um engano gigantesco” criado só para lançar “pó para os olhos” dos doentes. Uma Lei que “responde mais às preocupações dos médicos do que aos direitos dos pacientes que desejam não chegar ao termo das suas doenças incuráveis ou aceitar sofrimentos insuportáveis”, lamentou numa carta aberta enviada aos candidatos presidenciais, aquando das recentes eleições francesas.

“Adormecer um doente para o deixar morrer de fome e de sede é realmente mais respeitoso para com a vida do que pôr-lhe termo com a administração de um produto letal?”, perguntava na mesma carta.

Eu quero morrer em paz, antes de ser torturada, passar a fronteira para fugir do proibido”, escreve Anne Bert no livro que vai ser publicado esta quarta-feira, depois da sua morte, como estava previsto, segundo cita o Le Parisien, antecipando a obra.

Neste livro de despedida, a escritora também escreve que a decisão do suicídio assistido não se trata de coragem, mas de “uma escolha”. “A minha livre escolha. E é muito mais doce do que o que me estava prometido”, conclui Anne Bert.

SV, ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Esperemos que a eutanásia e o suicídio assistido sejam aprovados em Portugal, o mais brevemente possível. Pessoalmente, são actos que gostaria de evitar, mas para quem o desejar fazer (incluindo eu mesmo, se for caso disso), é melhor ter a possibilidade de uma morte indolor do que cometer um suicídio violento, indigno e extremamente doloroso, para quem morre e para quem fica.

    • Concordo Joca. Mas duvido que em Portugal sejam legalizados..porque somos muito modernos para algumas situações (ex.: o aborto) e somos muito antiquados para outras (ex.: a eutanásia). É mais “humano” deixar as pessoas a sofrer até chegar a hora, quando a morte é inevitável..enfim

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