Dez anos depois do Magalhães, escolas do primeiro ciclo só têm um computador para sete alunos

d.r. JP Sá Couto

No ano em que o Magalhães entrou nas escolas portuguesas, havia um computador para cada aluno do 1.º ciclo. Agora, são quase sete alunos por computador.

De acordo com o relatório Educação em Números 2019, da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), as escolas públicas têm um computador por cada cinco alunos. No entanto, o cenário é ainda pior para os alunos do 1.º ciclo, onde só existe um computador para quase sete alunos.

Este ciclo é o mesmo que, há cerca de dez anos, foi contemplado com o programa e.escolinhas e os computadores Magalhães. Nas escolas privadas o cenário é pouco melhor avança esta terça-feira o Diário de Notícias.



No ano letivo em que foi lançado (2008/2009) e nos anos seguintes em que funcionou, o programa e.escolinhas distribuiu computadores Magalhães gratuitamente às famílias carenciadas, ou até 50 euros para as restantes. Esta medida permitiu que cada criança no 1.º ciclo tivesse um computador. Os alunos mais velhos continuavam a ter de partilhar um computador por cada quatro alunos.

O programa chegou ao fim em 2011, e o número de alunos que tiveram de partilhar um computador no primeiro ciclo de escolaridade tem vindo a aumentar desde aí.

Nos restantes ciclos (2.º, 3.º e ensino secundário), entre os anos letivos de 2010/2011 e 2015/2016 existia uma média de três alunos por computador. Por contraste, nas escolas privadas, esta média de três alunos por computador só se verificava no ensino secundário, para os 2.º e 3.º ciclo a média era maior – cinco a sete consoante o ano letivo.

De acordo com o Observador, o ano letivo de 2017/2018 apresenta o maior número de alunos por computador desde que foram distribuídos os primeiros computadores Magalhães. Ainda assim, nas escolas privadas, há menos alunos por cada computador: cinco alunos por computador no 1.º ciclo e quatro em termos globais.

Além do acesso limitado, os alunos têm também de lidar com computadores obsoletos e muitos sem acesso à Internet. Ao DN, Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), disse que os computadores existentes “estão obsoletos, por isso, os recursos devem ser novos e mais“.

O projeto do computador Magalhães acabaria por ser visto como um fracasso. O presidente da ANDAEP adianta que foi a desculpa para “uma grande propaganda política”, porque “chegou como uma imposição” às escolas.

“Os professores não pediram tecnologia nas escolas e não houve um período [anterior] de sensibilização” para o uso dos portáteis que iriam ser distribuídos pelos alunos, lembra Filinto Lima.

Um estudo de 2014 da Universidade Portucalense revelava que 89,1% dos professores e 86% dos estudantes disseram que nunca ou raramente recorriam ao computador nas salas de aula.

ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Chama-se a isto um apagão de recursos!
    O programa “Portugal Digital” e a Regiões Digitais, gastaram milhões em boas intenções digitais, mas caíram no despesismo por não obrigarem os projetos a garantia de assegurar na sua concepção itens de sustentabilidade e continuidade! Muito dinheiro deitado ao lixo!…

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