Há uma escola em Lisboa onde as obras pararam há 6 anos e os alunos comem na rua

Na Escola António Arroio, em Lisboa, as intervenções nas infraestruturas foram interrompidas depois de o empreiteiro ter rompido com o contrato. As obras começaram em 2009 e, desde que foram interrompidas, a escola artística não consegue assegurar aos estudantes alguns serviços mínimos.

A “ilha”, o passeio exterior da Escola António Arroio, em Lisboa, é o local onde muitos alunos almoçam quando faz sol. Quando o dia não sorri, meteorologicamente falando, os jovens almoçam nos corredores interiores, por não lhes restarem alternativas.

Não há cantinas, o bar é um pequeno contentor, a biblioteca é uma sala improvisada, no inverno faz frio dentro das instalações e até os funcionários são escassos. Nesta escola centenária, as obras ficaram por terminar… estão paradas há seis anos.

Os alunos almoçam no chão e, muitas vezes, refeições frias, porque os oito microondas que existem na escola não são suficientes para os 1290 alunos. Como não há refeitório e o bar é um pequeno contentor improvisado, os alunos espalham-se pelo passeio exterior e nos corredores.

Ao Diário de Notícias, Luana, aluna do curso de Cerâmica do 11.º ano, confessou que não são só as mesas que são escassas para os mais de 1000 alunos que a escola alberga. Há também falta de funcionários.

“Por exemplo, hoje a papelaria está fechada. Só há uma funcionária lá, que hoje faltou, então está fechada. E quando está aberta é uma fila enorme pelos corredores. Muitas vezes, temos até de faltar às aulas para ser atendidos, porque se demora muito tempo na fila. O mesmo na secretaria, que ainda por cima só está aberta durante um curto período de tempo, das 10.00 às 15.00”, conta.

No entanto, Rui Madeira, diretor da escola de Lisboa, generaliza o problema, preferindo a versão de que esta é uma situação que se vive um pouco por todo o país, “que surge pela desvalorização dos funcionários enquanto membros essenciais para o bom funcionamento das instituições” e “é uma posição muito precária”.

Quando questionado sobre o que trouxe a escola a este ponto, Rui Madeira responde: “Nem sei que lhe diga. Parece um romance daqueles trágicos.

Em 2009, começaram as obras na Escola António Arroio, uma responsabilidade do programa de modernização das escolas secundárias, da empresa pública Parque Escolar. No entanto, conta o diário, as intervenções foram interrompidas quando o empreiteiro responsável rompeu o contrato.

Em setembro de 2012, a Parque Escolar assumiu parcialmente o contrato não cumprido, fazendo intervenção em apenas alguns espaços. No entanto, as obras inicialmente previstas ficaram inacabadas.

Segundo a Parque Escolar, há dois anos, foi preparado e lançado “o segundo concurso público da empreitada”, e no passado dia 9 de abril deste ano foi assinada a “respetiva portaria de extensão de encargos”. No entanto, “a empresa vencedora do concurso decidiu não assumir a obra“. Ou seja, a história repetia-se.

Agora, a empresa adianta que pretende lançar um novo concurso público para concluir as obras, que deverão demorar cerca de dez meses. Ainda assim, “aguardam assinatura da Portaria de Extensão de Encargos pelo Ministério das Finanças”.

O diretor da escola garantiu ao DN que está em negociações com a empresa pública, da qual espera novidades para ficar a conhecer o destino da escola.

“O papel da direção tem sido preparar tudo para a eventualidade de as obras começarem e os alunos terem para onde ir”, afirma Rui Madeira, garantindo que estão a ser asseguradas as “condições necessárias para que os nossos alunos contem com a melhor formação possível”.

ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. Mais do mesmo.
    O empreiteiro “rompeu o contrato”. Por que razão? E o que lhe aconteceu?
    Há seis anos? Não há, entretanto, quem resolva o assunto?

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