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Há uma “engenharia” para atrasar reformas (em benefício do Governo e dos Bancos)

José Sena Goulão / Lusa

A coordenadora da Federação dos Sindicatos da Função Pública, Ana Avoila

Após 13 anos como líder da Federação de Sindicatos da Administração Pública da CGTP, Ana Avoila está com um pé na reforma e deixa muitas críticas à “engenharia” que diz existir nos processos de pensões, com o intuito de atrasar os pedidos para “ganhar dinheiro com cativações” e para que os Bancos “ganhem dinheiros com os juros”.

As declarações de Ana Avoila são feitas numa entrevista à TSF, onde ela faz um balanço do seu percurso como sindicalista, queixando-se dos sucessivos Governos que enfrentou do outro lado da barricada.

Há Governos que não vêem os trabalhadores, vêem a macroeconomia. Às vezes, uma vitória pode ser ter de deixar como está”, destaca Ana Avoila, queixando-se especificamente do Governo de José Sócrates por se ter perdido o conceito de “carpinteiro”. “Todos eram assistentes técnicos ou operacionais. Perdemos muito e estamos a tentar recuperar”, sublinha, lamentando, contudo, que “o Governo do PS não está para aí virado, nem o PSD”.

Ana Avoila refere ainda que pediu a reforma porque começou “a trabalhar aos 13 anos”. Mas continua à espera de uma resposta no processo. “Há um atraso grande, que não tem que ver só com a falta de pessoal nem só com os equipamentos informáticos desfasados deste tempo”, considera.

A ex-líder da Frente Comum de Sindicatos entende que há uma “engenharia” que visa atrasar os processos de reforma, com o “propósito de ganhar dinheiro com cativações e de que os bancos ganhem dinheiros com os juros“.

No caso dos pedidos de pensões internacionais, após anos de carreira contributiva no estrangeiro, há “atrasos brutais, numa situação muito complexa”, frisa ainda Ana Avoila, notando que “há coisas que se podem resolver numa semana”.

Ana Avoila realça também que a “precariedade [na Função Pública] não está resolvida”, denunciando que a falta de pessoal tem sido colmatada com “trabalho precário”. É urgente “fazer um levantamento das necessidades” e “criar emprego no Estado”, considera.

  ZAP //

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