Empresas fechadas e 28 mil despedimentos. Setor têxtil pode atravessar crise

Até 2025, a indústria têxtil em Portugal pode ver um terço das empresas a fecharem e 28 mil trabalhadores a serem despedidos. Este é o pior cenário equacionado no setor nos próximos anos.

O setor da indústria têxtil e vestuário pode vir a atravessar uma grande crise, equaciona o presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP). Sem garantias, o pior cenário prevê que, até 2025, cerca de um terço das empresas do setor fechem e que haja à volta de 28 mil despedimentos.

De acordo com o Público, industriais, governantes e especialistas do setor vão reunir-se no XXI Fórum da Indústria Têxtil para discutir o futuro da indústria em Portugal. Esta é a previsão mais pessimista daquilo que pode vir a acontecer, deixando o país com pouco “mais de 4000 empresas” e 110 mil trabalhadores.

Ainda assim, nem todos concordam com este cenário. “Não temos um quadro negativo neste momento em termos de emprego. Este cenário foi uma surpresa“, contradisse a FESETE – Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios, Vestuário, Calçado e Peles de Portugal. “As empresas precisam de trabalhadores para o setor, até com alguma especialização. E isso está a ser uma dificuldade muito grande”, acrescentou, em declarações à Antena 1.

Por outro lado, delimita-se objetivos e ambiciona-se que as empresas consigam chegar a uma faturação de 8 mil milhões de euros, com uma grande fatia desse rendimento a vir dos mercados internacionais.

No entanto, o fecho e a falência de empresas do setor já começou este ano, devido à menor demanda e à quebra de exportações. “Foi um ano difícil, mas foi um ano de prova de fogo”, diz o diretor-geral da ATP, Paulo Vaz, citado pelo Dinheiro Vivo. “Não só provamos ser mais resilientes do que outros, como tudo indica que chegaremos ao fim do ano muito estabilizados“, salientou ainda.

Em relação ao dramático cenário apontado para 2025, Paulo Vaz diz que empresas devem-se juntar e criar escala para atuar nos mercados internacionais. “Mais vale ser dono de metade de alguma coisa do que ser dono de 100% de coisa nenhuma”, explicou.

A sugestão do diretor-geral da ATP levaria ao fecho de algumas empresas, mas as que restassem estariam melhor preparadas para uma eventual crise. E quanto aos trabalhadores despedidos, “rapidamente são absorvidos por outras empresas do setor”, como sustenta Isabel Tavares, da FESETE.

O objetivo passa agora por tornar o setor têxtil português numa “indústria inovadora, criativa e credivelmente sustentável”, lê-se no documento “Novo Paradigma, Nova Estratégia – 2025”, ao qual o Expresso teve acesso.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. As empresas querem tudo. Querem que as pessoas aprendam sem lhes ensinar. Se querem tirar proveito têm de dar formação aos trabalhadores. Sempre foi assim, agora habituaram-se a mamar de todos os lados, só olham p/ o umbigo, só querem colher mas para colher é preciso semear. Não venham com desculpas a grande parte das empresas texteis do Vale do Ave pagam tão somente o salario mínimo e quando pagam, horas extras raramente são pagas, vão para banco de horas ou então nem as vêm. GRande parte dos empresários da têxtil têm boas casas, bons carros, boas ferias e BOA VIDA – abrem e fecham empresas sem dó nem piedade em prejuízo dos trabalhadores e dos portugueses.

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