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Empresa culpada pela crise de opioides fez contribuições políticas após declarar falência

A Purdue Pharma, empresa culpada pela crise de opioides nos Estados Unidos, fez contribuições políticas após ter sido processada e declarado falência.

Os opioides são usados para aliviar a dor, mas também provocam uma sensação exagerada de bem-estar e, se usados em exagero, podem levar à dependência e ao vício. Em excesso, podem ser fatais, normalmente levando a uma paragem respiratória. O seu uso tornou-se um problema sério nos Estados Unidos.

A Purdue Pharma abriu falência após várias cidades norte-americanas terem processado a empresa pelo seu papel na criação da crise de opioides. As litigações acabaram por cair por terra com a declaração de falência. As famílias das mais de 500 mil vítimas da crise de opioides tornaram-se meros credores da falência.

Enquanto isso, a Associação de Procuradores-Gerais Democratas (DAGA) aceitou, em dezembro, 25 mil dólares em donativos da empresa, escreve o The Intercept, com base em dados recolhidos pela Political MoneyLine. Vários membros da associação estão a conduzir o litígio contra a Purdue.

Em janeiro deste ano, a Associação de Governadores Democratas e a Associação de Governadores Republicanos aceitaram 50 mil dólares cada da Purdue Pharma.

As doações feitas surgem em Estados norte-americanos que estão a considerar impostos especiais sobre o consumo de opioides prescritos.

“Dada a política à volta do caso, há algo incrivelmente descarado sobre isto, de modo que estou chocado que a Purdue não tenha procurado a aprovação do tribunal”, disse o professor de direito Adam Levitin, ao The Intercept, relativamente à doação à Associação de Procuradores-Gerais Democratas.

No entanto, as doações a estas associações não são recentes e arrastam-se desde, pelo menos, 2014. A Purdue também doou mais de 500 mil dólares à Associação de Procuradores-Gerais Republicanos (RAGA), em 2016, quando a organização gastou 6,4 milhões de dólares para reeleger o ex-lobista farmacêutico Patrick Morrisey.

A DAGA salientou que não usa contribuições farmacêuticas para despesas relacionadas com a campanha para eleger procuradores-gerais democratas.

“Certamente parece que a Purdue Pharma está a jogar o jogo para tentar influenciar o litígio”, disse o lobista de assuntos governamentais Craig Holman. “Certamente esta é uma boa maneira de fazê-lo, dando dinheiro aos governadores e à associação de procuradores-gerais. Não estão a fazer isto para propósitos partidários, eles parecem estar a fazer isto para influenciar o litígio em que estão envolvidos“.

  ZAP //

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