Empresa que contratava médicos para prisões não pagou e fugiu com o dinheiro

Mário Cruz / Lusa

Uma empresa adjudicada pelo Estado para a contratação de profissionais de saúde para prisões não pagou aos trabalhadores e fugiu com o dinheiro. Está incontactável desde então.

A Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) adjudicou à Corevalue Healthcare Solutions, Lda. a contratação de médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, auxiliares de ação médicas e outros profissionais de saúde para o preenchimento de horas em prisões durante o ano passado.

No entanto, a empresa em causa não terá pago aos trabalhadores contratados e está, neste momento, incontactável. A notícia é avançada esta terça-feira pelo DN. Ao que o jornal apurou, há já vários processos em tribunal por dívidas pela prestação de serviços à Corevalue Healthcare Solutions.

A DGRSP explica que a responsabilidade está na empresa contratada e que, por isso, não há muito que possa fazer.

O Estado está a confiar em empresas onde não há contratos, onde tudo é feito ao telefone ou por e-mail, contactos que só são disponibilizados depois de nos inscrevermos no site deles para nos candidatarmos às horas disponíveis e de termos sido aceites, mas neste momento já nem estes contactos estão ativos”, disse ao DN, Inês Carriço, umas das enfermeiras lesadas.

Além disso, a mesma enfermeira relata que em 2017 a empresa pagou-lhe pelo trabalho, mas não pagou à Segurança Social, deixando-a com um dívida de 400 euros.

Só em Lisboa, a Corevalue Healthcare Solutions deve mais de 40 mil euros a pelo menos 30 profissionais de saúde. A nível nacional, acredita-se  que os valores sejam ainda mais elevados.

A empresa continua a estar identificada como de prestação de serviços na área da saúde, apesar de estar incontactável. No seu site lê-se que tem entre 11 e 50 funcionários e que tem contratos públicos desde 2015.

Em março deste ano foi denunciado um caso semelhante de uma empresa que ganhou um concurso público, deixou trabalhadores com ordenados em atraso, tinha um recluso a gerir a empresa a partir da prisão e desapareceu misteriosamente.

No total, a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais pagou 243 mil euros a uma empresa de prestação de serviços que desapareceu repentinamente e que tinha como missão colocar profissionais e garantir a prestação de cuidados de saúde a reclusos de 17 cadeias.

ZAP //

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7 COMENTÁRIOS

  1. Não tenho grande pena dos médicos. Também eles têm por hábito roubar os clientes nos preços loucos que cobram por consulta, sobretudo num país como o nosso com um salário mínimo e médio tão baixo.

    • Nem duvidem que é, quem pôs a funcionar o sistema de contratação por empresas privadas o agenciamento de pessoal? foi por ventura o largo do rato?

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