“Os eleitores fizeram-se ouvir muito bem”. SPD responde à CDU e quer aliança com os Verdes e FDP

Felipe Trueba / EPA

O ministro das Finanças alemão, Olaf Scholz

Armin Laschet tinha anunciado que a CDU queria liderar o executivo apesar do mau resultado, o que já motivou uma resposta do SPD. O líder dos conservadores está também debaixo de fogo dentro do próprio partido.

Apesar dos conservadores da CDU quererem formar governo, os sociais-democratas do SPD, que venceram por pouco as eleições legislativas de domingo na Alemanha, já anunciaram que também querem liderar o executivo.

Olaf Scholz afirmou que quer criar uma coligação “social-ecológica-liberal“, com os Verdes, que tiveram um grande crescimento e se afirmaram como a terceira força política, e com os liberais do FDP.

“Os eleitores fizeram-se ouvir muito bem”, afirmou o líder do SPD numa conferência de imprensa, realçando que o SPD, os Verdes e o FDP conseguiram todos crescer nestas eleições, ao contrário da CDU, que perdeu quase nove pontos percentuais e teve o seu pior resultado de sempre.

O vice-chanceler do actual governo lembrou que este resultado mostra “um mandato visível que os cidadãos do país formularam”.

Nesta eleições, os Verdes subiram dos 8,9% que tiveram em 2017 para 14,8% dos votos. Já os liberais conseguiram 11,5% dos votos, também um crescimento em comparação com os 10,7% alcançados há quatro anos.

Apesar das diferenças ideológicas entre os dois partidos, tanto o líder do FDP Christian Lindner como o co-líder dos Verdes Robert Habeck mostraram-se abertos a negociar uma possível entrada no mesmo governo, o que coloca mais peso na intenção de Scholz de criar a coligação “semáforo” – que foi assim apelidada devido às cores dos partidos.

“Terramoto” na CDU põe em causa liderança de Laschet

Estas negociações podem ser um balde de água fria nas ambições dos conservadores da CDU, que também anunciaram que queriam liderar o governo, apesar de terem ficado em segundo lugar com 24,1% dos votos.

“Nós vamos fazer tudo para podermos formar um governo dirigido pela aliança CDU/CSU”, disseo líder Armin Laschet quando soube das primeiras projecções que apontavam para um empate técnico com os sociais-democratas.

A maior proximidade ideológica entre o FDP e a CDU pode ainda não ter matado de vez a esperança de uma coligação “Jamaica” – entre CDU, Verdes e liberais – tendo Lindner já deixado elogios ao governo de Laschet na Renânia do Norte Vestefália.

No entanto, apesar das suas declarações iniciais, Laschet já se mostrou mais contido nas ambições no dia seguinte, afirmando que o voto “não pode e não vai satisfazer a União Democrática Cristã”, mas realçando que o resultado não dá um mandato óbvio de governo a qualquer um dos dois maiores partidos.

Mas os comentários de Laschet não motivaram críticas só do lado dos sociais-democratas. Na estação de televisão do tablóide Bild, Paul Ronzheimer diz que o líder da CDU “vive noutra realidade“, enquanto que a analista política Andrea Römmele afirmou na estação pública ARD que os eleitores “ficaram irritados” com as declarações.

Vários membros da CDU também se afastaram de Laschet. Markus Söder, chefe do governo regional da Baviera e um dos maiores opositores internos do actual líder, escreveu no Twitter que “o segundo lugar não pode ser interpretado” como uma bênção para que a CDU forme governo e falou sobre uma “derrota que não pode disfarçada“.

Já na Saxónia, onde a CDU perdeu vários lugares para o partido de extrema-direita AfD, o líder do governo regional descreveu o resultado como um “terramoto” e concordou com Söder, dizendo que a derrota não dá a moral ao partido para liderar o próximo governo.

“Nesta eleição, a CDU não foi a primeira escolha. Houve uma clara alteração no ambiente, contra a CDU“, afirma Michael Kretschmer.

A Alemanha espera agora já ter um governo formado até ao Natal, com Scholz a liderar a corrida para suceder a Merkel como chanceler, apesar do histórico de negociações das eleições de 2017 não trazer bons agoiros. No entanto, o líder dos sociais-democratas promete que as conversas vão ser pragmáticas.

  Adriana Peixoto, ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. Acho que a Alemanha está no bom caminho. Merkel foi excelente mas, Merkel valeu por ser Merkel, não por ser CDU. Conservadorismo é coisa de que a Europa não precisa mais ainda. Sem Merkle, CDU é conservadorismo puro sem a sabedoria e a competência de Merkel.

    Viva a ecologia e a Social Democracia Europeia. Fora o neoliberalismo e o conservadorismo!..

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