Doenças, deficiência, despesas e desemprego são os temas que mais preocupam os portugueses

Sandor Kacso / Wikimedia

Os portugueses vivem preocupados com ficar doentes ou com uma deficiência, pagar as despesas ou perder o emprego, e preferiam pagar mais impostos para ter melhores pensões e cuidados de saúde, revela um relatório da OCDE.

De acordo com os resultados do inquérito “Riscos que Importam”, na tradução para português, que inclui as preocupações de 22 mil pessoas, entre os 18 e os 70 anos de 21 países, cerca de metade dos inquiridos apontou “ficar doente ou com uma deficiência” como uma das três principais preocupações sociais ou económicas que os afete a eles ou à família próxima no próximo ano ou dois.

Portugal não é exceção e 63% dos portugueses que responderam a este inquérito apontaram “ficar doente ou com uma deficiência” como a principal preocupação no futuro próximo, sendo um dos três países onde esta preocupação é mais elevada, abaixo da Polónia (64%) e da Finlândia (65%).

A segunda maior preocupação dos portugueses é conseguir fazer face às despesas mensais (44,5%), seguida do receio de perder o emprego (39%), às quais se seguem a preocupação com o crime ou a violência (30,3%), o acesso a cuidados de longa duração (30,15%), habitação (25%), acesso a cuidados infantis ou educação. Há ainda quase 5% de portugueses que diz não ter qualquer uma destas preocupações.

Os cuidados de saúde de longa duração são aqueles onde as pessoas, em geral, estão mais insatisfeitas e, em média, 50% do total de inquiridos acha que não tem acesso a “serviços públicos acessíveis e de boa qualidade na área dos cuidados a longo prazo para os mais idosos” e 45% sente o mesmo em relação às pessoas com deficiência.

A insatisfação no acesso a este tipo de serviços chega aos 60% em Portugal, além de em países como o Chile, Grécia ou Polónia, “confirmando que a prestação de cuidados a longo prazo é um dos maiores desafios políticos para os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), à luz do envelhecimento da população”.

O inquérito mostrou uma generalizada sensação de injustiça no acesso a benefícios sociais e que os governos não escutam as pessoas, sustentada na crença de que os governos não trabalham para o cidadão comum.

“Em países como França, Grécia, Israel, Lituânia, Portugal e Eslovénia, a percentagem destas pessoas atinge os 70% ou mais. Estes sentimentos estão espalhados por quase todos os grupos sociais e não estão limitados apenas aqueles que se sentem ‘postos de parte’”, lê-se no relatório.

Apesar do alargado sentimento de injustiça e de desilusão, os inquiridos continuam a manifestar compaixão e a apoiar políticas de redistribuição de apoio aos mais pobres.

Aliás, 71% dos portugueses apontam a injustiça como a principal causa para a pobreza e 75% responderam que sim quando questionados sobre se concordavam ou não em aumentar os impostos sobre os mais ricos para ajudar os mais pobres.

“Não surpreendentemente, dado os elevados níveis de insatisfação com o que os governos atualmente garantem, a maioria dos inquiridos dizem que querem mais apoio do seu governo”, refere o relatório, acrescentando que em Portugal essa percentagem chega aos 80%.

De uma maneira geral, as pessoas querem mais investimento nas pensões (54%) e nos cuidados de saúde (48%) de modo a sentirem-se economicamente mais seguros e à sua família, com as pensões a serem a escolha popular em 14 dos 21 países e a saúde noutros cinco, nos quais se inclui Portugal.

Quase metade dos portugueses (49%) dizem mesmo que estão dispostos a pagar mais impostos para financiar melhores pensões e cuidados de saúde.

A OCDE diz que são precisos “maiores esforços” para perceber a razão destas perceções e por que razão tantas pessoas acham que as políticas sociais não vão ao encontro das suas necessidades.

“Isto significa ouvir as pessoas, perceber as suas dificuldades e de que tipo de apoio mais precisam. Tal como o inquérito mostra de forma clara, para muitas pessoas, os governos dos países da OCDE podiam fazer muita mais nesta área”, refere ainda o relatório.

// Lusa

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