Afinal, quem é de direita? Numa coisa os dois candidatos concordam: Ventura não seria um Presidente de todos os portugueses

José Fernandes / SIC / LUSA

Presidenciais: Debate televisivo entre André Ventura e Tiago Mayan Gonçalves

O debate presidencial, na SIC Notícias, entre André Ventura e Tiago Mayan começou com uma troca de várias insinuações por parte dos dois candidatos.

Para começar, Tiago Mayan Gonçalves disse que André Ventura é “um troca-trintas, xenófobo e racista, lembrando que “mandou uma deputada negra para a sua terra” (referindo-se a Joacine Katar Moreira) e que quis “confinar uma maioria” da etnia cigana.

Perante as acusações, Ventura admitiu que estava “estupefacto com alguém que chega e diz ‘sou de direita mas coitadinhas das minorias’ isto é que é ser de direita?”, questiona, atirando de seguida a Tiago Mayan que o seu partido deveria chamar-se Esquerda Liberal em vez de Iniciativa Liberal.

O representante da IL levantou o assunto das minorias, realçando que existem grupos que são descriminados por aquele que se dizer ser o Presidente de todos.

A insinuação levou o líder do Chega a dizer convictamente que não será o Presidente de todos os portugueses, sublinhando que “não vou ser dos portugueses pedófilos, dos que vivem à conta do sistema”. Ventura afirmou ainda que não será “presidente dos que deliberadamente não querem trabalhar. Votei a favor de confinamento de uma etnia e temos, sim, um problema com os ciganos”.

Mayan Gonçalves quis desmantelar a ideia de Ventura como alguém fora do sistema. Enquanto Ventura, afastava o partido liberal do lado direito do espectro político português: “É um travesti de direita e não um candidato de direita”.

O assunto passou rapidamente do racismo para o futebol. Tiago Mayan Gonçalves trouxe à tona o caso do Novo Banco e a amizade que liga André Ventura a Luís Filipe Vieira: “Devia estar preocupado com o calote que o amigo Luís Filipe Vieira deixou no Novo Banco.”

Por sua vez, Ventura centrou-se na sua proposta de comissão de inquérito sobre o BES: “Tínhamos escândalos de financiamento de campanhas eleitorais nomeadamente do PSD que era o meu partido”.

Questionado sobre a TAP, Mayan Gonçalves voltou a criticar os apoios de 4 mil milhões para a transportadora aérea. E aproveitou para acusar Ventura (que passou o debate a acusá-lo de ser de esquerda) de querer manter a TAP pública com apoio financeiro estatal. Ventura confirmou, argumentando com a importância de uma “empresa estratégica” como a TAP.

Para o líder do Chega, a TAP é “uma empresa estratégica que ninguém nega” e não está “disposto a deixar a TAP morrer”, indicando ainda que “o único partido que defendeu a ida da TAP ao Parlamento foi o Chega”.

Após o desacordo mútuo, os dois candidatos às presidenciais chegam a um consenso na matéria sobre o Estado de Emergência. Se para Mayan as medidas adotadas são “especialmente perversas” porque se encerram estabelecimentos às 13h ao contrário de outros países, Ventura lamenta as restrições “absurdas” que prejudicam pequenas empresas, bares e restaurantes.

O último assunto do debate centrou-se no apoio de Marine Le Pen à candidatura de André Ventura e ao episódio da Frente Nacional. O líder do Chega garantiu que Le Pen tem muitos luso-descendentes nos seus quadros.

Ana Moura, ZAP //

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6 COMENTÁRIOS

    • se os portugueses votarem num fulano que em 24 horas muda 3 vezes de opinião e que ganha dinheiro a ajudar os grandes empresários a fugir ao fisco só resta uma saída, combate-lo nas ruas

      • Caro Manuel
        Até 2098 sempre podemos ficar descansados.
        Sendo católico, o que me preocupa é o apoio de Deus a este guardião da Pátria.
        Porque foi iluminado por Deus que, como inspetor tributário, contribuiu para que, entre outras, uma empresa de Paulo Lalanda de Castro não pagasse mais de 1 milhão de euros em IVA ao Estado.
        ( Informação disponível no processo Vistos Gold).
        Porque devia confessar aos “anjinhos” ( que somos nós) de quantas mais empresas, e valores, ele ” protegeu” a querida Pátria.
        Ao menino Jesus, devia explicar se esses expedientes foram por desinteressada caridade cristã, ou se os “fiéis” contemplados deixaram algumas moedinhas na caixa de esmolas.
        Saudações democráticas

  1. Uma coisa é certa o líder do Chega potenciou alguns jornalistas, cidadãos portugueses e estrangeiros a investigarem e procurarem tudo e mais alguma coisa para o conseguirem denegrir, e nessa azáfama aprenderam alguma coisa, no entanto para tornarem essa aprendizagem completa e assim serem politicamente cultas é necessário que continuem a investigarem e denegrirem os outros políticos. ou será que o ventura é o diabo e os outros anjos ???

  2. Sem qualquer interesse no debate nem no sexo dos anjos, faço, todavia, um reparo à redactora: ‘descriminar’ não é o que a senhora queria dizer. O que queria dizer (entendo pelo contexto) era ‘discriminar’. ‘Descriminar’, apesar de não ser de uso corrente significa tirar o crime; ‘discriminar’ quer dizer selecionar, estabelecer diferenças.

  3. Zap, gostaria de saber o que aconteceu à notícia sobre a vinda de Marie Le Pen a Portugal, publicada por vós, a dar-nos a conhecer a forma incrível como foram recebidos jornalistas e repórteres numa cave de um hotel para uma conferência de imprensa.

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