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O PSD saiu vitorioso ou derrotado das autárquicas? Depende a quem se perguntar no partido

Tiago Petinga / Lusa

O presidente do PSD, Rui Rio

Resultado conquistado por Carlos Moedas em Lisboa está a ser visto como um autêntico balde de água fria para os possíveis adversários de Rui Rio na corrida à liderança do PSD.

Uma semana antes das eleições autárquicas, Rui Rio abriu o jogo — mais ou menos. Em entrevista à rádio Renascença, o líder dos sociais-democratas afirmou que não se recandidataria caso, na noite de 26 de setembro, o PSD conseguisse um resultado “pior, igual ou muito pouquinho melhor” ao de 2017, o pior da história do partido. Na mesma ocasião, recusou-se a avançar com um número de Câmaras que seria, na sua visão, sinónimo de derrota ou, pelo contrário, vitória.

Ao longo dos dias de semana que se seguiram, a abordagem foi a mesma, com Rio a afirmar que as Câmaras não têm todas o mesmo “peso político“, esquivando-se, assim, a dar um número aos jornalistas.

Agora, encerradas as urnas, contados os votos e em dia de balanço, tenta-se perceber, nas hostes sociais democratas, se o que aconteceu ao longo do dia de ontem, com o equilíbrio do poder local a pender para o PS, mas com Carlos Moedas a conquistar — de forma surpreendente — a Câmara de Lisboa a Fernando Medina, foi efetivamente uma vitória ou uma derrota.

Esta manhã, Hugo Soares, antigo líder parlamentar do PSD, afirmou que, apesar das perdas, o resultado do PS não constitui “um cartão amarelo ou alaranjado” dos portugueses a António Costa. Em declarações à Antena 1, o aliado político de Luís Montenegro tentou, segundo o Público, desvalorizar os resultados do seu partido, preferindo centrar atenções nas legislativas de 2023. Para Hugo Soares, a escolha dos portugueses em não recusarem o PS tem que ver com o facto de o PSD ainda não é uma “alternativa“.

Esta análise diverge da de Rui Rio — que, durante a madrugada, afirmou que o PSD tem mais hipóteses de, em 2023, poder sair vencedor das legislativas —, mas também de David Justino, vice-presidente do partido, que considera que os pilares da governação de António Costa estão agora mais frágeis e que a capacidade de o primeiro-ministro encontrar soluções para o país ficou “tremida“. “Ele [António Costa] quis transformar isto numa espécie de plebiscito à governação. Correu mal. E terá implicações na governação”, afirmou.

Luís Filipe Menezes, antigo presidente da Câmara de Gaia, admitiu nas últimas semanas, também ele, apresentar uma candidatura à liderança do PSD caso, num cenário de resultado manifestamente negativo, não aparecesse uma alternativa. Mas perante os resultados de ontem, a hipótese não se concretizará.

“Estou fora dessa guerra. Os que pensam nisso têm de ponderar duas situações – por um lado, o resultado e a vitória de Lisboa é manifestamente muito, muito importante, mas também o facto de algumas sondagens, e ,apesar do sucesso relativo do PSD, se houvesse legislativas neste momento haveria uma grande vantagem do PS,” explicou, referindo-se às sondagens lançadas ao longo da noite eleitoral e que remetiam para o resultado de eleições legislativas, onde o PS aparecia próximo da maioria absoluta.

Rui Rio, na referida entrevista à Renascença, também afirmou que a análise aos resultados seria feita “com tempo“, uma mensagem que reforçou ao longo da noite eleitoral sempre que os jornalistas o questionavam sobre o seu futuro. A certa altura revelou, no entanto, que caso não tivesse alcançado os resultados a que se propusera daria uma resposta imediata, já que seria “evidente“.

  ARM //

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