Na Dinamarca, a luta contra a covid-19 trava-se com confiança e tranquilidade

O grande espírito comunitário dos dinamarqueses deve-se ao facto de confiarem uns nos outros, assim como no próprio Governo e autoridades. Esse nível de confiança elevado está a ajudar a Dinamarca a combater a pandemia de covid-19.

Os países que registam um alto nível de confiança podem estar mais bem preparados para enfrentar a crise provocada pelo novo coronavírus. É o caso da Dinamarca, que pode ter em mãos a arma necessária para enfrentar esta pandemia, concluiu Gert Tinggaard, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade de Aarhus, num artigo assinado no Science Nordic.

A confiança social aumenta a cooperação voluntária entre a população, sem que sejam forçadas por terceiros, nomeadamente o Governo. Segundo o investigador, é possível usar a confiança social como medida padrão para avaliar a capacidade de cooperação, uma vez que esta variável expressa de que forma as pessoas avaliam o risco de serem enganadas por outras pessoas numa determinada sociedade.

O European Social Survey mediu este parâmetro em 36 países europeus e avaliou-os numa escala de 0 a 10, no qual a avaliação mais alta (10) se refere ao facto de a nação em causa acreditar que a grande maioria das pessoas pode ser confiável. Dinamarca, a campeã da confiança, lidera o ranking com uma pontuação de 6,92, seguida por outros países nórdicos, como a Noruega (6,69), a Finlândia (6,61), a Islândia (6,26) e a Suécia (6,20).

É expectável que em países com níveis de confiança relativamente baixos se possa esperar mais agitação social numa altura em que Governo e população são obrigados a dar as mãos para combater uma crise sanitária. Essa agitação dificulta, naturalmente, a resposta eficaz à pandemia.

Gert Tinggaard refere que é muito mais fácil fazer com que a população ouça e siga os conselhos e orientações das autoridades num país com alto nível confiança. Por consequência, essa característica facilita a contenção do vírus antes que sejam necessárias medidas mais restritivas e coerção.

A Dinamarca regista um baixo nível de corrupção, o que faz com que a população confie nos seus governantes e saiba que o seu dinheiro é bem gerido. Por outras palavras, as instituições que transmitem confiança à população fazem com que a sociedade se sinta confortável a seguir as recomendações das autoridades dinamarquesas, sem que essa atitude incite críticas ou comportamentos indesejados.

Este país nórdico está a cumprir as diretrizes do Governo, num autêntico “esforço comunitário”, porque sabe que o Estado fará tudo o que puder para conter a pandemia e agirá em prol do interesse comum.

A confiança acaba também por ser um bom negócio: quando a confiança é alta, o Estado consegue economizar recursos quando o assunto é o controlo da população.

Sabendo que a situação está a ser bem gerida, a grande maioria dos dinamarqueses está a encarar esta pandemia com muita calma e tranquilidade. E parece estar a resultar: a Dinamarca foi o primeiro país da Europa a reabrir escolas em plena pandemia de covid-19, um mês após o encerramento.

LM, ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. Sempre a dar o exemplo, os países escandinavos e a Suiça. Há de facto culturas e culturas, mentalidades e mentalidades… E o calor pelos vistos tende a coser os miolos.

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