Dificuldades económicas refletem-se nos resultados escolares e na ambição académica

Marcos Santos / USP

As dificuldades económicas continuam a ter efeitos negativos nos resultados escolares dos alunos portugueses, mas também nas suas expectativas, com 25% dos estudantes desfavorecidos e bons desempenhos sem perspetivas de concluir um curso superior, revelou esta terça-feira a OCDE.

A origem socioeconómica dos alunos é um “forte indicador” dos resultados dos alunos portugueses na leitura, matemática e ciências, defende a OCDE no relatório PISA de 2018, divulgado esta terça-feira.

O PISA é um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), elaborado de três em três anos e que mede o desempenho dos alunos de 15 anos em competências como leitura, matemática e ciências, avaliando ainda outras questões como o ambiente escolar e as condições de equidade na aprendizagem.

Os resultados no PISA são contabilizados em pontos. Nas competências de leitura, por exemplo, os alunos portugueses registaram um resultado global de 492 pontos, alinhado com a média dos países da OCDE. No entanto, o relatório indica que os resultados dos alunos de origem socioeconómica mais favorecida ficam 95 pontos acima dos que têm maiores dificuldades económica. Este diferencial é superior à média da OCDE nesta comparação, que é de 89 pontos.

Em 2009, o diferencial resultante da origem socioeconómica dos alunos era de 87 pontos, em linha com a média da OCDE. Entre os alunos com desempenho de topo nas competências de leitura, 16% são de classes mais altas e apenas 2% de origem desfavorecida.

Ainda assim, o PISA 2018 aponta 10% de alunos de baixa condição socioeconómica que conseguiram resultados entre os 25% mais elevados obtidos pelos alunos portugueses em leitura, o que para a OCDE significa que a pobreza não tem que ser uma fatalidade.

Os resultados indicam ainda que um quarto dos alunos mais pobres, ainda que com bom desempenho académico, não perspetivam concluir um curso superior, o que entre os alunos mais favorecidos é um objetivo declarado pela quase totalidade.

Em termos de resultados, mas também de expectativas de carreira, continua a haver um “eles” e um “elas”. As raparigas superam os rapazes na leitura, mas eles são melhores a matemática do que elas. Em ciências não há diferenças de género assinaláveis, aponta o relatório. O diferencial de género nas competências de leitura decresceu, ainda assim, ao longo de uma década: era de 38 pontos em 2009 e em 2018 baixou para os 24 pontos.

Já no que diz respeito a carreiras, engenharia e ciências continuam a ser áreas de formação preferenciais para os rapazes e as profissões ligadas à saúde a opção primordial das raparigas. Carreiras na área das tecnologias de informação atraem menos de 10% dos estudantes portugueses, com primazia para os rapazes.

O relatório aponta ainda que a segregação de alunos com piores resultados tem o mesmo peso em Portugal do que na generalidade dos países da OCDE, com uma média igual de colocação dos alunos com pior desempenho em determinadas escolas.

Ainda assim, a probabilidade de um aluno mais pobre frequentar a mesma escola com outro com bons resultados escolares é superior em Portugal à média da OCDE: 22% de hipóteses em Portugal contra 17% de média da OCDE.

Ainda que as escolas portuguesas reportem uma maior falta de recursos do que a média da OCDE, o relatório indica que não há diferenças significativas entre escolas de meios favorecidos e as de meios desfavorecidos.

O PISA 2018 analisa ainda a equidade para alunos imigrantes, uma realidade que cresceu em Portugal dos 5% em 2009 para os 7% em 2018. Um em cada quatro alunos de origem estrangeira tem dificuldades económicas, mas ainda assim, 17% dos alunos com um background imigrante conseguiram resultados entre os 25% mais elevados.

O ambiente escolar continua a não ser completamente seguro: 14% dos alunos indicaram ter sido vítimas de bullying, “pelo menos, algumas vezes por mês” e 10% afirmaram sentir-se sozinhos na escola.

Os alunos portugueses reconhecem ainda que o mau comportamento se reflete nos resultados: aqueles que admitem que os professores têm que esperar muito até que a turma sossegue para poder começar uma aula registaram resultados em leitura 17 pontos abaixo dos que afirmam que isso nunca acontece na sua turma.

A maioria dos estudantes portugueses (69% contra 67% de média da OCDE) afirmam ainda que estão satisfeitos com as suas vidas. Apenas 3% indicaram sentir-se sempre tristes. A escola é também percecionada pela maioria como um espaço de crescimento: 66% dos alunos nacionais discordaram da afirmação “A tua inteligência é algo sobre ti que não podes mudar muito”.

// Lusa

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