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Dieta cetogénica associada ao aumento do colesterol e do risco de doenças crónicas

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Eduardo Roda Lopes / Unsplash

Dieta cetogénica: alimentos ricos em gorduras, mas com poucos hidratos de carbono e açúcares

O estudo refere que os riscos das dietas que cortam nos hidratos de carbono são ainda maiores para grávidas e pessoas que sofram de doenças renais.

Um novo estudo publicado em Julho na revista Fronteiras da Nutrição argumenta que as dietas cetogénicas – com baixos níveis de hidratos de carbono e altos níveis de gorduras – são pouco saudáveis para a maioria das pessoas. A investigação foi revista por pares e financiada por uma organização que promove as dietas baseadas em plantas.

As dietas cetogénicas têm ganho popularidade nos últimos anos e obedecem ao princípio geral de tentar criar um estado metabólico chamado cetose ao ingerir alimentos ricos em gorduras, mas com poucos hidratos de carbono e açúcares. Isto obriga o corpo a usar a gordura acumulada para ter energia e a uma rápida perda de peso.

Os efeitos a longo-prazo desta dieta na saúde são polémicos e muitos nutricionistas não a recomendam. A típica dieta cetogénica é um “desastre que promove doenças“, segundo a dietista Lee Crosby, autora principal do estudo.

“Comer muitas carnes vermelhas, carnes processadas e gorduras saturadas ao mesmo tempo que se restringe vegetais ricos em hidratos de carbono, frutas e graus integrais é uma má receita para a saúde“, explica Lee Crosby, citada pelo New Atlas.

O estudo conclui que as dietas são eficazes em reduzir as convulsões em doentes com tipos de epilepsia resistentes a medicação. Mas em quase todos os outros casos, os riscos são maiores que os benefícios, especialmente para grávidas e pessoas com doenças renais.

“Além do risco para doentes dos rins e mulheres grávidas, as dietas cetogénicas são também perigosas para os outros porque podem aumentar os níveis de colesterol LDL e o risco geral de doenças crónicas. Apesar de reduzir o peso a curto-prazo, esta abordagem não é mais eficaz do que a de outras dietas para emagrecer”, realça Crosby.

Os efeitos a longo-prazo das dietas cetogénicas ainda não claros e não há consenso científico nesta área. Um estudo da Universidade de Yale publicado no ano passado concluiu que os benefícios metabólicos que os ratos tiveram nos primeiros meses da dieta desapareceram ao fim de alguns meses.

Estes resultados vão ao encontro de uma outra investigação de 2019 que avaliou o jejum intermitente e concluiu que as trocas periódicas do estado metabólico são melhores para a saúde humana.

Estudos anteriores apontaram para possíveis benefícios da dieta na redução de enxaquecas ou na limitação do crescimento de células cancerígenas em doentes com tumores cerebrais.

  AP, ZAP //

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