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Dez anos depois, ainda há feridas por sarar. Sánchez promete não soltar presos da ETA em troca da aprovação do Orçamento

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Num debate parlamentar com o Governo espanhol, Pablo Casado confrontou Pedro Sánchez sobre os acordos com os nacionalistas radicais bascos.

Esta quarta-feira, quando questionado por Pablo Casado, presidente do Partido Popular (PP), sobre se iria libertar 200 terroristas da ETA em troca do voto favorável dos nacionalistas radicais bascos ao Orçamento do Estado, o primeiro-ministro espanhol foi categórico: “não”.

Segundo o Expresso, no debate parlamentar com o Governo, Casado acusou Pedro Sánchez de “deixar para trás as vítimas do terrorismo, ao aproximar [dos seus locais de residência, porque estavam presos em cadeias longínquas] uma centena de etarras com delitos de sangue”.

“Não se pode pactuar e branquear, para continuar no poder, aqueles que justificam o assassínio de 850 inocentes”, atirou Casado, numa referência ao apoio que o Governo tem recebido do partido nacionalista radical Euskal Herria Bildu (EHB, Unir o País Basco).

O semanário salienta que o EHB é um descendente político do Batasuna, um partido que, sob vários nomes, foi em tempos braço político da ETA.

Esta semana, Arnaldo Otegi, o principal dirigente do Batasuna, extinto há 19 anos, reconheceu o sofrimento causado pela ETA e chegou mesmo a afirmar que “nunca devia ter acontecido”.

“Infelizmente, o passado não tem remédio. Nada do que possamos dizer pode desfazer o dano causado. Mas estamos convencidos de que é possível aliviá-lo a partir do respeito e da memória. Sentimos enormemente o seu sofrimento [das vítimas] e comprometemo-nos a mitigá-lo”, afirmou Otegi, citado pelo El País.

A pergunta de Casado foi, no entanto, motivada pelas declarações que se seguiram: “Temos 200 presos na cadeia e se para soltá-los for preciso votar a favor do Orçamento, votamos”. O EHB tem cinco parlamentares no Congresso dos Deputados.

Durante o debate, o líder do PP lembrou que Sánchez prometera não fazer acordos com o EHB, mas a verdade é que o partido tem dado a mão ao Executivo formado pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e pela frente de esquerda Unidas Podemos.

O legado de cinco décadas de atividade da ETA (Euskadi Ta Askatasuna) terminou há dez anos, mas ainda há feridas que continuam sem sarar. Segundo o Público, a influência do grupo separatista basco salta para o campo político, principalmente de cada vez que se comemora uma data que o envolve.

Desta vez, assinala-se o décimo aniversário da renúncia da ETA ao terrorismo, oficializada num vídeo, datado de 20 de outubro de 2011, com indivíduos que pediram “a abertura de um processo de diálogo direto” aos Governos de Espanha e de França.

  ZAP //

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