Despedida de Montenegro abre guerra de emails contra Fernando Negrão

José Sena Goulão / Lusa

O líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão

Vários deputados do PSD mostraram-se indignados com o facto de a direção da bancada não ter usado da palavra na ronda de intervenções no debate quinzenal, realizado esta quinta-feira, para se despedir de Luís Montenegro.

Numa troca de e-mails a que a Lusa teve acesso, o deputado e anterior vice-presidente da bancada do PSD, Miguel Santos, foi o primeiro a reagir. Num e-mail enviado a todos os deputados do PSD, o social-democrata diz ver “com lamento e tristeza” que, no momento da saída do ex-líder parlamentar, “o elogio tenha surgido somente da parte do líder parlamentar do CDS”.

O deputado recorda “o costume” em que todos os grupos parlamentares proferiam habitualmente algumas palavras, apontando o exemplo da saída do deputado do PCP, Honório Novo, em que todas as bancadas, incluindo o PSD, fizeram intervenções.

Na mesma linha, outro ex-líder parlamentar do PSD, Luís Marques Guedes, enviou também um e-mail, no qual lamentou que também tenha sido assim na despedida de Passos Coelho do Parlamento.

“No Parlamento, o respeito pelos adversários não é mais uma cortesia, é antes uma regra básica de elevação democrática, por estes tempos tão em desuso. É mais um exemplo de uma boa praxe parlamentar que esta esdrúxula legislatura atira para o lixo. Lamentável”, afirmou.

O anterior líder parlamentar, Hugo Soares, também acusou a direção da bancada de “falha grave” por não ter usado da palavra na ronda de intervenções de despedida a Montenegro, recordando que este foi deputado 16 anos e líder parlamentar por sete.

“Mas não posso deixar de dizer que a causa da minha indignação interior não se prende com o comportamento dos nossos adversários; antes considero uma falha grave do grupo parlamentar do PSD não ter usado da palavra naquela circunstância e momento como se impunha. Hoje, e pela primeira vez, eu (e seguramente muitos colegas) não me senti representado com tamanha distração”, afirma.

Também a ex-ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, respondeu em tom crítico, lamentando o que chamou de “falta de reconhecimento” e “falta de respeito por quem soube unir uma bancada parlamentar”.

A antiga governante disse ainda lamentar que o reconhecimento “tenha vindo de outros”, mais do que de quem deveria representar os deputados do PSD. “A grandeza mede-se nos momentos difíceis. Não a vi”, referiu ainda.

Contactado pela Lusa, o atual líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, escusou-se a comentar o conteúdo dos e-mails trocados, e afirmou que fez em relação a Montenegro “rigorosamente o mesmo” que tinha feito no momento da saída de Passos do Parlamento.

Na sua primeira intervenção no debate quinzenal, Negrão agradeceu o “excelente trabalho” de Montenegro, a quem endereçou “um grande abraço de amizade” e desejou “as maiores felicidades pessoais e profissionais”. Em declarações à TSF, o líder parlamentar considera que esta polémica não passa de um “epifenómeno” e considera que “não pode ter as proporções que está a ter, porque não tem justificação para isso”.

“Todos sabem que Montenegro é o senhor que se segue”

O ex-líder parlamentar do PSD é visto como o mais bem posicionado numa eventual sucessão a Rui Rio. Ao Diário de Notícias, uma destacada fonte social-democrata garante que “toda a gente sabe que é o senhor que se segue” no PSD.

Ele está lançado, não tem de fazer oposição”, sublinha ainda outra fonte parlamentar.

Pouco antes da despedida, Montenegro deixou a promessa de continuar a fazer oposição ao Governo de António Costa e rejeitou a possibilidade de fazer o mesmo a Rui Rio. “Não creio que haja oposição interna no PSD”, disse, citado pelo DN.

Para o agora ex-deputado, o partido tem um novo líder e uma nova direção, por isso, não existe a possibilidade de ser o protagonista de um eventual desafio eleitoral a Rio. “Esse quadro não existe hoje” mas antes a obrigação de ganhar as duas eleições de 2019. “Rio está obrigado a manter esta ambição viva. Existimos para governar e transformar o país”.

Esta semana, numa entrevista à Lusa, Montenegro já tinha afirmado que o seu desejo é “ver o dr. Rui Rio primeiro-ministro dentro de um ano e meio“. “Estive sempre ao lado dos líderes, mesmo com aqueles com os quais concordava menos. Nunca deixei de ser leal e solidário com todas as lideranças e é isso que farei com esta, não há nenhuma razão para não ser assim, nenhuma mesmo”, sublinhou.

ZAP // Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. É triste mas é verdade, o PSD de 74 nada tem haver com o de PPC, porque quem está a destabilizar neste momento são os senhores Deputados que apoiam o senhor Montenegro, está a dar a impressão que temos dois PSD, um que é original de 74 e outro que é PSD-B alinhado com o CDS. É tempo de Rui Rio fazer a limpeza do PSD-B! O original do PSD nunca precisou de andar atrás do CDS, até porque sempre o conheci como PSD a defender o centro ou centro/esquerda. Em 2013 nas autárquicas houve centenas de militantes para não dizer milhares que não votaram PSD pela traição às Freguesias, agora que a situação está em vias de mudar, queiram os senhores deputados fazerem o mesmo, não vos agrada, peçam a demissão e dão lugar a outros, porque tal como eu os vi, na sala do Senado a dizer Não às Freguesias, também vos digo agora RUA que não são cá precisos!!

  2. Coitadinho do Montenegro, mais um para o fundo do desemprego, e a receber o salário minimo ou de sobrevivência.
    Viva os Peixeiros de Espinho

  3. Caro Montenegro! Tiveste a tua oportunidade de mostrar o que valias no PSD logo a seguir ao companheiro Pedro Passos Coelho anunciar que não se recandidatava, mas como tiveste medo de ires a votos com o companheiro Rui Rio ficaste sossegado na “toca”, faltou-te a coragem num momento delicado para o Partido, portanto não tens legitimidade para falar, um verdadeiro líder assume-se em qualquer circunstância, é nessas alturas que se afirmam os homens com carácter. Agora andas a minar e a boicotar o trabalho do homem que foi eleito democraticamente para governar o nosso Partido, tem vergonha e não andes com jogos baixos a fomentar a divisão do Partido.
    O nosso PSD precisa de união interna, de solidariedade com o nosso líder, para podermos ambicionar governar o nosso País.
    Viva RUI RIO, Viva o PSD, Viva PORTUGAL.

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