Deputado não pode chamar “porcaria” a sessão de orientação sexual. BE avança com queixa

ppdpsd / Flickr

Sessão de apresentação da candidatura de Bruno Vitorino, deputado do PSD, à Câmara Municipal do Barreiro

As deputadas Joana Mortágua e Sandra Cunha vão apresentar queixa da publicação na qual o deputado do PSD Bruno Vitorino apelidou de “porcaria” a sensibilização de alunos sobre orientações sexuais.

A publicação em causa já não se encontra online. No entanto, como o ZAP noticiou no sábado, o deputado do PSD Bruno Vitorino insurgia-se contra uma sessão que tinha como objetivo “promover a igualdade de géneros e sensibilizar os alunos para as diferentes orientações sexuais”. O deputado e vereador na autarquia do Barreiro questionou: “Mas que porcaria é esta?

“Vergonha Governo socialista. Vergonha ministro da Educação. Vergonha Escola do Barreiro. ‘Sensibilizar’ alunos de 11 anos sobre ‘diferentes orientações sexuais’? Com associações LGBTI à mistura?? Que porcaria é esta? Cada um pode ser o que quiser, mas deixem as crianças ser crianças. Deixem as crianças em paz! Adultos a avançar sobre este campo junto de crianças é perverso. Isto tem de parar!”, escreveu.

A publicação era acompanhada por uma fotografia de uma folha sobre a sessão no agrupamento de escolas, na qual se podia ler que o objetivo era “promover a igualdade de géneros e sensibilizar os alunos para as diferentes orientações sexuais”. A sessão teria o custo de 50 cêntimos por aluno e o dinheiro reverteria para a Associação LGBTI.

A publicação, que entretanto foi eliminada, provocou a indignação das deputadas do Bloco de Esquerda, Joana Mortágua e Sandra Cunha.

Segundo o Público, as bloquistas decidiram apresentar queixa à Comissão para a Igualdade de Género e, também no Facebook, Sandra Cunha lamentou que Bruno Vitorino ache uma “vergonha educar para a igualdade e contra a discriminação em função de um dos princípios consagrados na Constituição da República”.

Além disso, a deputada acrescentou que lamenta o facto de o deputado social-democrata considerar que “sensibilizar alunos de 11 anos para as diferentes orientações sexuais” seja “uma ‘porcaria perversa’”.

“O comentário público feito a propósito de uma sessão promovida por uma escola do Barreiro no âmbito da disciplina de Educação Sexual com a Rede Ex Aequo é inaceitável para quem tem responsabilidades políticas e reflete um preconceito que não deve existir nem na educação nem na política. Por isso eu e a Joana Mortágua vamos fazer uma queixa à Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género sobre a publicação de Bruno Vitorino.”

Também Joana Mortágua se pronunciou acerca do mesmo assunto, desta vez no Twitter. A deputada do Bloco escreveu que o comentário de Bruno Vitorino é “inaceitável”.

Não aceito este tipo de ‘doutrinação’

Depois da publicação inicial, Bruno Vitorino escreveu uma outra, na qual garante que “nunca discriminei ninguém em função da sua orientação sexual, do seu partido político, da sua raça, cor de pele, religião ou clube ou seja o que for. Tenho amigos homossexuais, heterossexuais, e muitos que nem sei que orientação têm ou deixam de ter”.

No entanto, o deputado do PSD deixa claro que não aceita este tipo de “doutrinação”. “Não aceito este tipo de ‘doutrinação’ nas escolas com miúdos destas idades. Ainda mais com associações totalmente duvidosas. Acho uma vergonha”, afirma.

No entanto, o deputado acrescenta que “não são ofensas organizadas, isoladas ou em matilha” que o “vão condicionar” e garante que aceita, “como sempre”, “opiniões contrárias”.

Questionado pela Lusa, Bruno Vitorino, também líder da distrital de Setúbal do PSD, disse não achar “normal que uma associação LGBTI possa ir a uma escola fazer palestras de orientação sexual a miúdos de 11 anos”.

Uma coisa é defender a igualdade de género, outra é afirmar à força uma ideologia de género”, atirou o social-democrata para quem estas associações não estão preparadas para falar em escolas.

“Trabalhou-se o respeito”

Ao Público, a diretora do agrupamento de escolas de Santo André, Arlete Cruz, explicou que a palestra era dirigida a duas turmas, uma do 6.º ano e outra do 8.º, e que dos 54 alunos, 44 foram autorizados pelos pais a participar.

A sessão, que se realizou no âmbito da Educação para a Cidadania, era sobre “igualdade de género”. “Trabalhou-se o respeito”, disse Arlete cruz ao matutino.

“O que gerou polémica foi dizerem que andávamos a angariar dinheiro para a associação. O que não é verdade. Como é hábito na escola, as famílias costumam comparticipar as actividades. Os 50 cêntimos eram para transportes dos palestrantes. A associação não nos pediu nada. Quem esteve na escola foram duas pessoas da Rede Ex Aequo”, explica ainda.

Ainda assim, Arlete Cruz admite que a formulação presente na folha sobre a sessão, e na qual se diz que o dinheiro reverte para a associação, não é a mais feliz.

ZAP //

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