Depressão, problemas familiares e questões amorosas levam mulheres a atear fogos

Flood / Flickr

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Uma psicóloga e investigadora da Escola da Policia Judiciária revelou esta quinta-feira que as mulheres que ateiam fogos o fazem porque se encontram deprimidas ou devido a problemas familiares e a questões amorosas.

Cristina Soeiro, que falava no primeiro dia do II Congresso Internacional “Crime, Justiça e Sociedade”, a decorrer na Universidade Fernando Pessoa, no Porto, fez uma exposição sobre o tema “Diferenças de género no comportamento de incendiarismo: perfis criminais associados ao estudo comparativo entre uma amostra portuguesa de mulheres e homens incendiários”.

Segundo a especialista, nas mulheres incendiárias, “os comportamentos estão mais associados à depressão, a problemas familiares e a questões amorosas com companheiro ou ex-companheiros ou com pessoas que vivem na sua proximidade” e, ao contrário do que sucede com os homens, o consumo de álcool pesa pouco.

“As nossas mulheres tinham quase todas um quadro depressivo identificado”, continuou Cristina Soeiro, assinalando que a depressão, “muitas vezes medicada”, e a psicose é o mais comum nas mulheres.

“É completamente diferente dos homens”, onde se registam “mais abusos de substâncias e défice cognitivo”, observou.

Acrescentou, por outro lado, que “alguns estudos mostram que um terço das mulheres incendiárias já possuía pelo menos uma condenação, por comportamentos agressivos”.

Cristina Soeiro disse ainda que só 8% dos dados da Policia Judiciária (PJ) relativos a incendiários florestais corresponde a mulheres, sublinhado que os homens são, de longe, os grandes responsáveis por esse tipo de crime.

A especialista referiu que foram precisos “muitos anos” para a PJ ter uma amostra de mulheres incendiárias.

“A maior parte são da Zona Centro, o que faz sentido porque é e zona onde existe mais floresta”, notou.

Mulheres e homens incendiários assemelham-se na relação próxima com os terrenos a que atearam fogo, bem como nas “limitações ao nível da inteligência, nos baixos níveis de escolaridade e no baixo estatuto sócio cultural”.

Os homens incendiários são mais novos, tendo entre 20 e 35 anos, ao passo que as mulheres andam entre os 46 e os 55 anos, disse.

No que diz respeito aos sítios onde os fogos ocorreram, a especialista disse que “as mulheres também cometem o crime perto do local de residência” e, mais raramente, do local de trabalho.

“Na nossa amostra, apenas uma mulher cometeu o crime perto do local de trabalho”, especificou, notando que, neste item, “os homens têm maior heterogeneidade”.

“A chama directa” é o dispositivo utilizado com mais frequência.

“Digo-vos uma coisa: se tiverem em casa um isqueiro BIC cor de laranja, por favor deitem-no fora, porque é a arma do crime mais usual”, disse adiantando que as caixas de fósforos Quinas também são muito utilizadas, ao passo que o recurso a engenhos incendiários é raro.

A maior parte das incendiárias também não conhece os proprietários dos terrenos onde atearam incêndios e algumas agem por “vingança daquela pessoa com quem tiveram uma relação amorosa”, afirmou Cristina Soeiro.

/Lusa

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