Denúncia de praxes violentas na Escola Naval. “Tortura do sono” e “sacos na cabeça”

A Marinha recebeu há alguns dias queixas de pais que, sob anonimato, denunciaram alegadas praxes violentas sobre alunos do 1.º ano da Escola Naval.

De acordo com os relatos, esta quinta-feira divulgados pelo Diário de Notícias, os cadetes foram sujeitos a “tortura do sono”, obrigados a andar com “sacos amarrados na cabeça”, a estarem “em tanques de água noites a fio” e foram também deixados “nus na parada”.

“Não quero chorar a morte do meu filho, como as mães dos [recrutas] comandos” falecidos no início do curso em setembro de 2016, disse a mãe de um dos cadetes em declarações ao matutino sem revelar a sua identidade.

De acordo com a mesma mãe, o seu filho “tirou fotos” para documentar algumas das situações mas estas foram eliminadas por superiores, porque os telemóveis dos cadetes “são vistos” com frequência e “o direito de privacidade não existe”.

Os exemplos apontados por esta mãe vão ao encontro do relato publicado por um pai de um cadete, através de uma publicação no Facebook do passado domingo, na qual escreve que “os alunos são privados do sono, dormindo, em média seis horas por semana”. Mário Antunes dá ainda conta que os alunos “adormecem nos testes (…), sendo raro os que conseguem tirar [notas] positivas”, descreve.

O porta-voz da Escola Naval, o comandante Pereira Fonseca, disse ao DN que “de mediato foi iniciado um procedimento interno para averiguar sobre a veracidade dessas práticas”. No entanto, e das “averiguações realizadas não se concluiu qualquer indício de práticas contrárias aos valores, aos regulamentos, à disciplina, à moral e à ética que rege a Escola Naval”, acrescentou.

O comandante Pereira da Fonseca garantiu que “não são toleradas práticas de praxe” na Escola Naval, sublinhando que os 63 cadetes do primeiro ano – dos quais 13 são raparigas – “são enquadrados por um conjunto selecionado de alunos do 4.º ano, que partilham o alojamento e os apoiam na integração na vida da EN e no seu sucesso escolar”.

De acordo com o porta-voz, nenhum dos 63 cadetes deste ano desistiu da recruta, nem pediu para o fazer. Além disso, nota, as únicas “ocorrências médicas relevantes” foram “dois surto de gastroenterite que afetaram os alunos de todos os anos”, disse ainda.

ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

  1. São os Comandos, é a GNR, agora a Escola Naval, sem contar com as reiteradas praxes nas escolas do país.
    Começa a revelar-se uma das característica do povo português, sempre que lhe é dado PODER para elevar o seu triste ego, humilhando quem está sujeito.
    A Justiça continua branda em conluio com as situações, tentando não intervir e esquecer, como aconteceu nas 5 mortes do Meco, e em todas as outras situações em que nada se pode dizer porque corre o inquérito e está tudo “em segredo de justiça”.
    Portugal está cada vez mais perigoso e injusto.

  2. Isto é o regabofe generalizado. Já só falta praxar os paraquedistas e os da FAP. E a pergunta a propósito disto tudo: quando é que vamos começar a praxar os deputados, já que os meninos (E meninas) Da a.R. Se recusam a marcar presença através de dados biométricos (Esses não falham a menos que mandem amputar e embalsamar o dedo e depois emprestar a um amigo para marcar a presença).

  3. DÁ-me a sensação de que neste país existem muitos candidatos a ditadores, mal apanham um pouquinho de Poder sentem-se logo donos e senhores disto tudo, sou completamente contra a falta de respeito e ética mas quando aquele que comanda não tem categoria para tal e subjuga o seu subordinado inverte a situação não é pessoa para ocupar tal cargo e na prática cai ao mais baixo nível de valor como ser humano ao valer-se apenas do Poder que lhe conferiram faltando-lhe a personalidade e o valor humano para lidar com os demais.

  4. Exercerem poder e, no caso particular de jogarem com a nudez dos outros, satisfazerem “alguma coisinha” reprimida e recalcada…

  5. Parece que estão a confundir as coisas. As praxes académicas nada, nada têm a ver com isto. A Escola Naval, e todas as outras escolas militares, são escolas de guerra, GUERRA. Os papás que apenas querem “taxos” para os seus “filhinhos”, não os coloquem naquelas escolas. Nunca serem apartados de um telemóvel já é muito discutível, só por si. “Cuitadinhos” coisinhas ricas da mamã, não sabem que ali se aprende a matar gente e que se pose ver pessoas aos bocados, “tadinhos”. A guerra não é um jogo virtual, jogado de sofá ao calor duma lareira.

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