Debandada à vista? Pires de Lima segue Mesquita Nunes e abandona CDS. Nuno Melo tenta novo congresso eletivo

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O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos

Depois de Adolfo Mesquita Nunes, foi a vez de Pires de Lima anunciar que vai entregar o cartão de militante. Nuno Melo não os segue e promete continuar a lutar para, depois de conquistar o partido, trazer os nomes de peso de volta.

O dia de ontem ficará na memória como um dos mais negros da história recente – ou até completa – do CDS. Depois de um Conselho Nacional que muitos contestaram, e que ditou o adiamento do Congresso eletivo agendado para 27 e 28 de novembro – o que impede Nuno Melo de discutir com Francisco Rodrigues dos Santos a liderança interna antes de o país ir a legislativas –, alguns nomes de peso dos centristas anunciaram que iriam desfiliar-se do partido.

Adolfo Mesquita Nunes deu um mote. Numa publicação no Facebook, o atual administrador não-executivo da Galp afirmou que o atual CDS não é o mesmo partido onde se inscreveu há 25 anos, acusou a direção de Francisco Rodrigues dos Santos de intransigência perante opiniões internas distintas e notou que os centristas estão destinados, caso o rumo do partido não se altere, à irrelevância.

“O partido deixou de existir, com pensamento e estratégia autónoma, acertando com entusiasmo o caminho para a irrelevância, dependendo da bondade e caridade de terceiros”, escreveu.

Ao longo das horas que se seguiram, também Michael Seufert, antigo líder da juventude popular, Vânia Dias da Silva, Inês Teotónio Pereira e Manuel Castelo-Branco revelaram a sua desvinculação do CDS.

“O CDS que eu conheci, morreu. Não porque está liderado pelas pessoas erradas – que está, mas isso é sempre passageiro – mas porque desistiu de si mesmo, dos seus militantes e de ter um projeto para Portugal. Porque face a eleições legislativas que ainda nem estão marcadas se acobardou de encontrar a clarificação interna e um projeto nacional de que os partidos não podem ter medo sob pena de o deixarem de ser. Quem tem medo de no seu partido ir a votos, não vai convencer mais ninguém”, escreveu Michael Sefert, antigo líder da Juventude Popular.

Inês Teotónio Pereira, antiga deputada, reclama um pedido de desculpas aos Conselheiros Nacionais que votaram pelo adiamento do Congresso agendado para o final de novembro pela humilhação a que submeteram os militantes do partido.

“Todos aqueles que votaram nesta direção deviam hoje pedir desculpa aos militantes do CDS e aos seus apoiantes pela humilhação a que sujeitaram o partido. Pelo menos aqueles que têm um mínimo de decência. O CDS não é o mesmo partido que sempre foi – está mais perto do PCTP-MRPP – e eu não pertenço ali. Por isso, e ao fim de décadas de militância, desfilio-me hoje com enorme tristeza”

Mas o anúncio com maior impacto surgiu à noite. Numa entrevista à SIC, António Pires de Lima anunciou “com enorme tristeza” a sua saída do CDS-PP, por considerar que não tem “condições interiores de continuar depois do que aconteceu”, numa referência aos eventos de sexta-feira, a propósito do Conselho Nacional.

“Assisto com muita tristeza, mas não me surpreendo”, disse, defendendo que “nos últimos dois anos fomos assistindo a um processo de degradação democrática no interior do partido” e decretando que o CDS “bateu no fundo”. “É o fim da linha“, atirou

“Face ao que aconteceu no CDS nas últimas 48 horas, tenho o dever perante mim próprio de recuperar a liberdade interior que só posso ter enquanto independente, para votar ou recomendar votar em quem eu entender nas próximas eleições legislativas”, esclareceu Pires de Lima. O antigo dirigente centrista afirmou ainda que “não está em “condições de recomendar o voto em Francisco Rodrigues dos Santos a ninguém que conheça”. A decisão de Pires de Lima entra em vigor hoje.

João Almeida, atual deputado centrista e uma das vozes mais críticas da direção de Francisco Rodrigues dos Santos, anunciou que sairá do Parlamento, com a intervenção que fez esta semana, a propósito da discussão do Orçamento do Estado para 2022, a ser a última pelo CDS.

Apesar da sangria, Nuno Melo, eurodeputado e candidato à liderança do partido, não pretende desistir da luta. Como tal, anunciou ontem ao início da noite que irá entregar ao Conselho de Jurisdição do partido – que já lhe deu razão a propósito da convocatória para o Conselho Nacional, considerando a “nula” – um pedido de “impugnação do Conselho Nacional para que, em coerência, todas as deliberações tomadas sejam nulas e, sendo nulas, para que com a urgência possível sejam realizadas as eleições dos delegados ao congresso para que esse congresso seja realizado”.

No entendimento de Nuno Melo, caso Francisco Rodrigues dos Santos represente o CDS nas eleições legislativas sem que antes os centristas tenham feito eleições internas, tal constituirá uma ação ilegítima. O eurodeputado diz ainda que, caso o congresso eletivo se realizasse na data prevista, Francisco Rodrigues dos Santos sabe que perderia.

Aos jornalistas, Nuno Melo afirmou ainda que não abandona o CDS, mesmo perante a “tortura democrática” que a atual direção lhe está a infligir. Pelo contrário, ficará “mais firme” na luta pela liderança e no objetivo de mudar o rumo do partido.

  ZAP //

2 Comments

  1. É a Debandada das personalidades históricas e daqueles que enriqueceram à conta do CDS/PP. Usaram a Publicidade e o Marketing Político do CDS-PP para crescer e singrar na vida pessoal. Pois é! Ex-Deputados e Ex-Ministros do paradigma do “ Irreversível” CDS/PP desejam e são ativistas políticos pelo “ Status Quo” da “Velha Guarda Elitista do CDS-PP”. Pois é. Ora, Cheira a Poder Político e Cheira a Listas de Deputados! Ora, O atual presidente do CDS/PP e o presidente do Órgão do Concelho Nacional do CDS/PP advogam justamente a transparência democrática do Partido Político CDS-PP sendo constituído por pessoas, cidadãos e eleitores em que cada pessoa um voto. A Política e a Hermenêutica da interpretação da lei são facilmente manipuláveis e influenciáveis. No Direito Democrático não pode valer tudo. Ou seja, há uma lei (interpretação jurídica) para o Nuno Melo e outra lei (interpretação jurídica) para o Presidente do Concelho Nacional do CDS-PP. Estes juristas políticos brincam tanto com o Direito e com a Hermenêutica (interpretação) sem contexto e sem factos que acabam por fazer figura de “ manipuladora patológicos”. Em Democracia, Portugal está em primeiro lugar. Há prioridades.

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