Custos dos fogos na Austrália superiores a três mil milhões. Fumo contamina várias cidades

Fully Handoko / EPA

O custo económico dos fogos das últimas semanas na zona leste e sul da Austrália já ultrapassou os cinco mil milhões de dólares australianos (cerca de três mil milhões de euros), indicaram as primeiras estimativas.

O valor total ainda está longe de ser conhecido, especialmente porque dezenas de fogos continuam ativos em vários pontos do país, mas as estimativas iniciais apontam para um custo elevado para a economia australiana, noticiou a imprensa australiana, citada esta quarta-feira pela agência Lusa.

O turismo e a agricultura são as atividades económicas mais afetadas, de acordo com uma análise da agência de análise financeira norte-americana Moody’s, mas especialistas anteciparam igualmente uma queda geral na confiança dos consumidores, o que vai ampliar os efeitos na economia.

A agência lembrou que a época de incêndios ainda se vai prolongar durante pelo menos dois meses, o que implica que o custo poderá aumentar significativamente, especialmente quando as primeiras avaliações detalhadas de zonas destruídas forem concluídas.

De acordo com o diário Sydney Morning Herald, a economista da Moody’s Katrina Ell disse aos jornalistas que o impacto poderá cimentar a possibilidade de um novo corte na taxa de juro na próxima semana, pelo Banco da Reserva da Austrália, de 0,75% para 0,5%.

A economia deverá ter um impacto mais positivo quando o processo de reconstrução começar, notaram os economistas.

Ao lembrar o impacto de fogos de grande dimensão, como os de 2009 em Vitoria, Ell notou que neste caso a extensão de área destruída é “muito maior”, o que fará ampliar necessariamente os custos para as economias de pessoas, empresas e estados.

Uma situação que agrava o baixo consumo já registado no país e a situação de várias regiões que apresentam elevados custos associados a secas prolongadas.

“Os impactos sociais dos fogos levam a que a confiança já frágil dos consumidores seja ainda mais afetada. Com a crescente preocupação geral com gastos, a situação atual agrava esse consumo ainda mais”, referiu. “Danos ao setor agrícola terão impacto em preços, especialmente no que toca a frutas e verduras”, acrescentou.

Uma vez que os incêndios estão a ocorrer na época alta de férias na Austrália, os fogos estão a ter um “impacto profundo” no turismo, com propriedades destruídas e muitos cancelamentos de viagens.

Responsáveis turísticos estimaram que o custo de reconstrução venha a rondar as “centenas de milhões de dólares”, com uma queda nos gastos de turistas e no número de visitantes, incluindo do estrangeiro.

James Ross / EPA

A economia poderá também ressentir-se por possíveis problemas de saúde, com a poluição do ar a afetar até um terço da população, com “reduções na produtividade dos trabalhadores, mais gastos em saúde e menor produção” agrícola.

Dados do Conselho de Seguradoras da Austrália indicaram que, até segunda-feira, tinham sido apresentados pedidos às seguradoras num total superior a 700 milhões de dólares australianos (432,3 milhões de euros). A agência de notação S&P notou que isso poderá levar a um aumento do custo das apólices.

O Governo anunciou um pacote de apoio de dois mil milhões de dólares australianos (1,2 mil milhões de euros) para a recuperação das áreas afetadas. O primeiro-ministro, Scott Morrison, afirmou que o dinheiro será distribuído nos próximos dois anos e gerido por uma nova agência dedicada à reconstrução de casas e infraestruturas danificadas.

Fumo contamina cidades e preocupa autoridades

Residentes em algumas das principais cidades australianas, incluindo Sydney, Melbourne e Camberra, estão a tomar medidas preventivas para lidar com o fumo provocado pelos incêndios nas suas regiões. A zona norte e leste de Sydney é atualmente a de maior preocupação, segundo as autoridades.

Camberra, o único território do país que ainda não foi afetado por incêndios na atual época de fogos – que já causaram 25 mortos e destruíram mais de 13 milhões de hectares – esteve vários dias como a cidade com ar mais contaminado do planeta.

A situação melhorou esta quarta-feira, mas continua a estar no quarto nível mais elevado dos seis usados para medir as condições atmosféricas, segundo o World Air Quality Index Project que reúne informação de registos em todo o mundo em tempo real.

Tony Bartone, da Australian Medical Association, alertou esta quarta-feira para os severos riscos do fumo, que pode ser fatal para pessoas mais vulneráveis, recomendando por isso cuidados adicionais nas saídas à rua.

Apesar de um abrandamento dos fogos, de uma queda da temperatura e de alguma chuva, o fumo continua a alastrar-se em vários locais, chegando mesmo a atingir a Nova Zelândia.

Visível do espaço, o fumo levou muitos residentes a usar máscaras na rua, com edifícios a colocar os aparelhos de ar-condicionado em modo de recirculação de ar, para evitar contaminação adicional. O perigo, alertou Bartone em declarações ao Canal 9, é especialmente significativo para doentes de asma e outros problemas respiratórios.

“A contaminação por fumo, e a dimensão e densidade a que os habitantes desta cidades estão sujeitos é sem precedentes. Está a durar há vários dias e a agravar o ar nas principais cidades”, notou.

Joel Carrett / EPA

Dados mostram valores nas escalas máximas de poluição atmosférica em vários locais na zona metropolitana de Sydney, especialmente a norte e oeste. Um mapa de monitorização do World Air Quality Index Project coloca a Austrália como o quarto país atualmente com a pior qualidade de ar, atrás da Índia, China e Turquia.

O projeto considera que esta situação pode “agravar doenças pulmonares e cardíacas” e causar a morte a pacientes que sofram deste tipo de problemas, recomendando que se evite qualquer exercício no exterior e que idosos e crianças permaneçam no interior.

Pelo menos 185 fogos continuam ativos

Ainda estão ativos pelo menos 185 fogos na Austrália. Dados dos serviços estaduais e territoriais de bombeiros, compilados pela agência de notícias australiana AAP, mostraram que, em Nova Gales do Sul, de 119 incêndios ativos, 50 estão fora de controlo.

Os incêndios no estado causaram 20 mortos, destruiram 1.687 casas, 3.300 outros edifícios e 168 propriedades, queimando uma zona equivalente à soma das zonas metropolitanas das cinco maiores cidades da Austrália, mais de cinco milhões de hectares.

No estado de Vitoria, os bombeiros registaram 12 fogos ativos na zona de Gippsland, no nordeste e nas zonas alpinas. Os fogos no estado causaram, até agora, três mortos, entre eles um bombeiro, e deixaram mais de 1,2 milhões de hectares destruídos e pelo menos 200 casas queimadas.

No estado de Queensland, onde os incêndios causaram três mortos e queimaram mais de 2,5 milhões de hectares e 161 casas, as autoridades contaram 19 fogos ativos.

No estado do Sul da Austrália, onde morreram três pessoas e arderam mais de 274 mil hectares, os bombeiros indicaram que vários incêndios continuam ativos, três dos quais na Ilha Kangaroo, onde já ardeu um terço da área total.

No estado da Austrália Ocidental, os incêndios queimaram 1,7 milhões de hectares, com 32 fogos ativos, especialmente em Goldfield-Esperance region, Wheatbelt, Pilbara e Perth. O balanço mais recente deu ainda conta da destruição de mais de 32 mil hectares na ilha da Tasmânia, onde os bombeiros contaram 14 fogos ativos.

Um ciclone no norte da Austrália Ocidental e cheias no interior estão igualmente a causar problemas na região com o estado virtualmente isolado por estrada do resto do país, de acordo com as autoridades locais.

As autoridades australianas alertaram já um aumento do risco de incêndios no fim de semana, depois de as previsões meteorológicas apontarem para uma nova subida da temperatura e ventos mais fortes em vários pontos.

Lusa //

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