Entre críticas a Rio e Marcelo, Ventura teve um drive-in com música de baile (e comparou-se a Sá Carneiro)

Hugo Delgado / Lusa

O candidato à Presidência da República, André Ventura, durante um jantar-comício no restaurante “Solar do Paço”.

Ventura demarcou-se dos insultos de apoiantes à comunicação social, mas não admitiu que o seu mandatário os incentivou, chamando “inimigos” aos jornalistas. Terminou o dia num comício na praia de Leça da Palmeira mas em estilo drive-in.

André Ventura foi o único a faltar ao debate das rádios mas acabou por ser um dos protagonistas devido às críticas e por Marcelo ter admitido pedir um acordo escrito caso venha a existir a nível nacional uma aliança como a que permitiu ao PSD liderar os Açores com o apoio do Chega. O também deputado devolveu o termo, mas aplicado ao Presidente da República, e aproveitou o comentário de Marcelo para tentar mostrar-se como o candidato do PSD.

“É um Presidente cobarde, que quando eu não estou presente ousa dizer uma coisa como esta, mas quando foi no frente-a-frente disse que o Chega é um partido democrático com legitimidade como os outros. Hoje, nas minhas costas, diz que vai exigir acordo escrito” porque “não confia nem em Rui Rio nem em André Ventura”, disse o candidato.

O líder do Chega chamou ainda a Marcelo “suposto Presidente de direita” que “confia mais na extrema-esquerda do que confia nos partidos de direita”.

“Apelo ao líder do PSD que saia do confinamento e que exija explicações ao Presidente”, desafiando assim Rui Rio. Contudo, a colagem aos sociais-democratas foi mais longe, já no fim do discurso, quando defendeu que, com este comentário, Marcelo “deixou definitivamente de ser o candidato da direita” e defendeu que Rio corte com Marcelo e “o eleitorado do PSD e do Chega tenha só um candidato a esta eleição. Sou o único candidato que junta o Chega e o PSD”, insistiu.

Pedido de desculpas aos jornalistas

Após os insultos de apoiantes de Ventura à comunicação social, o candidato viu-se obrigado a demarcar-se da atitude dos militantes, mas defendeu o seu mandatário nacional, que incentivara a atitude dos apoiantes ao chamar “inimigos” aos jornalistas, dizendo que “nunca” o ouviu dizer isso.

Sobre o jantar de Braga, Ventura negou saber que não estava autorizado e virou o assunto para as queixas contra a DGS que, garantiu, nunca responde às solicitações de informação do Chega.

Relativamente ao episódio de Bragança, em que apresentou dois apoiantes como sendo de etnia cigana, quando um deles afinal não era – declarou-o depois em vídeo nas redes sociais, pedindo desculpa à comunidade – Ventura desvalorizou e defendeu que apenas pretendeu mostrar que “há ciganos, como aquela senhora e outros que estavam no jantar, que apoiam o Chega porque não se revêm no que a maioria da comunidade faz que é viver à custa de subsídios, não trabalhar e viver à conta dos impostos dos outros”.

“Não venhas insinuar que baton devo usar”

No comício drive-in de ontem estavam pelo menos 130 carros com música de baile alto durante duas horas. Também estavam presentes cinco viaturas da polícia e uma dúzia de agentes, mas isso não demoveu Márcia e Susana, que foram até ao local para se manifestarem.

Ambas as mulheres seguravam placas. Numa lia-se “Não venhas insinuar que baton devo usar” e a outra metia no mesmo saco Ventura, Trump e Bolsonaro.

“Viemos manifestar-nos de forma pacífica, demonstrar desagrado por um partido que tem posto em causa a liberdade e a democracia, que usa um discurso de ódio que é inadmissível”, disse Susana Bandeira ao jornal Público.

As duas amigas estiveram no parque de estacionamento de frente para o mar pelas, onde até às 22h15, as colunas de som foram debitando músicas como “O Baile de Verão”, “A Bela Portuguesa”, “Mexe, Mexe Que Eu Gosto”, “Se a Casa Cair” ou “Bamboleo”.

No seu discurso, Ventura usou uma formulação a que tem recorrido muito nos discursos: “Porto, eu estou-vos a ouvir; a cada um de vocês e a cada uma das vossas famílias”.

Criticou a gestão da pandemia que levou o país para o atual “desastre” e que não preparou o Inverno.

“Não sei se sou o general Humberto Delgado, mas nesta tão digna cidade do Porto, quero ser o herdeiro daquele projeto de transformação que deu pelo nome de Francisco Sá Carneiro.

André Ventura foi ainda mais longe, rematando o seu discurso de quase meia hora: “Se ele me estiver a ouvir neste momento, sabe aquilo que eu quero para Portugal: entregar, como ele, toda a minha vida ao serviço de Portugal.”

Ana Moura, ZAP //

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7 COMENTÁRIOS

  1. Este delírio do sr Ventura, de se comparar com o Dr. Sá Carneiro, faz-me lembrar um vizinho que tinha a pancada de se pôr na varanda, com uma forma de bolos na cabeça, e mão direita no casaco do pijama. Dizia que era Napoleão. Um dia…foi internado.

    • Olhe, não apoio o Ventura nem nunca votarei nele, mas ele vai longe, acredite. É a válvula de escape da podridão política que se vive em Portugal. Estou a trabalhar a partir de casa e a assistir ao debate parlamentar. É de facto lamentável que o Primeiro-Ministro mantenha as mentiras relativas ao processo de nomeação do procurador Europeu. É um escândalo do terceiro mundo. Com casos destes, o Ventura vai sempre aumentar nas sondagens e nas urnas.
      Veja o que fez todo o governo holandês por muito menos. Sempre ouvi dizer que para se ser respeitado temos de nos dar ao respeito. Não tenho qualquer respeito pelo nosso governo e pelo Primeiro-Ministro.

  2. ZAP, como escreveu o senhor Miguel Gouveia, deverão corrigir “comparou-se a” com “comparou-se com”.

    Obrigado pela vossa preciosa atenção.

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