Crianças sírias têm aulas em salas subterrâneas para fugir aos bombardeamentos

O novo ano letivo já começou, mas como a cidade de Aleppo tem sido continuamente atacada pelas forças aéreas sírias e russas as crianças são incapazes de ir à escola e são obrigadas a ter aulas em caves e salas subterrâneas.

As agências humanitárias estimam que existam pelo menos 100 mil crianças presas em áreas mantidas pela oposição de Aleppo, na Síria.

“Elas estão presas e não têm como escapar. Este é o motivo pelo qual existem números tão elevados de mortes entre crianças”, disse Alun McDonald, porta-voz da organização não governamental Save the Children, citado pelo New York Times.

De acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos, só no mês de julho, 49 crianças foram mortas devido aos ataques de rebeldes.

Numa tentativa de sobreviver na cidade que é o epicentro da guerra civil da Síria, alguns alunos, tal como Nidal al-Aboud, de 13 anos, estão agora a ter aulas no subsolo porque milhares de escolas foram destruídas.

As aulas são realizadas numa cave apertada e mal iluminada, e os alunos não saem à rua para brincar na hora do recreio porque os ataques aéreos são cada vez mais frequentes, em Aleppo.

No entanto, de acordo com McDonald, ultimamente “os bombardeamentos tornaram-se tão intensos, com bombas tão potentes, que até os abrigos subterrâneos deixaram de ser seguros.”

“Estou com medo por causa dos aviões que nos atingem com os ataques aéreos. Um amigo meu foi morto no meu bairro, costumávamos brincar juntos. Um helicóptero largou uma bomba barril na casa dele e ele morreu”, descreve Nidal à Al Jazeera.

O pai de Nidal, Abdulkareem Aboud, destaca que o seu maior medo é que, um dia, o filho não volte para casa.

“Como pai, fico feliz quando vejo as crianças irem para a escola, mas devido aos bombardeamentos sinto que eu estou a enviar o meu filho para a morte“, afirmou.

Segundo o New York Times, as crianças de Aleppo também têm enfrentado uma grande escassez de comida e de remédios, e as cirurgias e as transfusões de sangue necessárias para tratar ferimentos de bombas são praticamente impossíveis.

A representante da UNICEF na Síria, Hanaa Singer, destacou que ainda não há números exatos de mortes de crianças no leste de Aleppo, mas esta é, definitivamente, “a pior situação que já vimos para as crianças”.

BZR, ZAP

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