(dr) Autumn de Wilde

Sophia Amoruso abriu o seu negócio online depois de ser apanhada em flagrante a roubar numa loja
A primeira coisa que Sophia Amoruso vendeu na internet foi um artigo que tinha roubado. Hoje, Sophia é directora geral da Nasty Gal, a loja online com maior crescimento nos Estados Unidos.
Uma desajustada que cresceu a odiar a escola, Sophia saiu de casa aos 17 anos com a intenção de viver anarquicamente e sem dinheiro em Olympia, no Estado de Washington, no extremo noroeste dos Estados Unidos.
Sophia diz que roubava para manter o seu estilo de vida – e “acordou” dessa realidade em 2003, depois de ter sido apanhada a roubar, e logo a seguir liberada.
“Eu aprendi da maneira mais difícil que optar por atalhos e viver de graça não é realmente viver livre”, conta.
Agora com 30 anos, Amoruso diz que os seus primeiros erros foram cruciais para a ajudar a transformar uma simples loja no eBay de venda de itens vintage em 2006 num negócio de US$ 100 milhões (cerca de 73 milhões de euros) com mais de 350 funcionários que vende roupas cool, novas e usadas, para milhões de mulheres à volta do mundo – a Nasty Gal.
“Foi como se me atirasse à como se manda um espaguete – para ver se cola”, diz ela.
Fora dos padrões
Está claro que Amoruso não é uma empreendedora típica, e é certamente diferente da legião de chefes da área tecnológica que migra para o Silicon Valley à procura de financiamento e riqueza.
Mas, após o incidente de 2003, Sophia muda-se para San Francisco, Califórnia.
Sem frequentar a faculdade, ela começa a trabalhar como segurança, verificando as identidades de uma escola de arte – emprego que ela aceitou por causa do seguro de saúde, já que possuía uma hérnia.
Entediada, decidiu então abrir uma loja no eBay para vender roupas vintage depois de ler o livro Starting an eBay Business for Dummies.
Sophia denominou a sua loja de Nasty Gal Vintage a propósito de uma canção e álbum da cantora de jazz Betty Davis, segunda esposa do lendário Miles Davis.
No seu livro de memórias, #GIRLBOSS, ela diz que o eBay era uma plataforma crucial porque aprendeu a responder a todos os comentários dos clientes, para realmente entender quem estava a comprar e o que queria. Isso permitiu-lhe ter mais sucesso que outros vendedores vintage.
‘Homens brancos velhos’
Depois de um conflito com outros vendedores do eBay, Sophia foi expulsa da plataforma de leilões, e comprou o domínio NastyGalVintage.com (NastyGal.com era propriedade de uma empresa pornográfica) e passou a comunicar com os seus clientes através de redes sociais como o MySpace e, também, Facebook e Twitter.
“As redes sociais permitiram-me conversar com os nossos clientes. Eu diria que foi a razão número um que nos deu consciência [sobre eles]”, acrescenta ela.
Isso colocou a sua marca à frente das concorrentes, empresas que estavam apenas a começar a perceber o poder das redes sociais para impulsionar os seus negócios.
“Todas as outras marcas de moda – incluindo aquelas que eu chamo de concorrentes – são dirigidas, na sua maioria, por homens brancos velhos, e o cliente sabe disso”, diz ela.
“Esta geração (o cliente) é super esperta – não importa quem contrata para gerir as redes sociais, se a pessoa que toma as decisões está longe do cliente”.
Amoruso diz que a Nasty Gal acumulou 1,2 milhões de seguidores no Instagram e outros milhões no Facebook criando agressivamente looks que “não se podem encontrar no shopping”.
Sophia foi pioneira na ideia de se produzir da cabeça aos pés, misturando o antigo e o novo, o caro e o barato, garantindo que o Nasty Gal não era apenas um site de venda de roupa, mas um estilo de vida que teria apelo para um certo tipo de mulher.
Paul TRapani / #GirlBoss

A Nasty Girl vende looks que não se encontram nos shoppings, diz Sophia Amoruso
Isso ajudou a construir lealdade – a maioria dos clientes são mulheres na faixa dos 20 anos que voltam com frequência ao site, comprando até 93% do stock da Nasty Gal pelo preço total. Metade dos negócios vêm de clientes que voltam ao site – algo quase inédito no setor de venda de roupa.
Negócio rentável
Mesmo depois da Nasty Gal começar a decolar – e passar de um pequeno escritório para um grande espaço em Los Angeles – Amoruso resistiu inicialmente a receber investimento externo, algo não muito comum entre as empresas de tecnologia, a maioria das quais não sendo rentáveis nos seus primeiros anos.
“Eu tive o luxo de um negócio rentável”, diz.
Isso permitiu que pudesse esperar o investidor certo – o que levou algum tempo.
“Quando decidi captar dinheiro, todos tinham as suas teses e estavam prontos a investir em qualquer empresa que fazia roupas para mulheres, mas sem nenhuma alma para isso”, diz ela.
Sophia finalmente encontrou o sócio certo em 2012, quando Danny Rimer, da Index Ventures, investiu US$ 9 milhões (cerca de 6,5 milhões de euros). Ainda assim, Amoruso mantém a maior fatia da empresa, o que lhe permitiu controlar a contratação das pessoas.
No entanto, Sophia acrescenta: “Foi só nos últimos seis meses que minha equipa teve ideias melhores que eu – o que é um alívio”.
Amoruso tem grandes planos para Nasty Gal – incluindo a abertura de lojas físicas de roupa ainda este ano. Ao mesmo tempo, sabe o quão atraente é a sua história de ascensão e faz questão de destacar o trabalho duro que está por trás das suas conquistas.
Como ela aconselha às futuras “raparigas chefes” no seu livro de memórias: “Não actue como se já lá tivesse chegado, quando está apenas recebendo o convite”.
ZAP / BBC