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O criador de um dos mais famosos vírus informáticos do mundo confessou o crime. Foi sem intenção

Em 4 de maio de 2000, o vírus informático “ILOVEYOU” foi libertado na Internet, deixando um rasto de destruição em milhões de computadores e várias acusações criminais. Vinte anos depois, um dos homens por trás do cibercrime falou pela primeira vez sobre o crime.

Um dos dois estudantes que desenvolveu o vírus, Onel de Guzman, foi localizado na cidade filipina de Manila, onde trabalha numa loja de reparações de telemóveis. Agora com 44 anos, Guzman falou pela primeira vez em anos sobre o vírus ILOVEYOU ao jornalista investigativo Geoff White para o seu novo livro sobre crime cibernético “Crime Dot Com”.

Tudo começou em 2000, quando Guzman estudava na AMA Computer University, em Manila, na esperança de aprender os truques do comércio e garantir um emprego no exterior no mundo florescente da tecnologia da computação.

Naquela época, a Internet nas Filipinas era paga por minuto e acedida através de senhas, mas Guzman era demasiado pobre para pagar por elas. Então, começou a trabalhar num código que lhe permitisse roubar as senhas de acesso à Internet, explicou, em declarações à BBC.

O vírus funcionava ao enviar um e-mail a pessoas inocentes com o assunto “ILOVEYOU” e o anexo “LOVE-LETTER-FOR-YOU.txt.vbs” Ingenuamente, esperando ler uma carta de amor, a vítima abriria o anexo, o que copiaria todos os arquivos e roubaria as senhas, antes de enviar automaticamente cópias do e-mail para todos os contactos no catálogo de endereços da vítima.

No entanto, a situação ficou rapidamente fora de controlo. Depois de ser enviado para um computador em Singapura, o vírus ILOVEYOU saltou de um computador para outro e disparou para fora do sudeste da Ásia em poucas horas, encontrando-se rapidamente nos sistemas de e-mail do Governo e de negócios em todo o mundo.

A taxa de propagação foi até 15 vezes mais rápida do que o chamado vírus “Melissa”, que invadiu a Internet um ano antes.

Até ao final da semana, estima-se que dezenas de milhões de computadores em todo o mundo ficaram infetados pelo vírus ILOVEYOU.

Guzman afirma que não sabia do caos que se estava a desenrolar até que a sua mãe lhe disse que a polícia estava à procura um hacker em Manila.

Com o Bureau Nacional de Investigação das Filipinas e a aplicação da lei internacional em alta, Guzman escondeu-se. Eventualmente, emergiu em 11 de maio de 2000 e realizou uma entrevista coletiva em Manila.

O homem de 23 anos mal faz contato visual com os repórteres, escondendo-se atrás de óculos de sol e cobrindo o rosto com uma toalha.

Todas as acusações contra Guzman e os seus colegas conspiradores em agosto de 2000 caíram, quando o departamento de justiça das Filipinas disse que as evidências eram insuficientes. Alé disso, não havia leis nas Filipinas contra a criação de malware de computador na época.

Agora, Guzman vive uma vida tranquila, trabalhando numa loja de reparação num shopping no distrito de Quiapo, em Manila. Porém, o legado da sua criação ainda pode ser visto na forma como os vírus e malware da Internet funcionam atualmente.

  ZAP //

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