Agência russa diz que a covid-19 matou três vezes mais em 2020 do que o reportado pelo Governo

Mário Cruz / Lusa

O número de mortes por covid-19 na Rússia, em 2020, foi quase o triplo daquele que o Governo divulgou inicialmente, segundo os dados da agência federal de estatística. A diferença nos números está relacionada com o método utilizado para contabilizar o número de óbitos.

A Rosstat, a agência federal de estatísticas russa, revelou que, no ano passado, morreram 162.429 pessoas infetadas com covid-19 na Rússia. Os números apresentados pela equipa encarregue pelo Governo da gestão do combate à pandemia apontavam para 57.555.

O Público explica que a diferença está relacionada com as diferentes metodologias que os dois organismos utilizam para contabilizar o número de óbitos causados pelo vírus.

Enquanto que a task force do Governo russo inclui as mortes causadas comprovadamente pela doença associada ao vírus SARS-CoV-2, a Rosstat contabiliza todas as mortes de pessoas que tenham contraído o vírus, e até casos suspeitos, independentemente da causa do óbito.

Os dados governamentais colocam a Rússia em oitavo lugar em termos de mortes, mas os novos dados catapultam o país para o quarto lugar a nível mundial. Só é superado pelo México, Brasil e Estados Unidos.

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que os países contabilizem todos os óbitos de pessoas infetadas com o novo coronavírus, “a não ser que exista uma causa de morte alternativa clara que não possa estar relacionada com a doença covid-19”, como por exemplo, um traumatismo.

O diário escreve que esta não é a primeira vez que a Rosstat desdiz as contabilizações de mortes atribuídas à covid-19. Em agosto, os números publicados pela agência apontavam para um número de mortes em maio e junho três vezes superior ao que vinha sendo reportado nos balanços diários.

Foram também detetadas inconsistências na forma como muitas regiões disponibilizavam os seus dados sobre óbitos causados pela covid-19. Na altura, alguns investigadores diziam que o receio de retaliação política por parte do Kremlin poderia estar por trás da relutância de governadores provinciais em divulgar balanços de mortes rigorosos.

“Essencialmente, todas as regiões russas estão a fazer o máximo para suprimir artificialmente a contagem de mortes”, disse em agosto, ao Moscow Times, o estatístico Mikhail Tamm.

“A forma mais inocente de o fazerem é distinguir mortes ‘por coronavírus’ de mortes ‘com coronavírus’ – em que a principal causa da morte é catalogada por outra doença crónica qualquer – e depois reportar apenas o número ‘por coronavírus’ como a estatística principal”, acrescentou.

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