Costa rejeita austeridade “hoje, amanhã e depois” (e anuncia redução do IVA nas máscaras)

José Sena Goulão / Lusa

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou esta quarta-feira, na Assembleia da República, que é preciso “evitar acrescentar crise à crise”, recusando assim “respostas de austeridade” face à pandemia de covid-19.

O líder do Executivo, que respondia a perguntas do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, no debate quinzenal desta quarta-feira, na Assembleia da República, disse que o Governo tem “um caminho” do qual não irá “arredar pé”.

“É preciso ter consciência de que esta crise não se pode resolver com respostas de austeridade. O que temos feito visa manter vivas as empresas, os postos de trabalho e o rendimento dos trabalhadores. Temos de evitar acrescentar crise à crise”, afirmou.

E acrescentou que “a prioridade” é manter o rendimento dos trabalhadores e as empresas que os sustentam. “Esse será o nosso caminho, daqui não iremos arredar pé”, frisou.

Governo não vai aplicar “austeridade” nem “hoje, amanhã ou depois de amanhã”, garantiu ainda o primeiro-ministro na resposta ao líder comunista.

“Escola já nunca mais vai ser aquilo que foi”

Em resposta ao grupo parlamentar do PS, o primeiro-ministro afirmou que o Governo espera anunciar no próximo dia 30 a data para o regresso às aulas presenciais nos 11º e 12º anos de escolaridade, depois de receber novamente os partidos.

O líder do executivo referiu que, no próximo dia 28, haverá nova reunião entre responsáveis políticos e parceiros sociais com os epidemiologistas, no Infarmed, onde se fará o ponto de situação sobre o combate à covid-19 em Portugal.

“Queremos ter a segurança para, no Conselho de Ministros de dia 30 podermos tomar decisões sobre o calendário de reabertura das aulas presenciais para os alunos. No dia 29, vou convidar todos os partidos para uma nova ronda de audições sobre o calendário de reabertura, numa estratégia de desconfinamento gradual e progressivo, na qual a componente escola não estará obviamente ausente”, disse.,

Ainda nesta questão sobre educação, o primeiro-ministro acentuou a ideia de que a escola, depois da atual crise sanitária, “já nunca mais será a mesma“. “Vai ser seguramente uma escola mais digital, onde os recursos digitais vão começar a fazer parte das ferramentas de trabalho do quotidiano entre aluno e professor, ainda que em sala de aula”.

António Costa disse ainda que, “em poucas semanas”, o país avançou “anos” no que respeita à literacia digital, deixando ainda um agradecimento aos cerca de 100 professores envolvidos no projeto da telescola que, não sendo “atores de televisão”, estão agora “a olhar para uma lente de televisão”, sem terem a “tarimba” de políticos ou atores e o hábito de se “exporem”, inclusivamente à “crítica cruel e mesquinha das redes sociais”.

Roteiro para reabrir a economia

Respondendo aos deputados no Parlamento, António Costa disse que o Governo deverá apresentar um plano para reabrir a economia na próxima semana.

“Temos estado a falar com os setores, com a AHRESP, com empresários dos setor do turismo, temos reuniões preparadas para os próximos dias, além das audições com os partidos e parceiros sociais”, começou por dizer.

É “importante” que o Governo tenha na próxima semana um “calendário” para apresentar aos portugueses: “Temos de estar todos preparados para recuar, se necessário”, disse, dando conta que, nas escolas e nos transportes, será necessário usar máscaras e que os restaurantes terão de ter lotação limitada e higienização reforçada.

Quanto ao alívio de restrições, Costa disse que será reavaliado de 15 em 15 dias, frisando que é agora importante  “reanimar a economia sem deixar descontrolar a pandemia”.

Por isso, as medidas deverão ser levantadas de forma “gradual” com que as medidas devem avançar, “com uma cadência de 15 em 15 dias”. “Deve ser progressiva, setor a setor, evitando a aglomeração em determinados locais, com uma gestão muito crítica da rede de transportes, através do desfasamento horário”.

Maio e junho serão “os meses de transição” para o “progressivo desconfinamento”.

Questionado pelo deputado do PSD Álvaro Almeida sobre a proposta do PSD que pedia a redução do IVA sobre as máscaras de proteção, luvas e gel desinfectante para 6%, António Costa revelou que, depois de consultar a União Europeia, o Governo pode avançar com a redução de IVA já na próxima semana.

“Nós iremos adotar esta medida, se não no Conselho de Ministros desta semana, no da próxima semana quer sobre as máscaras quer sobre os materiais de desinfeção”.

O anúncio de Costa foi aplaudido por alguns deputados do PSD, entre os quais Rui Rio.

ZAP // Lusa

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20 COMENTÁRIOS

  1. Quem paga a conta afinal?
    Costa ilude a questão, mas nem por isso ficamos mais descansados quanto ao futuro. Como se alguém gostasse de aplicar austeridade…
    É claro que os políticos gostariam era de distribuir dinheiros, privilégios, regalias, boas novas. Mas, infelizmente, isso não abunda. Então nesta crise profunda que o mundo mal iniciou, e que não sabe como nem quando vai acabar, dizer que não vai haver austeridade, das duas uma: ou este PM, tal como um seu antecessor, pensa que as dívidas não são para pagar, ou então está convencido que não haverá problema porque a UE cobrirá as despesas extra imprevistas.
    O povo, avisado, desconfiará de tanta solidariedade. Os povos europeus podem ser irmãos, mas , como dizia um padre, cada um come em sua casa

  2. O termo “austeridade” tem interpretações diferentes conforme o individuo/partido/ideologia.
    A “austeridade” que o costa refere é aquele tipo de austeridade “visível”. Cortes na despesa publica, cortes de salários públicos, investimentos públicos e outras coisas publicas (vulgo impostos pagos pelo povinho). Dar um aumento de 10€ e retirar-te por via de IRS e taxinhas diversas 15€.

    Mas há outras formas de austeridades que são “invisíveis” a olho nu (normalmente pelo povinho), aliás usadas e abusadas por este “senhor” e o “ronaldo do carcanhol” durante todo este tempo. Aumento de impostos, taxas e “taxinhas”, e o ex-libris da austeridade, CATIVAÇÕES!
    Para quem não sabe o que são cativações passo a explicar, cativação é aquilo que eles dizem que vão “investir” (gastar) mas que depois não gastam. É tipo eu dizer vou-te dar 5000€ de aumento até ao final do ano. Depois chega ao fim do ano e ganhaste um aumento de 100€. O resto ficou “cativado”. Entenderam?
    “Promessas de Costa”.

    PS: “abre os olhos mula que o caminho é cego”.

  3. Ele tem toda a razão. A austeridade não chega hoje, nem amanhã nem depois. Nem para a semana que vem nem mesmo para o próximo mês. Talvez lá para o segundo semestre e para o próximos anos. E vai ser a doer, penso eu de que!!

  4. Caros Governantes de Portugal e Europa…pensem em produzir e gastar o que é nosso! Se emitirem moeda?!: como não produzimos quase nada vai tudo diretinho para a china! e quanto aos funcionário Públicos já que não vão sofrer com os despedimentos nem reduções de ordenado pensem em trabalhar no mínimo como os do privado pois demoram uma eternidade para fazer o pouco trabalho que têm.

  5. Se esta afirmação fosse feita por Passos Coelho, caía-lhe meio mundo em cima a criticar, assim este senhor entretém-se a fazer esta afirmação por várias vezes com um sorriso nos lábios como se ainda não percebe-se que já vários milhares de famílias estão a viver em austeridade com falta de salários e rendimentos e ainda a festa vai no adro!

    • Mas esse “fazia” austeridade com todo o gosto e até se gabou de ir além da troika – isto enquanto esmifrava os portugueses e vendia Portugal ao desbarato a interesses estranjeiros!!
      Qualquer semelhança será pura coincidência!…

      • Claro que gente como você é incapaz de avaliar a situação que Passos Coelho “herdou”! Como é incapaz de ter noção da nece4ssidadde de ultrapassar a situação o mais depressa possível! Pena. que mal resolveu a questão, houve uma golpe palaciano para tirar proveito do esforço feito. Outro apareceu a gabra-se de ter feito o que não fez. Quero ver agora como irá “descalçar a bota”! Não dá para rir, porque iremos todos pagar a factura, mas se não fosse isso era mesmo cómico. Já não se fala dos hospitais a cair de podres, com falta de meios e pessoal, nem esquadras de polícia que mais parecem barracões. De repente, eis que nos encontramos no país prefeito: calado, confinado e resignado. Que jeitão deu o covid-19

        • Pois, coitadinho do Passos …
          “Passos Coelho: “Este programa está muito para além do memorando de entendimento” com a troika”
          Jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/passos_coelho_quoteste_programa_estaacute_muito_para_aleacutem_do_memorando_de_entendimentoquot_com_a_troika
          .
          “Pena que mal resolveu a questão…”
          Resolveu o quê?!
          Hahahaaaa….
          E, o tal “golpe palaciano” chama-se democracia!…
          Lamento que isso ainda seja confuso para as cabecinha mais limitadas….
          .
          Quem fez o esforço foi o povo; não foi esse inútil incompetente da JSD que nunca fez nada na vida e, agora até é professor universitário – embora tenha sido um aluno vergonhoso…
          .
          Se agora os hospitais estão a “cair de podres”, imagina como estavam o governo desse “salvador” Passos – quando o SNS teve o MAIOR corte no financiamento de sempre!!
          Tal como as esquadras da polícia, que passaram de hotéis de 5 estrelas no tempo que tiveram mais cortes, para “barracões” apenas porque mudou o governo….
          Enfim…

      • “Estranjeiro” é de facto bonito e revela bem o intelecto do seu autor.
        Enfim, só disparates mais uma vez.

  6. Pois foi além da troika, que pôs o país a acertar o passo do qual muito beneficiou o actual governo, quanto à venda de Portugal ao estrangeiro, faz agora 46 anos que andamos nessa venda, evitado tentares pôr água benta sobre quem na prática tem mais culpas do que qualquer outro, (refiro-me ao partido em especial).

    • Se “acertar o passo” foi vender o país ao desbarato e esmifrar os portugueses, sem dúvida que o Passos “acertou o passo”!
      Um bom exemplo foi o aumentou o IVA da electricidade para 23% enquanto, com o amigo Catroga, vendia a EDP aos chinocas!…
      Foi um grande “acertar o passo” – e o resultado está à vista!…
      Nunca, em 46 anos, se vendeu tanto o país como no tempo do “salvador” – é que nem há comparação possível!
      Não ponho “água benta” em ninguém – muito menos em partidos!!

      • Pois como exemplo, a venda das reservas de ouro começaram logo que a “democracia” nas mãos do Soares começou a dar em banca rota e intervenção do FMI entre outros, o partido já leva as três medalhas de intervenção externa que o país sofreu, depois essa conversa do Passos ir para além da troika, possivelmente deixou exemplo para agora o actual ministro das finanças ser um especialista em cativações, tendo levado sobretudo o sistema nacional de saúde a carências nunca vistas, estes apenas dois exemplos entre tantos outros. A distracção visual e de memória são traiçoeiras!

        • E fizeram muito bem em vender!!
          Primeiro porque essas de reservas de ouro nunca deviam existir enquanto boa parte da população vivia como sabemos – portanto fez todo sentido que tivessem sido usadas para melhorar as condições do povo/país e, segundo, Portugal ainda continua, em 2020, no top10 dos países com mais reservas de ouro do mundo.
          .
          Longe de mim estar a defender partidos, mas relativamente às intervenções do FMI em Portugal, convém ser minimamente honesto:
          Na 1ª, em 1977, o M. Soares era PM há apenas alguns meses.
          Na 2ª, em 1984, foi num governo do Bloco Central (PS e PDS) e o Ministro das Finanças era do PSD.
          E, a de 2011, foi o que se viu, com tanta culpa dos socialistas, como dos oportunistas que tinham outra agenda – o que, como se confirmou com os negócios da CTT, ANA, REN, EDP, etc, etc, e que, obviamente, não incluía o bem estar de Portugal nem dos portugueses!!…
          .
          O actual Ministro das Finanças (Centeno) passava na boa por ministro do Passos – é um pouco mais competente do que Gaspar, mas não muito diferente!
          E não é verdade que as carências do SNS venham deste ministro até porque no tempo do Passos o SNS teve o menor orçamento de sempre – bem inferior ao actual!!
          .
          A memória é traiçoeira, mas, felizmente, o acesso à informação tem melhorado bastante nos últimos anos.

  7. Pois, coitadinho do Passos …
    “Passos Coelho: “Este programa está muito para além do memorando de entendimento” com a troika”
    Jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/passos_coelho_quoteste_programa_estaacute_muito_para_aleacutem_do_memorando_de_entendimentoquot_com_a_troika
    .
    “Pena que mal resolveu a questão…”
    Resolveu o quê?!
    Hahahaaaa….
    E, o tal “golpe palaciano” chama-se democracia!…
    Lamento que isso ainda seja confuso para as cabecinha mais limitadas….
    .
    Quem fez o esforço foi o povo; não foi esse inútil incomptente da JSD que nunca fez nada na vida e, agora até é professor universitário – embora tenha sido um aluno vergonhoso…
    .
    Se agora os hospitais estão a “cair de podres”, imagina como estavam o governo desse “salvador” Passos – quando o SNS teve o MAIOR corte no financiamento de sempre!!
    Tal como as esquadras da polícia, que passaram de hotéis de 5 estrelas no tempo que tiveram mais cortes, para “barracões” apenas porque mudou o governo….
    Enfim…. claro que sou eu quem é “incapaz de avaliar”!…

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