Costa propõe Pedro Marques ou Elisa Ferreira para comissários europeus

Miguel A. Lopes / Lusa

Pedro Marques e o primeiro-ministro António Costa

O primeiro-ministro, António Costa, acatou o pedido feito pela presidente eleita da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que prometeu compor um novo executivo paritário, e avançou com dois nomes, de um homem e de uma mulher, para ocupar o cargo de comissário europeu: Pedro Marques e Elisa Ferreira.

Segundo noticiou o Público esta quinta-feira, o ex-ministro das Infra-Estruturas, que deixou o Governo para concorrer ao Parlamento Europeu (PE), e a atual vice-governadora do Banco de Portugal já estiveram reunidos na quarta-feira em Bruxelas com a futura líder europeia, que deu início esta semana a uma ronda de contactos – para já ainda informais – com as personalidades indicadas pelos Estados-membros para integrar a sua equipa.

“As reuniões que estão a decorrer esta semana são breves encontros informais, para apresentações. Não se trata de entrevistas de emprego oficiais, pelo que não faremos quaisquer comentários sobre elas”, respondeu um porta-voz da próxima presidente da Comissão Europeia.

Desde que o seu nome foi lançado como cabeça de lista do PS às eleições europeias que se comentava que Pedro Marques era, na verdade, candidato a comissário europeu, alegadamente com a tutela da política de coesão e desenvolvimento regional, o pelouro responsável pelo desenho e distribuição dos fundos estruturais europeus que sustentam mais de 80% do investimento público nacional, informou o Público.

O primeiro-ministro nunca desmentiu as notícias que davam conta da possível “promoção” de Pedro Marques à Comissão e, por isso, o seu encontro com Ursula Von der Leyen não constitui surpresa. Contudo, continuou o jornal diário, o facto de também Elisa Ferreira ter sido chamada para conhecer pessoalmente a futura presidente da Comissão sugere que o Governo poderá também estar apostado numa pasta económica.

António Costa afirmou várias vezes que o principal objetivo do Governo no processo de constituição da nova Comissão era uma pasta ligada diretamente aos interesses nacionais. Numa entrevista à Rádio Observador em meados de julho, disse que primeiro negociaria a pasta e depois pensaria na personalidade com o perfil mais adequado para o cargo.

Assim, a aposta em Elisa Ferreira faz sentido. A atual vice-governadora do Banco de Portugal causou um forte impacto político em Bruxelas, tendo recolhido rasgados elogios pelo trabalho que desenvolveu como eurodeputada no comité dos Assuntos Económicos e Monetários do PE, no auge da crise económica e financeiro que afetou a zona euro.

José Goulão / Wikimedia

Euro-deputadas do PS, Ana Gomes e Elisa Ferreira

Elisa Ferreira (que cumpriu dois mandatos no PE, deixando o cargo de eurodeputada em 2016, dois anos depois de reeleita pela segunda vez) esteve envolvida no processo de introdução do procedimento relativo aos desequilíbrios macroeconómicos, que permite sinalizar e vigiar os países com desequilíbrios excessivos, e ainda na criação do Mecanismo Único de Resolução, o sistema europeu para a resolução de bancos inviáveis.

Lista com homens a mais

Portugal é um dos nove países que ainda não oficializaram a sua escolha para a próxima Comissão Europeia. O secretariado do Conselho Europeu informou os Estados-membros de que o prazo para a apresentação das candidaturas termina a 26 de agosto, e o Público confirmou junto da equipa de transição de Ursula von der Leyen que essa é mesmo a data que está a ser considerada para a finalização do processo de composição da sua equipa.

Entre os 18 países que já nomearam candidatos, o balanço de género pende claramente para o lado masculino: há para já 12 homens e seis mulheres na lista de nomes entregue a Ursula von der Leyen.

A presidente eleita da Comissão Europeia não está obrigada a aceitar a proposta dos Estados-membros: depois de apelar aos chefes de Estado e Governo que lhe apresentassem duas alternativas, de um homem e de uma mulher, afirmou que não hesitaria em vetar algumas das escolhas nacionais, se estas comprometessem o seu objetivo de paridade no próximo colégio de comissários.

A ex-ministra da Defesa alemã, escolhida para dirigir o executivo comunitário a partir de novembro, também insinuou que os países que insistissem em apresentar apenas candidatos masculinos poderiam sair “prejudicados” no delicado processo de distribuição das pastas, uma vez que a prioridade na escolha poderia ficar reservada às mulheres.

Por enquanto, nenhum dos 12 países com candidatos masculinos avançou um nome alternativo. Mas o objetivo de uma comissão paritária ainda está ao alcance de Ursula von der Leyen, se seis Estados-membros avançaram com uma candidata feminina.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, deverá anunciar a sua escolha na próxima semana. Entre os três nomes dados como possíveis pela imprensa francesa estão duas mulheres: Sylvie Goulard, a primeira ministra da Defesa, e a atual titular da pasta, Florence Parly, bem como o negociador da União Europeia para o Brexit, Michel Barnier, que já por duas vezes desempenhou o cargo de comissário europeu.

TP, ZAP //

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