“Maioria absoluta é virtualmente impossível”

António Cotrim / Lusa

O secretário-geral do PS, António Costa

Em entrevista à SIC, o primeiro-ministro António Costa afastou pela primeira vez a pressão da maioria absoluta de forma definitiva, afirmando não acreditar que o PS possa conseguir governar sozinho.

O primeiro-ministro defendeu esta terça-feira que o cenário de uma maioria absoluta nas próximas eleições legislativas “é virtualmente impossível” dadas as características do sistema eleitoral e partidário em Portugal, mas ressalvou que “se surgir, melhor“.

Na parte mais política da entrevista que concedeu à SIC, António Costa considerou também “altamente provável” a reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa caso se recandidate nas eleições presidenciais de 2021.

Interrogado se tem como objetivo uma vitória do PS por maioria absoluta nas próximas eleições legislativas, o primeiro-ministro respondeu: “As pessoas que me conhecem sabem que eu considero que é virtualmente impossível a existência de uma maioria absoluta”.

“Com os nossos sistemas eleitoral e partidário, só em situações muito excecionais – situações excecionais que felizmente não existem -, as maiorias absolutas surgem. Agora, se surgir uma maioria absoluta melhor”, completou logo a seguir.

Depois da entrevista, em declarações prestadas antes de abandonar as instalações da SIC, António Costa procurou desdramatizar a questão da maioria absoluta do PS nas próximas eleições.

Governarei nas condições que tiver para poder governar e, quando eu disse que é virtualmente impossível a maioria absoluta, quem estuda ciência política sabe que um sistema eleitoral proporcional como nós temos não favorece a existência de maiorias”, argumentou. Mas fez logo a seguir fez uma nova ressalva: “Se me pergunta se eu não quero, claro que gostaria“.

“Agora que é improvável, é improvável. Não é condição necessária para governar, pelo menos nas circunstâncias em que hoje vivemos”, declarou, já depois de ter dito na fase de entrevista que “em equipa que ganha não se mexe” e de ter defendido a continuação da atual solução política de Governo na próxima legislatura.

“O meu objetivo é ganhar as eleições com o melhor resultado possível”, salientou, antes de se manifestar “muito satisfeito” com a prestação do seu ministro das Finanças e de referir que Mário Centeno ainda não lhe deu qualquer sinal de indisponibilidade no sentido de continuar no Governo na próxima legislatura, se o PS vencer de novo as eleições.

Em relação à uma recandidatura de Marcelo Rebelo Sousa nas eleições presidenciais de 2020, António Costa disse que, “a fazer fé” em recentes declarações do chefe de Estado, esse é o cenário mais provável.

“Pelo apoio popular indiscutível que tem, não é preciso ter as qualidades de analista político do professor Marcelo Rebelo de Sousa, caso se recandidate, é altamente improvável que não seja reeleito”, sustentou.

Em relação às eleições europeias de 26 de maio, o secretário-geral do PS assumiu como objetivo aumentar em relação aos 31,8% registados pelo seu partido no anterior ato eleitoral de 2014, quando os socialistas eram liderados por António José Seguro.

Nesta entrevista, Costa disse que o cabeça de lista socialista apenas será apresentado no próximo dia 16, durante uma Convenção Europeia do PS, e revelou que já falou sobre o assunto com o eurodeputado Francisco Assis.

“Já tive uma conversa com ele e terei novas conversas com ele e com vários militantes do PS. A lista será votada pela Comissão Política do PS na semana imediatamente a seguir à convenção. Agora, contaremos sempre com o Francisco Assis e tenho a certeza de que o Francisco Assis, como já disse, independentemente de ser ou não ser candidato, continuará a dedicar-se ativamente à causa do PS”, acrescentou.

Sobre as suas relações com a presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, o primeiro-ministro disse não admitir que uma pessoa escreva um artigo sobre si a acusá-lo de não ter caráter. “Há limites para o que estou disposto a ouvir“, advertiu.

Sobre o incidente que teve com Assunção Cristas no último debate quinzenal, justificou: “Não finjo que não entendo a pergunta insultuosa de saber se condeno ou não atos de vandalismo”.

Essa é uma pergunta que se faça a um primeiro-ministro? A mim ensinaram-me que quem não se sente não é filho de boa gente, tenho muito respeito pela memória do meu pai e da minha mãe. Portanto, há limites para tudo”, acrescentou.

ZAP // Lusa

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