Costa identifica desigualdade salarial como um “combate que não pode parar”

Mário Cruz / Lusa

O primeiro-ministro António Costa identificou a desigualdade salarial como um problema persistente da realidade laboral portuguesa e assumiu que é a sua principal prioridade para as legislativas.

A discursar esta sexta-feira em Viseu, naquela que foi a primeira de quatro convenções do Partido Socialista na preparação para as legislativas, António Costa alertou para as desigualdades salariais existentes e reiterou que o “combate não pode parar“.

“Apesar da diminuição desde 2013, nós continuamos a ter uma desigualdade de rendimentos acima da média europeia e, se queremos convergir, não podemos convergir só quanto às contas certas e ao crescimento. Temos também de convergir em matéria de menor desigualdade”, disse o secretário-geral do PS.

António Costa remeteu para os anos que passaram desde o 25 de abril, mas que apesar disso continua a haver uma grande discrepância nos salários entre homens e mulheres. “É uma desigualdade em que as mulheres ganham menos 18,3% do que os homens para a mesma função e essa desigualdade é maior quando estamos a falar de profissionais mais qualificados ou quadros superiores”, explicou.

O primeiro-ministro corroborou o seu discurso com vários gráficos e ainda contou com as declarações da secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade. Rosa Monteiro anunciou que no dia 27 serão apresentados os primeiros resultados da nova lei que obriga as empresas a não enviesarem as grelhas salariais dos seus trabalhadores “sob o ponto de vista do género”.

Segundo o jornal Público, Costa realçou ainda que o nível de escolaridade tem uma grande influência na diferença salarial. “Em Portugal, o facto de ter ou não ter o ensino secundário completo significa uma diferença de 70% no vencimento, enquanto na União Europeia é 50%”, disse.

Numa retrospetiva da última legislatura, o líder socialista falou das políticas que “permitiram criar mais empregos, mais justiça fiscal e aumentar o salário mínimo”. No entanto, “há sempre novos desafios que ameaçam pôr em causa a igualdade já conquistada”, acrescentou.

“Hoje temos um quadro num cenário macroeconómico que é o que resulta do Programa de Estabilidade e, portanto, não nos podemos comprometer a fazer nada que não tenhamos a certeza de que vamos poder cumprir ao longo dos próximos quatro anos”, concluiu.

Depois de Viseu, as próximas convenções do PS serão em Faro, Portalegre e Braga. As alterações climáticas, a demografia e a sociedade digital serão temas de destaque dos socialistas.

ZAP //

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