Há uma nova hipótese que explica o desaparecimento dos corpos na batalha de Waterloo

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Antonio Ponte / Flickr

O uso das ossadas humanas para a produção de fertilizantes era comum na época e um novo estudo sugere que as sepulturas das vítimas da batalha podem ter sido saqueadas para este efeito.

Ainda há muito por descobrir sobre a histórica batalha de Waterloo, que pôs fim ao Império Francês de Napoleão e foi uma das mais sangrentas de sempre, tendo 50 mil soldados sido mortos, feridos ou capturados.

Apesar de toda esta carnificina, apenas um esqueleto completo de um soldado que sucumbiu na batalha foi encontrado até aos dias de hoje. O que aconteceu aos restantes? Um novo estudo publicado na Journal of Conflitc Archaeology procurou responder a esta pergunta.

A pesquisa baseou-se nos registos escritos e na arte criada pelos primeiros visitantes, que indicam que os soldados mortos foram enterrados em enormes valas comuns, cada uma com milhares de corpos, revela a Discover.

“Os corpos dos mortos foram claramente depositados em várias localizações pelo campo de batalha, pelo que é um tanto surpreendente que não exista um registo credível de alguma vez ter sido encontrada uma enorme sepultura”, revela Tony Pollard, autor do estudo e diretor do Centro da Arqueologia de Batalhas da Universidade de Glasgow.

O investigador decidiu assim reunir as notícias de jornais a época para mostrar que era comum que as pessoas saqueassem os corpos e ossos humanos para criarem fertilizantes. “Os campos de batalha europeus podem ter sido uma fonte conveniente de ossos que podem ser moídos para fazer farinha de ossos, que são uma forma eficaz de fertilizante”, revela.

“Muitos iam para roubar os pertences dos mortos, alguns até roubavam os dentes para fazerem dentaduras, enquanto outros iam simplesmente para verem o que acontecido. É provável que o agente de um fornecedor de ossos aparecesse no campo de batalha com expectativas altas de assegurarem o seu prémio”.

Posto isto, o especialista acredita que os corpos terão desaparecido por terem sido roubados para a criação de fertilizantes. No entanto, Pollard joga à defesa e lembra que ainda não há provas diretas nas sepulturas que indiquem isto.

“O próximo passo é voltar a Waterloo, tentar encontrar os sítios das sepulturas indicados nos testemunhos dos primeiros visitantes. Se os restos mortais humanos tiverem sido removidos na escala proposta aqui, deve existir, pelo menos em alguns casos, provas arqueológicas das covas de onde foram tirados”, remata.

  ZAP //

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