Para construir robôs ágeis, os investigadores querem dar-lhes “dedos” de lagartixa

As lagartixas são capazes de feitos extraordinários de locomoção, andando em paredes verticais com facilidade e até percorrendo curtas distâncias pela água. Os investigadores estão a estudar essas caraterísticas para, um dia, criar robôs mais ágeis.

As lagartixas são conhecidas por serem experientes em escalada, capazes de se colarem em qualquer superfície, graças às pequenas estruturas parecidas com pêlos na parte inferior das suas patas.

Os pequenos lagartos também conseguem deslizar pela superfície da água em alta velocidade para esquivar-se dos predadores. Porém, não o conseguem fazer durante muito tempo, porque o gasto de energia necessário é muito grande.

Este trabalho baseia-se num estudo de 2018 de Robert Full, biofísico no laboratório da Universidade da Califórnia. Segundo o estudo, estas criaturas usam mecanismos diferentes, dependendo do tamanho. Os animais mais pequenos e leves dependem inteiramente da tensão superficial para permanecer à tona, enquanto os lagartos maiores e mais pesados empregam um movimento de palmadas nos pés, criando bolsões de bolhas de ar para não afundar.

As lagartixas são um intermédio: são demasiado grandes para depender apenas da tensão superficial e demasiado pequenas para gerar força suficiente para percorrer a superfície da água sem afundar. No entanto, conseguem fazê-lo à velocidade da luz – quase um metro por segundo.

Yi Song

Quando Full e a sua equipa investigaram as lagartixas, descobriram que os lagartos do tamanho de um rato usam uma combinação de tensão superficial e um movimento de batida para atravessar a água.

De acordo com um novo estudo publicado na revista científica Proceedings of Royal Society B, a capacidade das lagartixas de reorientar os seus dedos flexíveis é um fator importante, permitindo que se realinhem e se ajustem às mudanças na gravidade.

A equipa voltou a sua atenção para a questão de por que os dedos das lagartixas só “colam” numa direção. “Um grande desafio é a determinação de como o controlo adesivo dos dedos modula rapidamente as forças dos pés que facilitam a fixação confiável e a rápida locomoção, especialmente em substratos naturais”, escreveu o autor, em comunicado.

A equipa usou 14 lagartixas Tokay nas suas experiências. Construíram uma pista vertical para estudar a orientação dos dedos dos pés durante o movimento. Os animais corriam em direções ortogonais ao longo de uma parede e de lado por superfícies escorregadias e hastes de acrílico alinhadas verticalmente. Os dedos acendiam-se quando tocavam numa determinada superfície para destacar as regiões de contacto, graças a uma técnica chamada reflexão interna total frustrada.

A equipa adicionou remendos escorregadios e superfícies irregulares para estudar a forma como os dedos se adaptavam às mudanças de terreno e construiu um aparelho para medir com que força os dedos de uma lagartixa seguravam uma haste de acrílico quando o pé era puxado.

Yi Song

A equipa descobriu que as lagartixas conseguiam correr para os lados tão rapidamente quanto subiam graças à capacidade de realinhar os dedos dos pés.

Ter vários dedos mostrou-se útil ao ajustar para superfícies escorregadias ou irregulares. Os dedos que mantiveram contacto com a superfície conseguiram mudar a orientação e distribuir melhor a carga. Como os dedos são macios, os animais poderiam adaptar-se mais facilmente a superfícies ásperas.

“Os dedos permitiram uma locomoção ágil, distribuindo o controlo entre várias estruturas redundantes e compatíveis que atenuam os riscos de se deslocar em terrenos difíceis. O controlo distribuído mostra como a adesão biológica pode ser implantada com mais eficiência e oferece ideias de design para novos pés de robô, pinças novas e manipuladores exclusivos”, concluiu Full.

Este trabalho pode, um dia, ajudar a melhorar o design de robôs de inspiração biológica.

ZAP ZAP //

 

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12 COMENTÁRIOS

  1. Das duas uma: ou mudam o texto ou a fotografia. A foto que acompanha o texto é de um réptil chamado “osga” não tem nada a ver com a lagartixa. Pela foto e pelas características apresentadas parece-me uma osga que eu desde miúda estou habituada a ver fazer as acrobacias de que fala o texto.

  2. Para o jornalista que redigiu esta notícia! É urgente mudar o nome do animal não é uma lagartixa é uma OSGA!!!!!!

  3. Então a designação de lagartixa-tokay tinha que ser usada porque a simples designação de “lagartixa” não se refere à foto do animal publicada. Investiguem e vejam que tenho razão.

    • Isto deveria ser bem escalpelizado. Hoje nem durmo só de pensar nesta questão. Até acho que se deveria fazer participação ao ministério público para investigar a fundo esta estranha relação preferencial do ZAP com o lobby das lagartixas. Que interesses se movem por trás? Quanto é que o ZAP recebeu de publicidade da ALP (Associação das Lagartixas de Portugal)? Quem são os familiares da ALP que compõem a redação do ZAP? Há membros da direção da ALP a beneficiar de avenças por parte do ZAP? Alguém da ALP vendeu algum imóvel ao desbarato a um quadro do ZAP?
      Seria bom que estas perguntas não ficassem sem resposta.

      • É uma promiscuidade que nunca mais acaba. Provavelmente alguma lagartixa tem um imóvel em Paris em nome de um membro do ZAP.

      • Respostas à ignorante: quando não se percebe de um assunto, goza-se de quem percebe e menospreza-se o valor do conhecimento alheio.

        Desculpe lá mas não encontrámos nada sobre futebol para você poder participar dos comentários. Para a próxima não falha…

    • Cara leitora,
      Efetivamente, o ZAP vive no constante dilema de ter assumido a responsabilidade de escrever simples para divulgar as maravilhas da ciência aos mais leigos, mas ter também assumido a não menos importante responsabilidade de o fazer com o rigor científico que os entendidos nos exigem 😐

  4. Peço desculpa, não era minha intenção provocar tanta celeuma, nem sequer pôr em causa o vosso trabalho que considero muito digno. Interesso-me por assuntos científicos e foi por isso que li esta vossa notícia. Mas, quando li o título e o confrontei com a imagem exclamei: Mas isto não é uma lagartixa é uma osga! Há aqui qualquer equívoco! Isto porque ,como expliquei, convivi com estas duas espécies desde muito pequena e, para mim, só as osgas conseguem andar nos tectos devido às características das suas patas. Investiguei e vi que o animal em causa é realmente designado como lagartixa- tokay. Mea culpa! A bem da verdade esta notícia deu origem a comentários muito espirituosos. Obrigada pela criatividade até foi criada uma associação. Vivam as Lagartixas!

  5. Caro ZAP e cara Maria Martinho, o que a Maria diz está totalmente correcto. Em termos científicos, as osgas e as lagartixas são duas famílias diferentes da ordem dos Sáurios, da classe dos Répteis. Em Portugal concretamente temos várias espécies de lagartixas tais como Podarcis hispanica, Psammodromus algirus. Temos outras espécies de lagartos maiores como Lacerta lepida (Sardão) ou Lacerta schreiberi (lagarto de água). Mas da família das osgas, ou “geconídeos” (do Latim Gekkonidae), temos apenas duas espécies: Tarentola mauritanica (mais comum) e Hemidactylus turcicus (mais rara). Daí o nome inglês para Osga: Gecko.

    Ora tanto a imagem como o texto deste artigo, se referem precisamente a geconídeos. Só os geconídeos (Osgas) têm precisamente este tipo de dedos aderentes a superfícies lisas. Concretamente o artigo refere-se à espécie Gekko gecko e lamento, o nome comum em Português de Portugal para esta espécie, é “Tokay Gecko” e é considerado uma Osga: https://sites.google.com/site/vtreptiles2011/artigos/factos-e-supersticoes-sobre-geckos

    Em “brasileirês” é que chamam “Lagartixa Tokay”. Há de confirmar que todos os sites onde aparece essa tradução, são Brasileiros.

  6. Miguel Queirós, agradeço ter saído em minha defesa, não só por mim mas por todos o que lerem este texto. Não estava tão documentada como o senhor e ,por isso, apenas me servi do muito importante “saber de experiência feito” tal como Camões muito bem definiu tudo o que a vida nos ensina. Alguns dos comentadores pensaram que eu estava aqui a defender o sexo dos anjos, espero que depois de lerem o seu texto percebam melhor a razão de ser da minha insistência. Vale sempre a pena persistir a bem da verdade! Obrigada!

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