Venezuela. Militares disparam contra civis e fazem dois mortos e vários feridos

Cristian Hernandez / EPA

Confrontos na fronteira entre a Venezuela e o Brasil fizeram um morto e vários feridos esta sexta-feira. A tensão aumentou quando um grupo de cidadãos tentava manter aberta parte da fronteira sul do país.

A notícia está a ser avançada pelo The Washington Post, que cita testemunhas oculares. Segundo a imprensa venezuelana, um morto – uma mulher de 42 anos – e pelo menos 15 feridos é o balanço inicial de confrontos entre soldados venezuelanos e civis.

Às 6h30 da sexta-feira, (11h30 em Lisboa) um comboio militar aproximou-se de um posto de controlo improvisado e mantido pela comunidade de Kumarakapai, sul do país, localidade que fica na principal artéria que liga a Venezuela ao Brasil. Segundo o jornal, quando a população tentou impedir os militares de avançarem, imediatamente foram disparados tiros na sua direção.

Segundo o site venezuelano, El Estimulo, a mulher de 42 anos que foi atingida de forma fatal chamava-se Zorayda Rodriguez e era uma vendedora de empadas que se encontrava por acaso na zona dos confrontos.

Assim que os tiros foram ouvidos, dezenas de pessoas acorreram às ruas e três soldados venezuelanos acabaram sequestrados pela população. Um deles, avança a imprensa venezuelana, é o general José Miguel Montoya Rodríguez.

Carmen Elena Silva, de 48 anos, disse ao jornal: “A maioria de nós apoia a entrada de ajuda humanitária na Venezuela e queremos manter as nossas fronteiras abertas”, afirmou. “Isto é ajuda, não guerra. Todos os dias há mais crianças a morrerem.”

O aeroporto de Santa Elena foi tomado pela Guarda Nacional, está a avançar uma jornalista venezuelana através do Twitter. Cerca de 40 pessoas, todas pertencentes à comunidade indígena de Waramasen, rodearam a polícia. Ouvem-se disparos, de acordo com o Observador.

Junto à fronteira, o povo não desmobiliza, tentando manter as fronteiras abertas para que a ajuda humanitária chegue. “Estão a matar-nos à fome” é o cântico mais entoado.

Segundo o jornal brasileiro O Globo, duas ambulâncias venezuelanas com três pessoas feridas, duas na sequência de ferimentos com balas, cruzaram a fronteira do Brasil por volta das 9h00 (14h00 de Lisboa) desta sexta-feira.

Apesar do bloqueio, os militares venezuelanos permitiram a passagem dos veículos que transportam alguns dos feridos do confronto. Ainda assim, uma das pessoas feridas, Rolando García, foi declarado morto no Hospital de Pacaraima, no Brasil. Há ainda três vítimas em estado grave entre os feridos confirmados. Todos são indígenas.

A administração Trump condenou o tiroteio na fronteira Venezuela-Brasil por comunicado: “Os Estados Unidos condenam as mortes, ataques e as centenas de detenções arbitrárias que têm acontecido na Venezuela. Estamos do lado dos familiares das vítimas em exigir justiça e responsabilidade”.

Fontes de Maduro afirmou que o governo está a preparar um processo contra a comunidade kumaracapay, o deputado da Assembleia Nacional Americo de Grazia, Ricardo Delgado e o governador Emilio Gonzalez. Vai acusá-los de crimes contra a humanidade.

Batalha de concertos pró-Maduro e contra Maduro

Enquanto ocorrem estes confrontos, há várias pessoas que estão neste momento a caminho do local onde vai acontecer um concerto “Venezuela Live Aid”, na Ponte Internacional Tienditas em Cucuta, Colômbia.

O concerto foi organizado pelo multimilionário Richard Branson a fim de ganhar dinheiro para ajudar os populares venezuelanos. Mas isso abriu outro tipo de guerra: uma batalha de concertos entre artistas a favor de Maduro e outros contra ele.

No cartaz do “Live Aid”, a favor da oposição a Maduro, estão Alejandro Sanz e Miguel Bosé, os colombianos Juanes e Carlos Vives, os venezuelanos José Luis Rodríguez El Puma, Nacho, Chyno Miranda e Carlos Baute, a banda mexicana Maná e Luis Fonsi, de Porto Rico.

Perante esta iniciativa, Maduro marcou outro espetáculo na ponte Simón Bolívar, a mesma que 35 mil pessoas atravessam diariamente para chegar à Colômbia em busca de comida e medicamentos.

ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Este louco nega medicamentos ao seu povo (mesmo que oferecidos) e agora atira sobre eles a matar. A ONU tem que pôr mãos nisto. Este tirano tem que ser julgado tal como o foi o ex-presidente iraquiano.

  2. Será que a população não limpou o general assassino do genocida viado Maduro?!!! Se não o fizeram, deviam-no ter feito!!!!!! Gravata e Levitação a 1 metro do solo…..merecia tratamento igual ao que fizeram a Zorayda Rodriguez, Rolando García e mais as vítimas em estado grave entre os feridos confirmados…. Socialismo e comunismo e nazismo são iguais(miséria, morte e destruição total)….

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