Conflito entre China e Índia na fronteira dos Himalaias mata 20 militares. Pequim pede tréguas

O exército indiano anunciou esta terça-feira a morte de 20 militares num confronto com tropas chinesas na fronteira disputada dos Himalaias, referindo ainda que os dois lados “se separaram” da área disputada de Galwan, onde se enfrentaram durante a madrugada. Esta quarta-feira, o Governo chinês pediu tréguas.

A China acusou as forças indianas de realizaram “ataques provocadores” às suas tropas e ainda não anunciou nenhuma baixa do seu lado. Segundo o Global Times, o país optou por não divulgar se houve baixas do lado chinês para evitar comparações e impedir nova escalada.

O confronto é o primeiro com vítimas mortais entre os dois gigantes asiáticos desde 1975.

Vivek Katju, um diplomata indiano reformado, disse que o conflito foi um abandono dramático de quatro décadas de tropas dos dois países a enfrentarem-se sem fatalidades. “A classe política e de segurança como um todo vão ter de pensar seriamente no caminho que têm pela frente”, afirmou.

Soldados dos dois países têm mantido, desde o início de maio, confrontos ao longo da fronteira, principalmente nas regiões a alta altitude do norte da Índia.

 

China pede tréguas

O Governo chinês disse esta quarta-feira que espera chegar a um acordo pacífico com a Índia, depois de confrontos em território disputado pelos dois países nos Himalaias ter deixado 20 soldados indianos mortos.

“Os dois lados concordaram em resolver esta questão por meio do diálogo e consulta, e a realizar esforços para facilitar a situação e salvaguardar a paz e a tranquilidade na área fronteiriça”, disse o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Zhao Lijian. “Do lado chinês, certamente não queremos mais confrontos” com a Índia, garantiu.

O porta-voz pediu à Índia que evite “gestos provocativos, suscetíveis de piorarem a situação” e repetiu reivindicações chinesas de que os confrontos, nos quais um oficial indiano e 19 soldados foram mortos e muitos mais feridos, ocorreram depois de as tropas indianas terem provocado e atacado pessoal chinês.

As forças de segurança indianas garantiram que nenhum dos lados usou armas de fogo durante o confronto travado na região de Ladakh. Durante os confrontos, os soldados usaram sobretudo paus e canas de bambu, assim como o arremesso de pedras.

Índia e China disputam o território, desde há muito tempo, nas regiões de Ladakh e Arunachal Pradesh, mas nem sequer estão de acordo sobre a extensão da sua fronteira comum. A Índia diz que a extensão é de 3.500 quilómetros, a China aponta para apenas 2.000 quilómetros.

A China reivindica cerca de 90 mil quilómetros quadrados de território no nordeste da Índia. A Índia diz que a China ocupa 38 mil quilómetros quadrados de território no planalto de Aksai Chin, na região dos Himalaias, uma parte contígua da região de Ladakh.

A Índia declarou unilateralmente Ladakh um território federal em agosto de 2019. A China foi dos poucos países a condenar fortemente a medida, referindo-a em fóruns internacionais, incluindo no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Em 1962, China e Índia envolveram-se numa guerra por causa da fronteira dos Himalaias, tendo chegado a um acordo de cooperação na década de 1980. Desde então, verificam-se pontualmente diferendos.

ZAP // Lusa

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