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Campo de Lesbos inundado após chuvas torrenciais. Tem “condições piores” do que Moria

Uma voluntária portuguesa que está na ilha de Lesbos relatou à TSF as precárias condições em que vivem os nove mil refugiados. Uma situação que se revela muito pior, comparada com a que os migrantes tinham anteriormente em Moria. Esta noite, os residentes do novo campo foram surpreendidos por chuvas torrenciais que inundaram várias tendas.

Um mês depois do devastador incêndio que ocorreu no campo de refugiados de Moria, a ilha grega de Lesbos retomou a normalidade possível para os migrantes. Inês Avelãs, voluntária da Organização Não Governamental Fénix Humanitarian Legal Aid, contou o que tem visto à TSF, e afirma que neste momento “Já não há ninguém a dormir nas ruas”.

A jurista portuguesa que está a fazer voluntariado no local explicou que “houve pessoas que foram transferidas para a Grécia continental, especialmente as que já tinham recebido o estatuto de refugiado ou outro tipo de proteção internacional”.

Os restantes migrantes que ficaram sem teto devido ao incêndio, acabaram por entrar no novo campo de Kara Tepe, apesar da relutância de muitos. “Os processos (de asilo) não podiam continuar se as pessoas não entrassem”, referiu Inês Avelãs.

De acordo com o testemunho da portuguesa, estão no campo cerca de 9000 pessoas que vivem em condições extremamente precárias. “As condições, se não são piores do que as de Moria, são igualmente más”, compara a voluntária que está na ilha desde agosto.

Uma das preocupações da jurista é o facto do “chão ser de terra e as tendas são ao nível do mesmo”, o que faz antever um inverno de lama que deverá acabar por inundar as tendas, numa altura em que já “começou a chover”.

E parece que as preocupações da portuguesa não podiam estar mais certas. Na madrugada passada, o campo de migrantes na ilha de Lesbos ficou inundado após fortes chuvas. A tempestade, que durou várias horas, segundo fontes do Ministério das Migrações grego, inundou 80 das 1100 tendas do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) que abrigam cerca de 8.500 pessoas.

De acordo com o ministério grego, o trabalho de preparação do novo campo para o inverno está a progredir rapidamente.

A proximidade do mar é um problema e pode te ajudado a propagar as inundações das últimas horas. De acordo com o que Inês tem observado, algumas zonas do campo de Kara Tepe estão apenas a dois metros da água, separadas por um muro de 50 centímetros.

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No que diz respeito à alimentação, Inês garante que “ocorre apenas uma vez por dia e os migrantes têm de esperar horas” nas filas com as pessoas “muito amontoadas”.

As condições de salubridade também são deficientes, pois “houve um aumento de casas de banho químicas, mas muitas estão inutilizadas devido à sujidade e a problemas que tiveram” explica a portuguesa acrescentando que “não há chuveiros” e que “algumas pessoas têm de tomar banho no mar“.

ZAP //

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