Colégio financiado pelo Estado tem 27 escolas públicas próximas

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Instalações do Externato Liceal Paulo VI, em Gondomar

Instalações do Externato Liceal Paulo VI, em Gondomar

O estudo da rede escolar privada pedido pelo Governo revela que há um colégio financiado que tem ao lado uma escola pública com metade das salas vazias, e um colégio com 27 estabelecimentos públicos a menos de dez quilómetros.

As informações constam da Análise da Rede de Estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo com Contrato de Associação, publicada esta terça-feira pelo Ministério da Educação no portal da Direção-Geral de Estatísticas de Educação e Ciência.

Este é o estudo que fundamenta o corte de 57% nos contratos de associação para turmas em início de ciclo – 5.º, 7.º e 10.º anos de escolaridade – já no próximo ano letivo.

O estudo revela o universo de escolas públicas na área de influência dos colégios – dez quilómetros ou menos de distância – assim como estimativas do tempo necessário para as deslocações a pé ou de carro, e o nível de ocupação dos estabelecimentos públicos.

De acordo com o estudo agora publicado, há casos como o do Externato Liceal Paulo VI, localizado em Gondomar, que tem à sua volta 27 escolas públicas.

Cinco destas escolas, refere o estudo, têm um rácio de ocupação no nível mais baixo, que representa quase duas salas para cada turma da escola, ou seja, metade da sua capacidade.

O colégio Ancorensis, em Viana do Castelo, tem uma escola pública a “zero quilómetros”, com capacidade para receber as turmas de 3.º ciclo que deixam de ser financiadas neste estabelecimento.

A escola pública em questão – Escola Básica do Vale do Âncora – apresenta também o nível de ocupação mais baixo.

Em Lamego, o Externato D. Afonso Henriques deixará de ter turmas de início de ciclo com contrato de associação, por ter nas imediações duas escolas públicas com capacidade para receber turmas, uma das quais requalificada pela Parque Escolar e que se encontra também com o nível mais baixo de ocupação.

Nos casos em que as escolas privadas aparecem listadas entre as que abrem turmas de início de ciclo no próximo ano letivo, as justificações apresentadas pelo ME são, sobretudo, a ausência de escolas públicas na área de influência destes colégios, ou terem um nível de ocupação que não permite acolher mais alunos.

No total, em 2016-2017, apenas vão abrir 273 turmas de início de ciclo com contrato de associação, menos 57% do que as 656 turmas que abriram em 2015-2016, o que representa um financiamento máximo de 21.976.500 euros (80.500 euros por turma).

Em 2015-2016, os encargos do Estado com financiamento de turmas com contratos de associação em início de ciclo foram de quase 53 milhões de euros, de acordo com os números do ME.

ZAP / Lusa

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12 COMENTÁRIOS

  1. Se o Governo quer poupar alguns euros, tem que fazer como as empresas privadas, dispensar (colocar no desemprego) os professores com horário zero que estão a receber e bem, para não fazer absolutamente nenhum. Pode ser que assim, saibam o que é a vida e procurem outras áreas de atividade…

  2. Acho bem, encerre-se então aquele em que os docentes que não pagam cotas à Fenprof, e deixe-mos os outros 27 quietinhos que é onde tudo funciona como deve ser ahah!! ah e já agora se uma turma tem cerca de 25 alunos, agarrem e distribuam um por cada escola. isso no excel do ministro Mário é um instante.

  3. Não tenho nada contra ou a favor da escola pública versus escola privada, mas argumentar que há “um colégio com 27 estabelecimentos públicos a menos de 10 quilómetros” é o mesmo que dizer que há 27 estabelecimentos públicos e um colégio a menos de 10 quilómetros, ou não é?
    Porque se gastou dinheiro público a fazer 27 estabelecimentos públicos e um privado, para ser usado a “metade da sua capacidade”?

  4. Ó Faz Contas, o que devias estar a perguntar era: ‘se já havia 27 estabelecimentos públicos num raio de 20Km para cada lado, como é que alguém teve a brilhante ideia de abrir um privado lá no meio e depois ainda ter a lada de ir pedir subsídios ao governo… a não ser que já soubesse que os amiguinhos do PSD fossem depois atirar-lhe dinheiro para cima para esvaziar as outras escolas à volta, pois assim é fácil lucrar com o ensino privado. Assim também eu.

  5. Uma vez que existem escolas públicas acho bem que sejam encerrados os colégios privados, se os “papas” pretendem que os meninos lá andem , então que paguem, não sou eu e outros tantos milhões que temos de suportar isso

  6. O governo terá sobretudo que se ocupar em dar qualidade de ensino aos alunos e pelos vistos por casmurrice ideológica vai eliminando provas ou exames quer a professores quer a alunos, por outro lado os pais desejam para os filhos melhor qualidade e estabilidade coisa que por este andar o ensino público cada vez menos garante, se as escolas públicas estão ao lado das privadas e ás moscas é uma prova da falta de confiança dos pais nessas escolas nesse caso afirmem-se pela positiva e demonstrem ao país o que valem e que não temem a concorrência.

  7. Epá isto é simples, acaba-se a mamã e os pais riquinhos se quiserem os filhos em colégios privados, pagam do próprio bolso e mais nada!!!!
    É que nem tem conversa…

  8. Os pais não deixam de poder optar entre o ensino público e o privado; passam é a pagar do próprio bolso caso optem por pôr os filhos num colégio particular! Aliás sempre assim foi.

  9. O engraçado é que são os pais riquinhos (os que estudaram mais, trabalham mais, investiram mais, arriscaram mais, e que geram emprego aos demais) que mais contribuem tanto para a escola pública como a privada, ou quem é que vocês pensam que paga os cerca de 5 mil euros que custa ter uma criança na escola pública? Com os impostos de alguém cuja bitola se situa ligeiramente acima de ordenado mínimo paga, não é certamente. O Estado que se dedique exclusivamente a sacar impostos (que é o que sabe fazer melhor), às infraestruturas essenciais e ao apoios sociais, e deixem as pessoas escolherem onde querem dormir, o que querem vestir, onde querem comer, etc…, e já agora, ONDE QUEREM ESTUDAR!

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