Ruas cheias e impaciência. O “cocktail” que explica a violência nas noites de Porto e Lisboa

As autoridades policiais estão preocupadas com a escalada de violência nas noites de Porto e Lisboa. A euforia pós-pandemia e a impaciência nas filas de espera podem explicar este fenómeno.

A vida noturna regressou quase totalmente no início deste mês, com os bares a voltarem aos antigos horários e as discotecas a reabrirem. No entanto, este regresso à normalidade veio acompanhado por um lado negro. Têm-se multiplicados os episódios de violência nas noites de Porto e Lisboa, com a polícia a manifestar-se preocupada.

Na madrugada de domingo, no Porto, um jovem de 23 anos foi violentamente espancado, tendo acabado por morrer no hospital. O espancamento aconteceu na fila de acesso a uma discoteca.

Entretanto, a Procuradoria-Geral da República (PGR) já abriu um inquérito para investigar o caso. O alegado agressor, que ficou em prisão preventiva, é de nacionalidade francesa, tem 21 anos e morada no Porto, segundo fontes ligadas ao processo.

Segundo o jornal Público, há quem fale numa euforia pós-pandemia, que pode explicar o aumento destes casos de violência na noite. Este “cocktail” agrava-se com a diminuição da oferta de discotecas e bares.

Além disso, as novas regras ditam a apresentação de certificado de vacinação ou de um teste negativo à entrada dos estabelecimentos, o que faz com que as filas aumentem. É neste momento de espera e impaciência que muitos incidentes acontecem.

A violência que levou à morte do jovem no Porto não é um caso único. Têm sido vários os relatos de esfaqueamentos, assaltos e até homicídios nas zonas de vida noturna de Lisboa, Porto e também do Algarve, escreve o matutino.

Vários responsáveis e agentes da PSP mostraram-se preocupados e surpreendidos com a escalada de violência.

Nem só dentro e à porta das discotecas é que se dão os desacatos. Também são frequentes na via pública, onde há aglomerados de jovens que se juntam à volta de uma coluna potente. O Público escreve que, assim, facilmente se concentram centenas de pessoas.

“Temos assistido a alguma violência excessiva e até gratuita”, constata um responsável da PSP do Porto.

Por sua vez, o comissário Artur Serafim, do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, diz que “a criminalidade tem vindo a diminuir na zona de Lisboa, nomeadamente junto daquelas zonas de diversão noturna”.

Após a morte do jovem no Porto, o autarca da Invicta insistiu no reforço do policiamento e na instalação de videovigilância.

Lamentando a morte e apresentando as condolências à família e amigos, Rui Moreira considera que este caso “deve ser um grito para a tomada de novas medidas de segurança”.

  Daniel Costa, ZAP //

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10 COMENTÁRIOS

  1. “A euforia pós-pandemia e a impaciência nas filas de espera podem explicar este fenómeno”

    Não, o que explica este fenómeno é estupidez cultural do nosso povo incivilizado. A violência na noite em Lisboa já vinha aumentando de ano pra ano, antes do Covid. Mas como somos primitivos, a menor pressão psicológica e deixamos logo vir ao de cima o homem das cavernas que há dentro de nós.

    Covid houve em todo o mundo mas por exemplo em Inglaterra em que literalmente escancararam as liberdades todas da noite para o dia, até hoje não se houve falar em aumento de violência.

    O Português é naturalmente egoista e invejoso por isso, é natural que mal se lhe dê uma aberturazinha, ele quer logo tudo pra ele. Os outros que aturem as fila mas ele passa à frente porque é ele; ele coitado está sem paciência mas os outros têm de a ter toda. É esta falta de “fazer aos outros como gostas que te façam a ti” que caracteriza o Português, sobretudo quando está aborrecido com alguma coisinha.

    • Lamento discordar:
      O português, de todos os 50 sexos, é perfeito e um exemplo para o resto da humanidade, por essa razão a primeira coisa que lhe ocorre é facilitar a vida dos outros, nunca criar obstáculos só para se sentir “importante”, nem nada dessas nojeiras e nunca provoca ninguém, nem sequer dirigir a palavra ou mesmo o olhar(!) a desconhecidos a não ser em situações absolutamente extremas.

      Acresce que essa é a razão principal do inegável sucesso económico, organizativo e educacional que Portugal exibe e que é, esse sim, motivo de inveja da totalidade do resto do planeta.

    • Ah mas o Português culturalmente estúpido e incivilizado está a ser posto na linha em acelerado! Para já, no Porto, um espécime Francês, altamente evoluído mercê do seu pedigree, tratou de abater um exemplar…

      • Bah, se conhece os franceses vulgares, sabe que enfermam do mesmo bem.
        Só que têm algumas compensações, como por exemplo exportaram o infante D. Henrique, que tinha tanto de português como a Merkle.

    • Tinhas que mostrar o “português” que há em ti e a voltar a avaliar os outros portugueses pela tua bitola!..

      Escusavas era de mentir descaradamente quando sabes que hoje bastam alguns cliques para confirmar que, na Inglaterra, além de haver mais violência do que em Lisboa ou Porto, houve claramente um aumento de violência – se não ouves é porque andas distraído e depois só escreves disparates.
      A ver se assim “ouves”:
      “London killings: ‘It’s like a war zone. How did it come to this?’”
      1 Maio 2021

    • “A quarter more fatal stabbings in London so far in 2021 as capital could have worst year for killings on record”
      17 Junho 2021

  2. Possíveis conclusões para este fenómeno:
    1 – Se o pessoal anda na rua à noite, e particularmente à hora que estes eventos se têm dado, é porque não têm de levantar-se cedo na manhã seguinte para trabalhar. Se tivessem, decerto estariam, em casa, a descansar;
    2 – Como bem refere Miguel Queiroz, o que explica estes fenómenos, são a estupidez e a intolerância, não a euforia pós-pandémica. Até porque, é preciso lembrá-lo, a pandemia ainda não terminou. E, o Inverno está à porta;
    3 – Mas, não obstante todas estas notícias, de Norte (Porto), ao Sul (Algarve, em vários pontos), passando por Lisboa, e ainda pelo Interior, a malta continua a sair para estes espaços de “diversão nocturna”. Sinal de que estes eventos próprios de homens das cavernas não assustam nem condicionam. Sempre ouvi dizer que, quem anda à chuva, molha-se… A mim, decerto, não me apanham nestas andanças… Desde logo, porque trabalho e tenho de levantar-me cedo!

  3. Isto vai ser um grande problema para a polícia. A continuar esta escalada de violência na noite ainda vão ter que deslocar ativos que estavam calma mas dedicadamente na caça à multa para irem proteger os cidadãos. Uma chatice.

  4. Também pode ser o resultado da exposição em demasia (devido à pandemia e não só) à violência gratuita “patrocinada” pelo lixo americano (Hollywood, Netflix, Facebook, etc, etc)…

  5. Álcool misturado com estupefacientes e mulheres a assistir. Está explicado. Todos na rua querem ser o macho Alfa. Por isso sou a favor da videovigilância pública e privada.

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