CNN processa Casa Branca e exige jornalista de volta

Erik S. Lesser / EPA

A emissora norte-americana CNN processou a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na sequência da retirada das credenciais de acesso a um jornalista do canal.

A emissora de televisão norte-americana CNN decidiu processar a administração de Donald Trump, esta terça-feira, por suspender a credencial de seu correspondente na Casa Branca Jim Acosta, após uma intensa discussão com o Presidente durante uma conferência de imprensa, na passada quarta-feira.

“A CNN apresentou uma ação contra a administração Trump esta manhã no Tribunal do Distrito de Washington, DC”, indicou a rede em comunicado, alegando que “a revogação ilícita” das credenciais de Acosta viola o direito de liberdade de expressão garantido na Primeira Emenda da Constituição norte-americana.

O canal norte-americano acusa o Presidente de estar a violar a 1.ª e a 5.ª Emendas da Constituição ao retirar a acreditação de Acosta.

“Pedimos uma ordem imediata para que a acreditação seja devolvida imediatamente a Jim Acosta. Apesar de este processo estar ligado à CNN e a Jim Acosta, podia ter acontecido com qualquer um. Se não for contestada, esta decisão da Casa Branca pode criar um ambiente de medo para aqueles que cobrem a Casa Branca”, refere a CNN.

Segundo o Público, o processo visa o Presidente Donald Trump e cinco membros da sua equipa, nomeadamente o chefe de Gabinete, John Kelly; a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders; o chefe adjunto de Comunicação, Bill Shine; o diretor dos Serviços Secretos, Joseph Clancy, e um agente anónimo do mesmo serviço.

A Associação de Correspondentes da Casa Branca emitiu um comunicado a expressar “forte apoio” à ação judicial da CNN, denunciando a decisão do Governo como uma “reação desproporcionada aos factos” que ocorreram na passada quarta-feira.

Casa Branca diz que se defenderá “vigorosamente”

A Casa Branca já se pronunciou, assegurando que se defenderá “vigorosamente” da queixa apresentada pela cadeia de televisão CNN. “É apenas uma nova chamada de atenção da CNN e defender-nos-emos vigorosamente contra este processo”, reagiu o Governo, também em comunicado.

A acreditação de Jim Acosta como correspondente da CNN na Casa Branca foi revogada na semana passada na sequência de um confronto verbal entre Donald Trump e o repórter.

No comunicado, a administração alega que há outros 50 jornalistas do canal de notícias que estão acreditados para cobrir a residência oficial e que Acosta “não é nem menos nem mais especial do que qualquer outro repórter”.

A Casa Branca sublinhou que Trump respondeu a duas perguntas do jornalista e insistiu que a decisão de lhe vedar o acesso está relacionado com o facto de ter “respondido fisicamente” quando uma funcionária tentou tirar-lhe o microfone.

“A Primeira Emenda (da Constituição referente à liberdade de imprensa) não se aplica quando um único repórter, entre mais de 150 presentes, tenta monopolizar o auditório”, assinalou a Administração Trump.

Donald Trump tem uma relação conflituosa com a cadeia de televisão, que acusa constantemente de ser a encarnação do fenómeno fake news.

ZAP // Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. O Trump viola as leis como se estivesse acima dela e faz isso constantemente. Alguém tem de acabar com isso. Ele é o presidente mas tem de cumprir a constituição e as leis como toda a gente. Para bem da liberdade de expressão que a CNN ganhe o processo. Não que ele não tenha alguma razão com os abusos e controlo da informação nos media pelo grupo a que pertence a CNN (e que controla directa ou indirectamente mais de 30% dos grupos de media do mundo inteiro) mas não pode violar a constituição para retaliar contra isso.

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